De Nasca à Arequipa

Hoje acordei pensando sobre o que ia escrever. Tínhamos planejado uma viagem de 8 horas entre Nasca e Arequipa, sendo que boa parte dele atravessando o deserto que cobre toda a costa.

  
  

Hoje acordei pensando sobre o que ia escrever. Tínhamos planejado uma viagem de 8 horas entre Nasca e Arequipa, sendo que boa parte dele atravessando o deserto que cobre toda a costa. Esperava uma viagem chata e árida, sem paradas e nem fotos. Acordei pensando no que escrever para manter o diário atrativo em um dia tão chato. Pobre Peter! Mal sabia o que me esperava.

Família Goldschmidt

Creio que este foi o dia com as paisagens mais deslumbrantes que já vimos no Peru até agora. Nossa viagem demorou 11 horas de tanto que paramos para fotografar, isto levando em conta que 90% das filmagens e fotos foram feitas com o carro em movimento para não perder tempo.

Saímos de Nasca pela rodovia Panamericana em direção a costa do Pacífico. Com apenas 40 minutos de viagem passamos ao lado de uma falha geológica de tirar o fôlego. A terra parecia ter se partido em duas por um terremoto e no meio surgiu um profundo vale. Acho que foi isto mesmo que aconteceu. Lembre-se que estamos sobre o encontro da placa de Nasca e a placa sul americana, uma das regiões mais geologicamente ativas do mundo.

Depois de mais alguns minutos, chegamos ao litoral onde a estrada seguia ora por cima de imensos penhascos, ora ao lado de quilômetros de praias desertas. Do lado esquerdo, montanhas de areia e vales imensos. Do lado direito, um mar de azul intenso, pontilhado de rochas com leves toques de espuma branca. Um delírio. Um quadro pintado pelo criador. De vez em quando um vale fértil acrescentava um verde forte a paisagem, mostrando mais uma vez que, onde há água, há vida. Primeiro foi o vale de Yauca, totalmente coberto de oliveiras que se estendiam por mais 25 kms deserto a dentro. Sentados no alto das suas encostas podíamos ouvir o canto dos pássaros lá embaixo. Um verdadeiro oásis. Nas paredes do vale a história geológica da região estava à mostra em uma seqüência de estratos de lama, calcário e conchas fossilizadas. Incrível! Uma hora depois, nos deparamos com o vale de Ocoña. Cortado por um caudaloso rio, este vale brilhava com um verde mágico produzido pelos imensos arrozais.

A estrada continuou sinuosa, subindo e descendo vales e encostas, arrancando de mim e da Sandra suspiros e expressões do tipo: Olha isto! Nossa! Que maravilha!
E as crianças? Infelizmente dormiram o tempo todo.

No caminho também paramos para conhecer o Santuário Las Calaveritas, traduzindo: As Caveirinhas. Achei o nome estranho até que vi dois crânios humanos com quepes militares em redomas de vidro. Dentro do santuário, além das caveiras encontramos imagens de santos, foto de pessoas já falecidas, cartas com pedidos de milagres e muitas figuras de Jesus. Haviam muitas velas acessas aos pés das imagens. Descobri que este é um ponto de parada para muitos motoristas e caminhoneiros que cruzam a Panamericana. Eles acendem as velas pedindo proteção para sua viagem. A Sandra com seu olho clínico para felinos logo descobriu um gatinho dormindo em cima de um altar, talvez aproveitando o calor produzido pelas velas. É claro que ela parou tudo para fazer um carinho no bichano. Quanto aos crânios e o nome do santuário ainda não descobri a razão, mas prometo que vou pesquisar.

A nossa viagem continuou passando por pequenas vilas e portos de pescadores. Demorou quase 7 horas para chegarmos em Camaná onde paramos para almoçar. Esta viagem deveria demorar apenas 5 horas. Como já disse, foram muitas paradas. Se soubesse que havia tanta beleza neste trecho da rodovia Panamericana teria programado para percorrê-la em dois dias, aproveitando melhor as paisagens e as praias desertas. Na verdade já estamos planejando voltar aqui um dia com nosso motorhome para fazer este trecho sem pressa.

Depois de Camaná, a estrada deixou de acompanhar o litoral e começou a subir as encostas do Andes. Foram subidas leves, seguidas de longas retas através do deserto. Depois de deixarmos a Panamericana, faltando apenas uma hora para Arequipa, o caminho cruzou uma região pedregosa, com curvas fechadas e altas paredes nas laterais. Chegamos em Arequipa logo no começo da noite, amanhã planejamos conhecer a cidade. Portanto, até amanhã!

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Publicado por em

Daniel

Daniel

08/01/2009 14:10:08
Achei o máximo, pois adoro viajar, adoro prais. Meu maior hobi é dirigir, e com essas vistas então seria o máximo. Aproveitem bastante, e tirem muitas fotos.

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ok cada semana teremos novidade no Ecoviagem