De Puno a Cusco

O dia começou frio e chuvoso, mas como ficar parado e quentinho no hotel não era uma opção, saímos cedo para a viagem de 351 quilômetros entre Puno e Cusco.

  
  

O dia começou frio e chuvoso, mas como ficar parado e quentinho no hotel não era uma opção, saímos cedo para a viagem de 351 quilômetros entre Puno e Cusco. Nosso caminho atravessou o altiplano, o planalto andino que começa no Peru e vai até o norte da Argentina. Nesta região, cuja altitude média é de 4 mil metros, a população vive principalmente da agricultura e da criação de gado. Só no estado de Puno são mais de 2 milhões e meio de cabeças, incluindo, alpacas, vicunhas, lhamas, bovinos e ovelhas.

Altiplano

Nossa primeira parada aconteceu aos 40 minutos de viagem. Fomos conhecer as Chulpas de Sillustani,

uma necrópole que já foi usada por várias civilizações. As primeiras tumbas, em formato de torres, foram construídas no ano 200 a.c. pela cultura Pukara. Depois vieram os Tiahuancos e finalmente os Incas. Estes últimos construíram torres com pedras perfeitamente talhadas e muito mais altas. As maiores atingem 12 metros. As tumbas incas possuem pedras com entalhes que representam seres com atributos divinos (na sua cosmovisão) como por exemplo a serpente e o largarto, símbolo do renascimento. Em todas as torres há uma pequena porta orientada para o nascente. Eles criam que os raios do sol eram os mensageiros entre os mortos e Inti, o deus Sol.

Depois de mais 1 hora e vinte de viagem, chegamos a cidade de Pukara. Hoje esta pequena vila é famosa por produzir os “Toritos”, touros de cerâmica que são colocados em cima das casas para atrair boa sorte. Estes “Toritos” são fabricados em pequenas oficinas artesanais, a maioria delas familiares. É um processo rústico, porém interessante. Estranhamente poucas casas na cidade usam o amuleto. Talvez por isto a cidade não tenha progredido muito. Pukara já foi a capital de uma avançada civilização que habitou os Andes há 2 mil anos atrás. Na cidade ainda se encontram algumas ruínas e um museus com várias peças daquele período. Infelizmente não nos foi permitido fotografar ou filmar, nem as ruínas, nem o museu. Não me pergunte por quê... Mas se passar pela cidade faça uma visita. Vale a pena.

Por volta do meio dia paramos no ponto mais alto desta travessia, o Paso La Raya, com altitude de 4.313 metros. Depois de tanta aclimatação, quase não sentimos a altura. Estava frio, muito frio. Fomos também surpreendidos por uma chuva de granizo. Mesmo assim fizemos fotos e imagens, pois este local é muito importante. Primeiro porque é um divisor de águas. As nascentes de um lado correm para Pacífico e do outro para o Atlântico. Depois porque nestas montanhas nasce o rio Vilcanota, um dos formadores do rio Amazonas. Isto quer dizer que, teoricamente, se eu colocar uma garrafa com uma mensagem aqui no Peru, posso encontrá-la meses depois em uma praia na ilha do Marajó no Brasil. Incrível né! O rio Vilcanota, que depois torna-se o rio Urubamba que é considerado sagrado pela cultura andina. Ele é o formador do Vale Sagrado, sobre o qual falarei depois.

Depois do almoço, paramos em um dos sítios arqueológicos mais importantes do vale, na pequena vila de Raqchi. Ali encontramos as ruínas de um templo dedicado a mais alta divindade Inca, o deus Wiracocha, considerado o criador e mantenedor de todas as coisas. O templo tem uma arquitetura diferenciada, foi construído parte em pedra, parte em adobe. Está localizado na metade do principal caminho Inca, que ligava Tiahuanaco na Bolívia com Cajamarca, ao norte do Peru. Este lugar também funcionava como depósito de alimento para tempos difíceis. Encontramos ali 220 silos de alimentos com 3 metros de altura. Um deles foi reconstruído e coberto com palha para servir de referência aos visitantes.

Na estrada vimos um homem secando peles de lhamas. Achamos interessante e paramos para fotografar. Perto dali, mulheres lavavam roupa no rio e varias crianças nadavam nuas. Estava um frio de rachar. Logo a Sandra estava cercada de novos amiguinhos.
As crianças peruanas são encantadoras e muito simpáticas. Adoram conversar e perguntar muito, sobre tudo.

Nossa última parada foi em Rumicolca, uma muralha que atravessa o vale sagrado de lado a lado. Ele era usado como posto de controle para que entrava ou saia de Cusco, a capital do império. Quando desci para fazer a gravação, vi um homem que caminhava pela antiga trilha Inca. Estava vestido de branco e carregava algo envolto em panos nas costas. Parecia um Inca que viajou no tempo e acabava de entrar pelas muralhas em direção a Cusco. Viajei!

Chegamos a Cusco no começo da noite e nos hospedamos no Hotel Terra Andina, um prédio colonial no centro da cidade. Excelente! Amanhã vamos conhecer cidade e falar um pouquinho sobre o Incas e sua conquista. Inté!

Peter Goldschmidt - www.familiagold.com.br

A Família Goldschmidt tem o apoio das seguintes empresas:

GOLDTRIP - www.goldtrip.com.br
TIMBERLAND – www.timberland.com.br
TACA AIRLINES - www.taca.com
PIGMENTUM - Comunicação Visual - www.pigmentum.com.br
MTK - Artigos para aventura – www.mtkacess.com.br
BEEPHOTO – Tudo para fotográfica – www.beephoto.com.br
TRAVEL ACE Seguro – www.travelace.com.br
RENAULT – www.renault.com.br
Membro da Brazilian Adventure Society - BAS

Chulpas de Sillustani
Família Gold em Sillustani
Muralha de Rumicolca
Toritos de Pukara
Templo de Wiracocha
Celeiro
Secando pele
Amigos de estrada
Peter em Silustani
  
  

Publicado por em

Miriam

Miriam

13/02/2009 13:09:38
OLa, achei muito interessante, principalmente o meio de armazenamento, as fotos ficarma muito bonita, vale apena sempre estarmos persquisando outras formas de guardar-mos alimentos.