Empurrados rio acima

Os dias de nossa travessia correram tranqüilos. A balsa da Silnave carregava cerca de 30 carretas de 18 metros, além do nosso Pégaso e de um outro caminhão. Tudo isto era empurrado por um barquinho troncudo e muito forte chamado Empurrador

  
  

Os dias de nossa travessia correram tranqüilos.

A balsa da Silnave carregava cerca de 30 carretas de 18 metros, além do nosso Pégaso e de um outro caminhão.

Tudo isto era empurrado por um barquinho troncudo e muito forte chamado Empurrador (nada mais óbvio).

Seguimos à incrível velocidade de 9 km/h, uma velocidade bem razoável para quem trafega pelos rios da Amazônia.

De vez em quando passávamos por outras balsas e também éramos passados por barcos menores de passageiros.

Neste ponto, duas coisas nos chamaram a atenção: uma delas foi o grande tráfego de embarcações pelos rios.

A todo momento, passavam balsas enormes, às vezes duas ou três ligadas ao mesmo empurrador, carregadas com carretas e madeira.

Enormes navios de transporte de minerais ou containers também cruzaram por nós. Uma verdadeira auto estrada.

A vantagem é que aqui não tem buracos, lombadas ou animais na pista.

Outra coisa que me impressionou foi a grande quantidade de pessoas morando às margens dos rios.

Tinha em mente de que encontraria uma Amazônia pouco povoada.

Até creio que seja assim, mas não às margens dos rios.

A cada poucas centenas de metros, avistávamos casinhas de caboclos que nasceram e cresceram por aqui.

Nos lugares onde o rio se estreita um pouco mais, estes ribeirinhos chegam com seus barcos até a balsa e sobem para tentar vender, trocar, ganhar ou até mesmo roubar alguma coisa.

Nestas oportunidades, conversamos com vários deles e descobrimos pessoas muito satisfeitas com o que tem.

Afinal, isto também não é de se estranhar. Em primeiro lugar, eles não pagam imposto, nem qualquer taxa como IPTU, IPVA, INSS, e outros Is...

Em segundo, a floresta dá o básico para suas vidas: frutas, peixes, carne de caça e água.

E terceiro, ir embora para onde, para quê, por quê?

São felizes do jeito que são, e com razão.

  
  

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