Foz do Amazonas

Lembra aquele dia em que fomos até o igarapé fundo, bem ao norte da ilha? Pois bem, esqueci de contar que depois da visita ao igarapé, voltamos ao rio Amazonas e seguimos em direção a sua foz. O rio é imenso, tanto que mal conseguíamos enxergar a

  
  

Lembra aquele dia em que fomos até o igarapé fundo, bem ao norte da ilha?

Pois bem, esqueci de contar que depois da visita ao igarapé, voltamos ao rio Amazonas e seguimos em direção a sua foz.

O rio é imenso, tanto que mal conseguíamos enxergar a ilha do Marajó do outro lado.

Depois de mais 1 hora de voadeira, chegamos próximos ao igarapé do Urubu, exatamente onde a linha do equador cruza a ilha.

Já havia estado em Greenwich (a linha que divide o leste do oeste) há muito tempo atrás, mais esta foi a primeira vez que fico sob alinha imaginária que divide a terra em dois hemisférios (norte e sul).

É também um privilégio estar em uma das esquinas mais famosas do mundo: Rio Amazonas com Oceano Atlântico.

Lembrei-me que um pouco antes de Cabral “descobrir” o Brasil, o espanhol Pizon já havia aportado no rio Grande do norte e depois disto foi o primeiro europeu a adentrar ao Amazonas.

Com este é o canal sul (a foz é dividida em vários canais) e bem provável que há mais de 500 anos atrás Pizón tenha avistado a mesma paisagem quem esta humilde Família Goldschmidt.

Não é uma honra estar em um lugar assim?

Depois das gravações necessárias, seguimos para terra e fomos visitar uma família que vive ali há 37 anos.

Desembarcamos em uma das praias de areia da ilha (são várias) e andamos uma centena de metros por uma trilha até chegar em uma casinha suspensa sobre palafitas.

Esta técnica de construção é comum aqui para se defender das enchentes do rio e dos animais.

Fomos recebidos por Dona Nazaré e suas filhas .O marido João Paulo havia saído de canoa para buscar mantimentos na vila.

A casa é simples, baixa (as pessoas também) e com poucos móveis. Nada mais que uma mesa, alguns bancos e redes penduradas.

Na cozinha havia um fogão a gás e prateleiras com alimentos. O que me chamou a atenção é que as paredes da sala estavam cobertas de páginas de revistas e jornal.

O Diego explicou que eles gostam muito de colar estas fotos na parede e todas as vezes que vêm para cá, sempre trás algumas revistas e contribui para a decoração.

Outra coisa que me chamou a atenção foi um pequeno altar todo decorado com fitas coloridas e papel brilhante.

Acho que as dificuldades destas famílias ribeirinhas são tantas que ao invés de pedir para um santo só, eles pedem para todos os santos que podem e deixam para o céu escolher qual deles vai mandar ajuda.

Apesar da simplicidade de vida, todos que encontrei na Amazônia são muito hospitaleiros. Sabendo que a gente viria, as meninas (de 10 e 12 anos) saíram e caçaram uma Paca para nosso almoço.

A mãe preparou uma panela de açaí e o banquete estava feito. Nós não estávamos nem um pouquinho com fome (tínhamos acabado de comer um lanche), mais para não parecer mal educados provamos um pouco das duas iguarias e agradecemos.

O mais gostoso desta expedição é isto, poder conhecer como as pessoas vivem em todas as parte da nossa América do Sul.

Saber o que comem, como se vestem , o que pensam, onde vivem. Viajar é fantástico e aprender é mais ainda!

A tarde terminou com uma caminhada pela praia da Urubu, que apesar do nome é muito linda.

Chegamos no hotel somente e noite com nosso caminho através do rio iluminado por lanternas.

Logo depois que chegamos, começou a chover.

  
  

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