Múmias e linhas vistas do ar

Adivinha como o dia começou? Quente!

  
  

Adivinha como o dia começou? Quente!
O Erick não acordou muito bem. Ainda tem dor de estômago. Mesmo assim ele não quis perder mais um dia de viagem e nos acompanhou até o aeroporto de Nasca. Ali, embarcamos em um monomotor para sobrevoar o Pampa de San José, a planície onde estão grande parte das linhas. São mais de 300 desenhos e figuras espalhadas por quase 500 kms quadrados.

Colibri

Recentemente, foram descobertos ainda mais desenhos na planície da Palpa, ha uma hora de vôo de Nasca o que aumenta ainda mais a área a ser estudada. Nosso sobrevôo se resumiu as linhas de Nasca e demorou cerca de meia hora. Pudemos observar de perto (a apenas 100 metros do chão) os principais desenhos e figuras de Nasca. O vôo não teve turbulência, mas as curvas fechadas que o pequeno avião faz para mostrar aos passageiros as linhas, não são para qualquer um. O nosso piloto, Capitão Ricardo, se mostrou muito habilidoso e capaz. Durante o vôo tivemos uma real noção da grandeza das linhas. Notamos que muitas delas foram apagadas pelo tempo e pela raras pancadas de chuva. Assim mesmo, elas impressionam pela quantidade e precisão. Quanto aos desenhos, os mais interessantes foram as figuras do macaco, da aranha e do colibri. Muitas linhas e desenhos estão sobrepostos e as linhas mais longas sobem e descem montanhas, se estendendo por vários quilômetros. Sem dúvida o sobrevôo é a maneira de se observar as linhas. Para entendê-las melhor, ontem e hoje fomos conhecer as linhas de perto, desde o chão. Para construí-las os Nascas retiraram a camada superior do solo removendo as pedras escuras que cobrem a superfície. As maiores linhas não tem mais do que 30 centímetros de profundidade. A camada inferior é mais clara do que a superfície escura e este contraste faz com que as linhas sejam visíveis a dezenas de quilômetros. Nesta altura, você deve estar se perguntando: Como elas sobreviveram 1.500 anos? A explicação é que a ausência de chuvas, o que evita a erosão e os ventos amenos mantém a superfície da planície sempre limpa de areia.

As linhas de Nasca foram descobertas no começo do século 20, quando os primeiros vôos comerciais atravessaram a região, mas só foram realmente estudadas com a chegada da matemática alemã, Maria Reiche na década de 50. Maria dedicou quase 50 anos de sua vida ao estudo, preservação e divulgação deste impressionante sítio arqueológico. No inicio, ela vinha sozinha, onde passava vários dias no deserto fazendo medições e limpando as linhas com uma vassoura. O povo da cidade não entendia o que ela estava fazendo e a apelidaram de “Gringa Loca” por estar sempre varrendo a areia. Seu empenho e persistência foram recompensados. No final da sua vida ela já era reconhecida mundialmente como a “Dama das linhas” e considerada uma verdadeira heroína pelo povo peruano e pela população local. Sua pequena casa no deserto se converteu em um museu e varias ruas, prédios e até o aeroporto de Nasca levam seu nome. Foi ela que desenvolveu a teoria de que as linhas são um grande mapa astronômico representando constelações e marcando os movimentos dos astros. Seus últimos anos foram passados no Hotel Nasca Lines que lhe cedeu um apartamento. Hoje, o hotel possui um pequeno planetário onde todas as noites são feitas projeções sobre as linhas e o trabalho de Maria Reiche. Fomos ver a apresentação ontem a noite e gostamos muito.

No meio da tarde, ainda embaixo de um forte calor fomos conhecer a necrópole de Chauchilla, também conhecida como cemitério de múmias. Nesta planície extremamente árida os Nascas, e depois a cultura Ica-Chincha, onde depositaram seus mortos na forma de múmias, todos envoltos em ricos tecidos e cercados por seus bens, cerâmicas e jóias. Infelizmente os ladrões de tumbas (Huequeros em espanhol) chegaram antes dos arqueólogos e todas as tumbas foram profanadas. Com isto, a maioria dos tesouros se perderam e o que sobrou foram ossadas e tecidos espalhados por todo o vale. Os arqueólogos reuniram o que puderam e colocaram novamente nas tumbas, mas muitos ossos, tecidos e pedaços de cerâmica continuam espalhados pela areia. Hoje Chauchilla é o único museu de múmias a céu aberto no mundo.

Hoje terminamos nosso dia mais cedo. Muito calor. Amanhã pretendemos sair cedo em uma viagem de 10 horas a Arequipa, conhecida como a Cidade Branca, a 2.700 metros de altura na encosta dos Andes. Será uma viagem longa, mas tenho certeza que terei muitas novidades para contar. Vejo vocês em Arequipa!

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Maria Reiche
Maquete das linhas
Mumias
Mumias em Chauchillia
Maria Reiche no desrto
Família Goldschmidt
  
  

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