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Os Kalungas

Depois de conhecer o lado aventura, místico e natural da Chapada dos Veadeiros, resolvemos conhecer também o lado cultural. Descobrimos através do Marcelo Safadi (Secretário de Turismo de Goiás) uma comunidade de ex-quilombolas conhecida como Kalu

3 de Janeiro de 2004. Publicado por Família Goldschmidt  

Depois de conhecer o lado aventura, místico e natural da Chapada dos Veadeiros, resolvemos conhecer também o lado cultural.

Descobrimos através do Marcelo Safadi (Secretário de Turismo de Goiás) uma comunidade de ex-quilombolas conhecida como Kalungas.

Os Kalungas são habitantes originais do Vão das Almas, um vale escondido entre altas montanhas e cortado por um rio.

Foi lá, que há mais de 200 anos, seus ancestrais montaram vários quilombos, fugindo da escravidão nas fazendas da região.

Durante todo esse tempo, estes homens e mulheres viveram isolados do resto do mundo e só foram descobertos há pouco mais de 20 anos.

Por isso, suas casas, seus hábitos e costumes ainda são como no século XVIII. Os Kalungas não vivem em cidades, mas sim em casas espalhadas pelas margens dos rios.

Hoje eles são protegidos pelo Governo Federal e Estadual e têm uma grande reserva de terras. No entanto, apesar do contato com a “civilização moderna”, os Kalungas mantém os mesmos hábitos dos seus pais e avós.

Não há luz, nem água encanada. Os destinos das comunidades são determinados pelos mais idosos e a vida corre mansa e tranqüila, mantida pela agricultura familiar e a criação de alguns animais.

Na cidade de Teresina de Goiás, encontramos com o sertanista e pesquisador Fernando Lanas. Depois de uma breve explanação sobre as comunidades, ele nos guiou até uma delas, a comunidade das Emas.

Passamos o dia lá, entre casas de adobe, plantações de subsistência e muitos sorrisos. Foi interessante notar que as casas de barro dos kalungas contém detalhes em portas e janelas que lembram as casas africanas.

Montados a cavalos, visitamos várias famílias e conhecemos pessoas maravilhosas que nos receberam muito bem.

Conhecemos a Dona Lió, uma senhora idosa, forte e muito simpática. Ela afirma ter mais de 80 anos.

Ela vive em uma casa baixa, cercada de árvores frutíferas e apesar da idade avançada, ainda produz tudo o que consome, desde comida aos potes de barro onde cozinha.

Um exemplo de saúde na terceira idade. Dona Lió tem os dentes perfeitos, que segundo ela, é devido ao uso de uma pasta dental feita por ela mesma a base de fumo e cinzas.

Conhecemos também um senhor que é o festeiro da comunidade. Ele e sua sanfona, acompanhado pelo Fernando Lana e por minhas crianças, nos mostrou um pouco da música Kalunga, uma espécie de forró.

Uma senhora que estava ali, talvez sua esposa, se contagiou com o ritmo e deu um show de dança. Este senhor é também é um habilidoso artesão.

Ele é um dos poucos que ainda produz o “Artifício” uma espécie de isqueiro pré-histórico usado até hoje por muitas pessoas da comunidade.

Trata-se de uma pedra que solta faíscas colocada sobre um pedaço de chifre de boi cheio de algodão cru. Ao cair no algodão, a faísca inicia uma brasa que, com habilidade, pode acender um cachimbo (pitú), um fogão ou uma fogueira.

Almoçamos na casa do Dino, um rapaz jovem e forte que já formou uma linda família.

Ele, como todos da comunidade, vivem da terra. Apesar da vida difícil e simples, o Dino diz que não trocaria a vida de Kalunga por nada.

Quer viver e morrer dentro da comunidade, vivendo do que produz.

Passamos o dia conhecendo outras pessoas e aprendendo um pouco com a singeleza e sinceridade deste povo. Infelizmente não pudemos visitar outras comunidades que vivem mais além, no Vão das Almas.

Seriam necessárias várias horas de cavalgada e um ou dois dias de pernoite. Seria uma viagem muito interessante, pois estas comunidades mais afastadas preservam muito seus hábitos e costumes, pois não existe acesso fácil por terra.

Hoje, o Fernando Lana junto com uma agência de Alto Paraíso, estão iniciando um roteiro turístico-cultural dentro da comunidade Kalunga.

A sua idéia é que através de um turismo controlado, a comunidade possa receber dividendos e obter recursos para a construção de escolas, poços e outros benefícios da vida moderna.

Segunda Lana, há uma grande preocupação para que o turismo não interfira no dia-a-dia das pessoas e que seja uma opção para a crescente evasão dos mais jovens, que buscam nas cidades próximas outras fontes de renda.

Pensando assim, o turismo pode ser a solução ideal para a preservação da cultura Kalunga.

  • Contatos:

Fernando Lana: (62) 467-1113
Alternativa Turismo: (62) 461-1000

Alto Paraíso de Goiás

São Jorge

Comentários

valquiria chagas

 postado: 4/11/2008 10:09:56editar

Nossa...Essa matéria foi tudo de bom. Estou na faculdade e vou apresentar um trabalho sobre os quilombos e quero falar principalmente sobre os kalungas que estão aqui bem proximos de nós.
Que bom, pude aprender um pouco mais...

 

 

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