Paulo Afonso

A chegada a Paulo Afonso, no norte do sertão baiano é surpreendente. Surpreendente sim, pois apesar de saber que a cidade surgiu de uma represa, não estava preparado para tanta água no meio do sertão. Depois de passar por cidades miserávei

  
  

A chegada a Paulo Afonso, no norte do sertão baiano é surpreendente.

Surpreendente sim, pois apesar de saber que a cidade surgiu de uma represa, não estava preparado para tanta água no meio do sertão.

Depois de passar por cidades miseráveis, muita caatinga e açudes quase secos, encontrar uma ilha fluvial foi demasiado chocante.

Sim, Paulo Afonso é uma ilha no meio dos muitos braços do São Francisco, represado pelas usinas de Paulo Afonso. São quatro usinas, a PA I, II, III e IV, todas gerando energia para o nordeste.

Outra curiosidade de Paulo Afonso (BA) é que ela fica muito próxima de outros 3 estados. Atravessando uma enorme ponte metálica há poucos minutos do centro da cidade, já estamos em Alagoas.

Andando 40 quilômetros em direção leste entramos em Sergipe. Se viajarmos um pouco mais para o norte entramos em Pernambuco. Tudo é muito pertinho.

Num destes dias eu almocei em Alagoas, fiz digestão em Sergipe e vim jantar na Bahia, olhando a paisagem de Pernambuco. Chique não?

Outra vantagem geográfica de Paulo Afonso é sua proximidade de várias capitais do nordeste. Aracajú 280 km, Maceió 320 km, Recife 460 km, e Salvador 480 km.

Passeando pela região, demos de cara com um lindo museu próximo a usina de Xingó, na cidade de Canindé do São Francisco.

O MAX (Museu Arqueológico do Xingó) está em um prédio super moderno, construído recentemente e é uma referência em beleza, estilo e organização.

Parece um museu europeu no meio do sertão. Lá tivemos a oportunidade de aprender um pouco sobre a história do São Francisco e dos homens que viveram aqui há muito tempo atrás.

  • Raso da Catarina

Paulo Afonso está localizado numa das margens do Raso da Catarina, uma das regiões mais secas do país.

O Raso não é um deserto, e sim uma parte especialmente árida da caatinga, onde não corre nenhum rio e não há nenhuma fonte de água.

O Raso tem este nome primeiro por causa da sua vegetação baixa e rasteira (rasa) e também por uma lenda que conta sobre uma senhora, esposa de um fazendeiro que saiu para buscar plantas medicinais na caatinga e nunca mais foi vista.

O nome dela? Elementar meu caro Watson: Catarina.

Uma das coisas mais impressionantes no raso, não é sua vegetação que resiste a seca, e sim o homem que consegue viver e trabalhar em condições tão extremas.

Aqui vivem os índios Pankararés, uma tribo com mais de 500 membros que vivem espalhados em diversas aldeias dentro da caatinga.

Na verdade, o raso é metade reserva do Ibama e metade reserva indígena. A pouca água que cai do céu nos meses de Abril a Julho, é armazenada em panelões escavados naturalmente na rocha.

É uma água amarela e mal cheirosa, mas que para o índios representa a diferença entre a vida e a morte.

Além dos índios, outro sobrevivente do Raso da Catarina é o vaqueiro. Vestidos em couro da cabeça aos pés, eles mais parecem cavaleiros medievais, um dom Quixote de La Mancha, do que homens modernos.

Perguntei a um deles se a roupa era confortável. Recebi como resposta um categórico NÃO.

Esquenta, soa, cheira, mas ainda não inventaram nada melhor para evitar que os vaqueiros se machuquem nos espinhos da caatinga.

Além da roupa, o que mais me impressionou é o peso que estes “cabras machos” levam nas suas andanças pelo sertão. Levam comida, arma, água, munição, apetrechos, creio eu uns 25 quilos de tralhas penduradas no ombro.

E tudo isto debaixo de um sol de 40 graus. Nestas condições tanto o homem como o gado tiveram que adaptar e descobrir onde conseguir água até em tempos de seca.

Na caatinga há um tipo rústico de bromélia que guarda sempre água entre suas folhas. Dos ramos do Facheiro (um tipo de cacto), pode-se comer o miolo que tem uma carne úmida e insípida. Dos panelões só se bebe em último caso.

  • Ponte de Ferro e bungee jump

Logo que saí de Paulo Afonso a estrada atravessa uma enorme ponte metálica que cruza o rio São Francisco.

Ela é considerada uma das mais altas do Brasil e a partir dela se pratica vários esportes radicais, como por exemplo o bungee jump. Quem opera na ponte é a Acqua Bungee, do meu amigo Serginho (que não é o da egüinha pocotó).

O salto da ponte Dom Pedro II é o maior salto de bungee do Brasil, com quase 90 metros de altura. O Serginho já vez centenas de saltos e todas as semanas inicia mais algum candidato a passarinho sem asas.

O salto é incrível por várias razões. Primeiro pela altura incrível; e segundo por ser a partir da estrutura de uma ponte metálica.

Você literalmente fica pendurado no parapeito da ponte e salta no vazio. E finalmente, pelo visual incrível.

A ponte fica justo em cima da parte mais alta do cânion do rio S. Francisco, que passa lá embaixo com suas águas verde-esmeralda.

Para quem salta, além da emoção da queda, resta ainda uma espera suspensa entre a terra e o céu, curtindo um dos visuais mais incríveis que se pode ter dos cânion e do rio.

Para aqueles que tem coragem, eu recomendo.

  • Rapel e Angiquinho

Apesar de não termos feito o bungee jump, aceitamos o desafio de fazer um rapel na antiga usina de Angiquinho.

Esta usina foi a primeira construída no nordeste e idealizada por um empresário visionário chamado Delmirto Gouveia.

Aqui, em 1913, quando ninguém pensava ainda nos benefícios de uma usina nas cachoeira de Paulo Afonso, este homem intrépido não só construiu uma hidrelétrica como também uma fábrica de tecidos no meio do sertão.

Infelizmente ele morreu assassinado em 1917. Dizem as más línguas (e alguns pesquisadores) que quem o matou foram os ingleses, com os quais ele fazia concorrência nos negócios de tecido.

Verdade ou não, a usina funcionou até a década de 60 (dirigida por ingleses) e hoje está entregue ao abandono.

Ainda ali, existem vários maquinários e até um trecho suspenso de estrada de ferro.

Nele existe uma pequena vagoneta, com a qual os mais intrépidos (como eu e a Sandra) descem fazendo curvas sobre o cânion que passa lá embaixo. Muita emoção.

Principalmente por serem trilhos instalados há quase 100 anos e sem manutenção.

Depois da adrenalina do trenzinho, fomos para o rapel propriamente dito. Descemos a partir da usina por uma parede irregular escavada pela força da água que antigamente passava por ali. Muita adrena na descida.

Nesta aventura descemos eu e a Ingrid. A Sandra ficou pendurada no alto só fazendo as imagens. O calor era imenso.

Vinha de cima e de baixo, com o sol refletindo nas pedras. O melhor do rapel foi quando a cadeirinha tocou na água que corria abaixo de nós, afinal, depois de muita adrena e calor, nada melhor do que um bom e refrescante banho nas águas do velho Chico.

  • Passeio de um dia - Caldas do Jorro

Próximo a Paulo Afonso, a mais ou menos 150 km, existe uma cidade encravada com um oásis no meio do seco sertão baiano chamada de Caldas do Jorro.

Vou contar a história do lugar: há 50 anos, a Petrobrás esteve por aqui e perfurou alguns poços a procura de petróleo.

Ao invés do óleo, ela achou foi um bolsão de águas quentes há 1.800 metros de profundidade. A água jorrou abundante em meio a então Fazenda dos Macacos.

Devidamente canalizada, a água brotando a 48° começou a atrair turistas e dentro de pouco tempo o distrito de Caldas do Jorro se formou.

Hoje, as águas continuam saindo da terra, na mesma quantidade, na mesma temperatura e com valor medicinal comprovado.

Na praça central, a população local e turistas se reúnem todas as tardes para um banho termal que se estende até quase meia noite.

Alguns hotéis locais, como o Pousada do Jorro, também recebem a água por tubulação constroem banhos um pouco mais reservados.

  • Dicas de viagem
  • Hospedagem

Em Paulo Afonso existem vários hotéis e pensões, a maioria bem agradáveis.

Nós ficamos no Leno Water Park, um parque aquático com estrutura para camping. Ele também aluga trailers e barracas.

O Leno Water Park fica no começo da ponte que cruza o primeiro braço do rio, no bairro BTN 1.

  • Informações e reservas:

Para outras informações e reservas entre me contato com:

  • Acqua Bungee

Bungee Jump, rapel, tirolesa, trekking, Raso da Catarina e outras aventuras
Contato: Serginho
Fones: (75) 282-5246 / 281-6515 / 9139-0428

  • Mangaio turismo

Fones: (81) 3421-4465 / 9612-4595
Website: www.mangaio.com.br

  • Secretaria de turismo de Paulo Afonso

Fones: (75) 281-2718 / 3347 / 4470 / 3011

  
  

Publicado por em

Rayane domingos da silva

Rayane domingos da silva

30/11/2010 20:23:26
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Vadete Carneiro guimaraes Adn . Hoteleira

Vadete Carneiro guimaraes Adn . Hoteleira

02/02/2010 15:03:19
Muito boa a pesgiuisa. esqueceram de uma coisa muito importante que a fundacao das primeira hidreletricas d Brasil foram feitas atraves do aproveitamento das quedas naturais dp Velho Chico
naquela regiao. considero u dos canions mais lindos do mundo. A partir da cidade de Paulo Afonso.

Porcelana

Porcelana

03/01/2010 13:30:58
adorei ! linda matéria , eu amo demais a minha cidade , tenho o maior orgulho de ser nordestina , valeu mesmo .