Peixe boi marinho, a revanche

Depois de uma noite estrelada, de uma beleza impressionante, o dia amanheceu chovendo. Achamos que nossa segunda visita ao Projeto Peixe Boi Marinho ia literalmente por água abaixo. Logo hoje que teríamos a possibilidade de ajudar os biólo

  
  

Depois de uma noite estrelada, de uma beleza impressionante, o dia amanheceu chovendo.

Achamos que nossa segunda visita ao Projeto Peixe Boi Marinho ia literalmente por água abaixo.

Logo hoje que teríamos a possibilidade de ajudar os biólogos e veterinários na biometria mensal dos dois animais em cativeiro.

Felizmente a chuva passou e um céu lindo se abriu. Fomos até a base e de lá de canoa até o local do cercado, um braço do rio Mamanguape.

Vale ressaltar novamente a beleza do lugar. Um enorme estuário, cercado de mangues nativos e com sua foz protegida por arrecifes.

Inclusive, próximo a estes arrecifes o projeto mantém uma torre de observação para controlar não só a visitação na região da APA (área de proteção ambiental), mas também para catalogar todos os peixes boi nativos que passam na região.

Voltando a biometria. Fomos convidados pelo veterinário João Carlos e pelo chefe da base a acompanhar e ajudar a avaliação mensal dos dois peixes bois que estão passando por uma readaptação.

Foi uma experiência incrível. Primeiro eu entrei na água com os técnicos e com a ajuda de uma rede capturamos o mais jovem dos animais que pesa uns 150 quilos.

Com algum esforço trouxemos o “Guaju” até a beira do mangue. Cada um tinha a sua função.

A minha foi de burro de carga. A Sandra filmou, fotografou e ajudou a tirar as medidas. O Erick era responsável em anotar os dados coletados e a Ingrid cumpriu a função de manter o peixe boi úmido para que sua pele não ressecasse.

Depois da avaliação do primeiro animal, ele foi devolvido a água e nós fomos buscar o outro. O Guape é um pouco mais gordinho e pesa 225 quilos.

Imaginem o esforço. Fizemos todo o processo de novo só que desta vez todos fizeram um revezamento de suas funções. Só eu que continuei fazendo força.

Foi muito instrutivo para todos nós e uma experiência única. Tivemos a oportunidade de observar nestes animais tudo aquilo que só tínhamos visto nos filmes.

Sua nadadeira tem unhas para poder agarrar as plantas, sua pele tem pequenos sensores para sentir as correntes e o ambiente, seus olhos se fecham como uma válvula, seu nariz, sua cara fofinha, seu jeito manso e carinhoso.

A Sandra por pouco não lasca um beijão no Guape. Bem que ele queria, até esticou o pescoço. O veterinário não deixou. Ainda bem, já pensou eu ter que “tirar satisfação” com um cara de 225 quilos?

Depois de novamente solto, o Guape e o Guaju ainda voltaram a nos cercar e até aceitaram algum carinho, o que é proibido.

Afinal, eles estão se preparando para viver na natureza e para ficar longe dos barcos de pesca e das pessoas.

Desculpe, eu não resisti e dei um abração neste maravilhoso animal.

Mas apesar do meu “pecado” fica aqui uma recomendação. Se vir um peixe boi nadando próximo a praia, tire fotos, chame as crianças, mas não toque nele, nem o chame para a margem.

Se ele se acostumar demais com o ser humano, com certeza vai ser vítima de algum pescador, ou pode até ser atropelado por um barco a motor ou jetski.

Mantenha distância e ligue para a Base do Projeto para comunicar a ocorrência. Não esqueça que só existem 400 destes animais e a sobrevivência da espécie esta em nossas mãos.

Maiores informações você pode ter através do fone 0800-281-2009 ou 9 (0xx82) 375-1200 e pelo e-mail peixeboialagoas@uol.com.br

  
  

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