Raso da Catarina – Parte 2

Outros sobreviventes do Raso da Catarina é o vaqueiro. Em nossa expedição por ali, tivemos a oportunidade de cruzar com vários deles andando pela estrada arenosa que leva ao centro do Raso. Vestidos em couro da cabeça aos pés, eles mais parecem ca

  
  

Outros sobreviventes do Raso da Catarina é o vaqueiro. Em nossa expedição por ali, tivemos a oportunidade de cruzar com vários deles andando pela estrada arenosa que leva ao centro do Raso.

Vestidos em couro da cabeça aos pés, eles mais parecem cavaleiros medievais, um Dom Quixote de La Mancha do que homens modernos. Perguntei a um deles se a roupa era confortável. Recebi como resposta um categórico NÃO. Esquenta, soa, cheira, mas ainda não inventaram nada melhor para evitar que os vaqueiros se machuquem nos espinhos da caatinga.

Além da roupa, o que mais me impressionou foi o peso que estes “cabras machos” levam nas suas andanças pelo sertão. Levam comida, arma, água, munição, apetrechos, creio eu uns 25 quilos de tralhas penduradas no ombro. E tudo isto debaixo de um sol de 40 graus.

Nestas condições, tanto o homem como o gado, tiveram que se adaptar e descobrir onde conseguir água até em tempos de seca.

Na caatinga há um tipo rústico de bromélia que guarda sempre água entre suas folhas. Dos ramos do Facheiro (um tipo de cacto), pode-se comer o miolo que tem uma carne úmida e insípida. Dos panelões só se bebe em último caso.

Foi aqui no Raso que Lampião se escondeu du
rante quase 10 anos. A dificuldade de sobrevivência e de locomoção serviu para o bando de cangaceiros como uma proteção natural contra seus perseguidores onde nem as mais preparada das volantes conseguia ficar por muito tempo.

Além disso, Lampião contava com o apoio dos índios Pankararés, que sempre estavam prontos a protegê-lo e informá-lo. Muitos dos calderões usados hoje pelos índios foram descobertos e utilizados pelo bando de Lampião há mais de 70 anos atrás.

Amanhã termino de falar sobre o raso e sobre nossa visita a este lugar ao mesmo tempo terrível e maravilhoso.

Paulo Afonso

  
  

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