Blogs > Família Goldschmidt > Expedição Giro pela América >Raso da Catarina e Pankararés – Parte 3Chegamos a aldeia dos Índios Pankararés no início da manhã, depois de quase 1 hora e meia viajando na caçamba de uma Toyota. A estrada que entra pelo Raso da Catarina a partir de Paulo Afonso é uma reta sem fim, uma estrada arenosa só percorrida po18 de Março de 2003. Publicado por Família Goldschmidt Chegamos a aldeia dos Índios Pankararés no início da manhã, depois de quase 1 hora e meia viajando na caçamba de uma Toyota. ![]() A estrada que entra pelo Raso da Catarina a partir de Paulo Afonso é uma reta sem fim, uma estrada arenosa só percorrida por veículos 4 x 4. Os galhos e espinhos que avançam por sobre o caminho requerem atenção redobrada de quem viaja na caçamba aberta. ![]() Na aldeia, um vale com uma dúzia de casas, fomos recebidos pelo filho do cacique que nos serviu de guia. Percorremos com ele um cânion seco, chamado de Baixo do Chico, um antigo leito de um afluente do São Francisco. ![]() Nas rochas que se erguem a quase 40 metros de altura, pode-se ainda notar as marcar feitas pelos diversos níveis da água e pela correnteza. ![]() Em alguns pontos, a erosão formou colunas de arenito que se assemelham a uma cidade com seus arranha-céus. Quando o vento passa por aqui, provoca assobios e ruídos, o que faz o índio acreditar que estas colunas de terra são morada dos espíritos. ![]() Nas paredes, os extratos também ficam bem expostos, dando a mim uma oportunidade excelente de ensinar as crianças sobre as camadas sedimentares da terra e o estudo da arqueologia. A Sandra e a Ingrid se divertiram recolhendo pedras coloridas que jaziam em alguns pontos do cânion. Como a erosão aqui foi grande, existe uma variedade enorme de pedras e minerais espalhados pelo chão. Desde o início da trilha, fomos seguidos discretamente por umas indiazinhas de mais ou menos 13 anos. Com o decorrer do tempo, ela e a Ingrid fizeram amizade e começaram a trocar informações. O nome dela é Josenilda, mas o apelido é Biluda (não tenho idéia porquê). Ela estava completamente à vontade neste ambiente inóspito e agreste. Enquanto nós, com botas e calças compridas nos esforçávamos para desviar dos espinhos e galhos, esta pequena nativa usando apenas uma saia surrada e com os pés descalços, andava despreocupada pela areia quente, sem incomodar-se com os cactos que passavam próximo as suas pernas. O que para nós era agressivo, para ela era natural. A cada poucos metros ela nos mostrava uma planta medicinal, uma pedra bonita, ou simplesmente subia calada em alguma pedra e ficava nos observando. Sua maior alegria foi ficar com as garrafas de água vazia, que ela vai usar depois para armazenar o precioso liquido. No final do passeio, nosso grupo deixou na aldeia roupas e alimentos. Fiquei impressionado com a capacidade de adaptação do homem e com a simplicidade da vida destes brasileiros. Aqui não há crise, dólar, guerra com o Iraque, Lula, nada, a vida segue como sempre seguiu, só que agora com um pouco mais de água. Para você aprender: Onde o índio Pankararé encontra água na caatinga? 1- Água armazenada nas folhas da bromélia; Para ir ao Raso, contate a Mangaio Turismo (75) 282-5246 / 9139-0428 / 281-6515 |
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