Taca, ruínas e batatas

Para viajar de Cusco a Lima temos duas opções: Uma viagem de 23 horas de carro ou uma viagem de 1 hora de avião. Adivinha por qual viagem optamos?

  
  

Para viajar de Cusco a Lima temos duas opções: Uma viagem de 23 horas de carro ou uma viagem de 1 hora de avião. Adivinha por qual viagem optamos? Ontem embarcamos em um dos vôos da TACA AIRLINES com destino a Lima. Foi um vôo tranqüilo e confortável e no final da manhã já estávamos na “Cidade dos Reis”.

Taca

Na sexta feria aproveitamos nosso último dia em Cusco para visitar duas ruínas pouco conhecidas:

Pikillacta e Tipon. As duas tem suas entradas incluídas no “Boleto Turístico”, um ingresso único para várias atrações na região de Cusco, mas por estarem fora do circuito turístico tradicional não são muito promocionadas.

Viajamos para a região sul de Cusco, seguindo a mesma estrada que nos trouxe de Puno.

Passamos por vários povoados, cada um deles com sua especialidade. O primeiro foi Saylla,especializado em Chincharon (uma fritura de carne de porco com vegetais). Depois veio Huasao, onde se concentram os adivinhos e videntes e em seguida Tipon, onde se serve o melhor Cuy dos Andes. O próxima cidade foi Oropesa, capital peruana do pão e finalmente Piñipampa, repleta de fábricas de telha.

Entre Oropesa e Piñipampa tomamos um desvio que nos levou a Pikillacta,

às ruínas de uma cidade pré-inca pertencente a civilização Wari.
Datada do século IXD.C., estas ruínas impressionam pelo tamanho e complexidade. Existiam ali mais de 10 mil casas e dezenas de ruas que cortam a cidade nas direções norte–sul e leste-oeste. As casas estão em bairros fechados por muros, cada bairro com uma única entrada. Muitas das casas tinham 2 ou 3 andares, o que nos impressionou por se tratar de uma construção tão antiga. Em alguns locais pode-se ver os piso e paredes originais que eram cobertos com barro queimado ou argila. Ainda há muito que ser explorado nestas ruínas, pois a maioria das casas estão enterradas por escombro. O que se vê nas fotos são apenas a parte superior das residências.

Depois voltamos à cidade de Tipon e seguimos por uma estrada de terra até o alto das montanhas.

Ali encontramos um conjunto de terraços agrícolas construídos durante o império Inca e preservados até hoje. É o único lugar onde se podem ver os canais hidráulicos Incas em pleno funcionamento. O nome Tipon vem do Quéchua “Tinpuy”, que quer dizer, ferver. Uma referência às nascentes de água que borbulham no alto da montanha. Das nascentes, a água é conduzida para fontes cerimoniais e para diversos canais que irrigam os 12 terraços de cultivo. É interessante notar como a 500 anos atrás, o povo Inca já dominava princípios da Física importantes para movimentar a água a grandes distancias sem auxilio de bombas. Gostei muito das duas ruínas, mas em Tipon nos sentimos como se tivéssemos voltado no tempo. Recomendo!

Não poderia deixar Cusco sem falar sobre um dos produtos mais autênticos do Peru e dos Andes, “a batata ”. Ela surgiu aqui, nas encostas dos Andes e desde então tem sido cultivada, aprimorada e consumida por boa parte da população do Peru. Devido ao seu grande poder nutritivo e fácil adaptação aos diferentes climas e temperaturas, alguns cientistas acreditam que a batata venha a ser a solução ideal para a fome no mundo. Muitos crêem que uma dieta composta de batata e leite seria suficiente para fornecer ao corpo humano todos os nutrientes necessários para sua sobrevivência. No Peru já foram identificadas perto de 4 mil variedades de Batatas, muitas delas selvagens. Os Incas tinham no milho e na batata a base de sua dieta. Não surpreende o fato de existirem mais de mil palavras em Quéchua para descrever variedades de batatas. A variedade Pumampamakin, por exemplo, tem este nome por lembrar a forma de um Puma. A variedade Waqcha Kuyac é conhecida como a batata dos pobres, pois cresce em todos terrenos e sob qualquer clima. Os espanhóis, quando chegaram ao Peru, não conheciam este tubérculo. Ela foi apresentada a eles pelo próprio Inca. Com ela os espanhóis mataram a fome e tiveram energia para saquear todo império. Tenho certeza de que o Imperador Inca se arrependeu desta descrição. Da Espanha a batata ganhou o mundo e hoje é um dos alimentos mais consumidos em todo o planeta. Os povos andinos desenvolveram várias técnicas para desidratar a batata e conservá-la por até cem anos. Uma delas consiste em deixar a batata no rio por 15 dias, depois amassá-la com os pés para tirar a umidade e então deixá-la ao relento, no frio da noite por mais um mês. No final do processo ela fica branca e seca, porém mantendo todos seus nutrientes. Desta maneira ela pode ser guardada e reidratada sem problemas em tempo de escassez de alimento.

Amanhã e segunda faremos as últimas gravações e reportagens em Lima e voltaremos ao Brasil na Terça. Mas até lá ainda tem muita aventura nesta expedição. Aguardem!

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Embarque com Marisol
Família com a tripulação
Terraços agícolas
Fonte Cerimonial
Pikillacta
Ruínas Pikillacta
Peter em Tipon
Trabalho árduo
Batatas peruanas
  
  

Publicado por em

Madruga

Madruga

21/03/2009 22:46:15
belas fotos principalmente a do trablho árdo.

Família Goldschmidt

Família Goldschmidt

Obrigado Abraços Peter