Um dia abençoado em Pastoruri

Hoje foi, sem dúvida, o dia mais emocionante da expedição até agora. Não só pelo destino que conhecemos, mas também por todas as experiências que vivemos. Estou em êxtase, nas nuvens, voando como um Condor sobre os picos nevados.

  
  

Hoje foi, sem dúvida, o dia mais emocionante da expedição até agora. Não só pelo destino que conhecemos, mas também por todas as experiências que vivemos. Estou em êxtase, nas nuvens, voando como um Condor sobre os picos nevados.

O dia começou com sol e logo cedo saímos para uma viagem de 80 kms até o Glaciar Pastoruri, nossa última parada na cordilheira Branca. Assim que saímos da rodovia principal e entramos no desvio de terra, um imenso e verde vale pontilhado de carneiros e vacas surgiu a nossa frente. Começamos então a subir até a entrada do Parque Nacional Huscaran (Setor Carpa) que fica a 4.200 metros de altura. No momento de pagar o ingresso, descobrimos que este era o último dia da temporada em que o parque ficaria aberto ao púbico e que ele só abriria novamente em Março de 2009. Foi por pouco!

Entramos então, em um outro vale cercado de altas montanhas. Pelas marcas deixadas nas paredes rochosas (chamados de morenas) não foi difícil perceber que todo o vale havia sido esculpido pelo gelo de glaciares em um passado remoto. Viemos para este parque justamente para registrar como os glaciares e as neves eternas estão sendo afetadas pelo aquecimento global. A ausência de glaciares em algumas regiões do vale já denunciavam que algo grave esta acontecendo.

Subimos pela estrada sinuosa até avistarmos o glaciar Huarapasca, com sua franja branca pendendo a 6 mil metros sobre o vale. Olhando a sua volta, logo notamos quanto ele recuou do seu tamanho original. Mesmo assim ainda é um espetáculo impressionante de se ver. A Sandra saiu do veiculo literalmente em lágrimas, emocionada com tanta beleza reunida em um só lugar. Eu fiquei tão desnorteado ao vê-la chorar que esqueci de gravar seu depoimento espontâneo, mas suas palavras irão ficar guardadas comigo para sempre.

Esta parte do Parque Nacional de Huascaran é bem diferente da outra que visitamos dias atrás em Yungay. Lá estávamos cercados de altas e imponentes montanhas, porém muito abaixo do nível da neve. Aqui, no setor Carpa a estrada segue na altura dos glaciares e muito mais perto do gelo. Desta maneira, podemos perceber toda a força da natureza contida nestes rios gelados. Para mim, a impressão causada por um glaciar é semelhante a de estar aos pés das Cataratas do Iguaçu, embora o glaciar expresse sua força em silêncio.

Seguimos cada vez mais para o alto até 4.800 onde tivemos que deixar nosso transporte. O tempo começou a esfriar, então compramos de uma vendedora local luvas e gorros.
O glaciar Pastoruri já era bem visível acima de nossas cabeças. Faltavam ainda quase 2 kms de trilha e 200 metros de altitude para chegar até sua base. Já aclimatados, não tivemos problemas com a altitude. O tempo começou a fechar e para economizar tempo (e energia) alugamos cavalos para fazer parte do percurso. Depois de um ponto os cavalos não puderam mais seguir e completamos os últimos 600 metros a pé. Nesta altitude, este pequeno trecho nos tomou um tempo considerável, tanto porque tínhamos que caminhar lentamente para não sofrer as conseqüências do Mal da Altura (Soroche), tanto porque gravamos em detalhes toda nossa escalada.

No meio da caminhada começaram a cair pequenos flocos de gelo, o que foi uma surpresa a todos. Ninguém esperava por isto. Conforme avançamos os flocos começaram a aumentar e o vento soprar mais forte. Quando chegamos a base do glaciar a temperatura havia caído para 5 graus negativos e a neve caia em abundância. Vocês acham que alguém reclamou? Que nada, adoramos! Não contávamos com uma nevasca nesta viagem e nem com tanto frio. Apesar disto, estávamos bem preparados com nossas jaquetas da Timberland que provaram ser bem eficientes até em temperaturas negativas. Ninguém passou frio.

Debaixo da nevasca fizemos todas as gravações e fotos que precisávamos. Também verificamos o retrocesso deste glaciar que serve de referência para todos os glaciares do parque. Para você ter uma idéia, o glaciar Pastoruri tem perdido massa de gelo na razão de 10 metros por ano. Segundo os cientistas, esta média deve aumentar na próxima década chegando a marca de 20 metros por ano. Parece pouco, mas representa uma quantidade enorme de gelo. Neste passo o glaciar logo desaparecerá e com ele grande parte dos glaciares da Cordilheira Branca. Pudemos hoje ver “in loco” os efeitos das nossas atitudes em relação ao meio ambiente. Temos que reverter este quadro. Quero que meu neto um dia venha ao Peru e veja as mesmas belezas que estou presenciando hoje.

A nevasca só terminou quando já estávamos próximos ao nosso veículo e foi neste momento que sentimos o efeito do esforço e do frio. Todos, ao mesmo tempo sentimos uma forte dor de cabeça que só passou quando descemos para a altitude de 3.500 metros. Apesar do frio e da chuva, que nos acompanhou no caminho de volta, ainda tivemos ânimo para fazer mais duas paradas (tudo isto antes do almoço que só saiu às 16 hrs).

A primeira foi pra conhecer um tipo de bromélia gigantesca e que só cresce acima dos 3 mil metros. Trata-se da Puya Raimondi; uma planta em perigo de extinção. Sua vida pode ser de 40 a 100 anos e durante este tempo, crescer desde um arbusto espinhento até 6 metros de altura. Quando completa sua maturidade, este, o caule floresce uma única vez produzindo algo entre 6 mil a 10 mil flores. Depois de pouco tempo estas flores morrem e deixam cair milhares de semente para garantir a continuação da espécie. Depois da florada a planta seca e morre, deixando somente um pequeno toco como lembrança da sua existência. Fantástico!

A última parada do dia foi numa nascente de água. O curioso é que a água já sai do solo gaseificada. Naturalmente! É só chegar e tomar.

Em resumo, adoramos o dia, os glaciares, o vale, a neve, as bromélias, a chuva, o vento, o parque e o Peru. Recomendo a todos conhecer Huaraz, vale a pena!
Amanhã retornaremos a Lima em uma viagem de 8 horas. Passaremos o Reveillon ali (espero ver os fogos de artifícios) e no dia primeiro do ano seguiremos para Ica, um oásis em pleno deserto. Não é a toa que o Peru é chamado de País dos contrastes.

Feliz Ano Novo a todos!

Peter Goldschmidt - www.familiagold.com.br

Membro da Brazilian Adventure Society - BAS

A Família Goldschmidt tem o apoio das seguintes empresas:

GOLDTRIP - www.goldtrip.com.br
TIMBERLAND – www.timberland.com.br
TACA AIRLINES - www.taca.com
PIGMENTUM - Comunicação Visual - www.pigmentum.com.br
MTK - Artigos para aventura – www.mtkacess.com.br
BEEPHOTO – Tudo para fotográfica – www.beephoto.com.br
TRAVEL ACE Seguro – www.travelace.com.br
RENAULT – www.renault.com.br

À caminho do Pastoruri
Vale glaciar
Família no glaciar
Glaciar Pastoruri
Peter Goldschmidt
Puya Raimondi
Fonte de água com gás
Família unida e feliz
  
  

Publicado por em

Judith Estevao G. de almeida

Judith Estevao G. de almeida

26/01/2010 08:36:28
Encantador, maravilhoso! Um lindo lugar para visitar a damirar, a natureza e muito bela, devemos coloborar de todas as formas para conservar esse Planeta lindo! A Terra!

Pedro chiavegato

Pedro chiavegato

31/01/2009 16:15:47
belissimas fotos do Peru. Parabéns pelo seu site, pelas viagens e por nos proporcionar acesso a lugares desconhecidos. Fui ao Peru em julho do ano passado e fiquei fascinado. Fomos a Lima, Cusco, Vale Sagrado até Macchu Picchu. Depois voltamos a Cusco e fomos para Puno e Lago Titicaca. Depois Copacabana e La Paz. Uma viagem inesquecivel de 15 dias.
Gostaria de manter contato com voces para conhecer seus projetos e para planejar futuras viagens.
Grande abraço do
Pedro Chiavegato
Moramos em Taubaté, SP. Creio que perto de voces.
chiavegato@yahoo.com.br

Família Goldschmidt

Família Goldschmidt

Olá Pedro, já estão no nosso mailing em breve receberá noticias