Viagem ao Xingú – Parte II

Saímos ontem a noite de Belém, logo que a maré começou a subir. Viajamos a noite toda e quando despertamos já estávamos navegando pelo rio Pará. Nesta noite, fomos dormir bem tarde, perto das 3 horas da manhã, pois demorou muito para me acostumar c

  
  

Saímos ontem a noite de Belém, logo que a maré começou a subir. Viajamos a noite toda e quando despertamos já estávamos navegando pelo rio Pará.

Nesta noite, fomos dormir bem tarde, perto das 3 horas da manhã, pois demorou muito para me acostumar com o barulho dos motores e o balanço da balsa.

Ela costuma balançar muito, mais ficou meio instável quando atravessou a Baia do Marajó, onde as ondas do mar e da maré são mais altas.

Tomamos o café na varanda do deck intermediário com uma vista fabulosa do rio e passamos o dia com várias atividades.

É maravilhoso ver a floresta passando por nós e ter tempo para admirar todos os seus detalhes.

Quase toda a viagem é feita pelos “furos”, pequenos canais que cortam caminho entre os rios e as ilhas.

São milhares de atalhos, alguns deles com apenas 15 metros de largura. A floresta fica bem próxima e dá para admirar bem a vegetação e as aves.

As árvores são impressionantes com quase 40 metros de altura. Eu porém, vi poucos pássaros, bem menos do que esperava.

Outra coisa que me impressionou foi a quantidade de famílias que moram espalhadas nas margens dos rios.

É difícil passar por algum furo onde não tenha alguma cabana com canoa, varal e crianças. De vez em quando se vê também uma igreja evangélica e algumas poucas madeireiras.

As casas são sempre suspensas em palafitas para ficar a salvo de bichos e das cheias do rio.

Por volta das 3 da tarde, entramos nos “Estreitos de Breves”, uma série de pequenos canais que ligam o rio Pará ao Amazonas.

Esta foi a parte mais perigosa da viagem, pois a proximidade das margens permite que várias pessoas cheguem até a balsa que navega a pouca velocidade (de 9 a 17 km/h).

Existem muitos casos de ataque de piratas e também de ladrões que fazem verdadeiros arrastões nos barcos.

Nossas visitas foram bem mais corteses. Vou contar: cada vez que os meninos ribeirinhos vêem uma embarcação maior, eles pegam suas canoas e chegam perto para ver se ganham alguma coisa.

Normalmente os viajantes jogam comida ou roupas para a população ribeirinha. Nós embrulhamos em sacos plásticos alguns kits que a Colgate nos enviou.

Continham escova dental, pasta e um livreto para aprender e brincar. Embrulhamos também bíblias e folhetos.

Ficamos assustados com o número de crianças que apareceram. Em cada curva do rio apareciam mais 5, 6 até 10 canoas. Foi um trecho bem animado, meus presentes até acabaram!

Fiquei admirado com a habilidade destes pequenos paraenses. Algumas crianças tinham apenas 5 ou 6 anos de idade e enfrentavam as ondas provocadas pela balsa com destreza e coragem.

Fiquei imaginando o Erick e a Ingrid na mesma situação. Algumas canoas enfrentavam as ondas de frente e chegavam a abordar a balsa.

Uns usavam ganchos de ferro para laçar a balsa, enquanto outros pulavam na borda do barco e com rapidez amarravam suas canoas às balsas.

Tinha de tudo: gente pedindo coisas, pescadores oferecendo camarão, meninos tentando vender palmitos de Açaí, moças vestidas sugestivamente oferecendo seus serviços em troca de 20 litros de óleo diesel ou ribeirinhos simplesmente pedindo carona até a próxima vila.

Este sobe e desce de pessoas ajudou a passar o tempo e sem que percebêssemos, a noite caiu.

Já estávamos entrando no Amazonas e quase chegando à metade da viagem.

Quer saber como foi a outra metade? Veja nosso diário de bordo de amanhã. Até lá!

  
  

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