Pelo meio do Paraná III

Em mais uma de nossas andanças pelo Paraná, o Ronny, o Matheus (nosso filho de 9 anos) e eu, a convite da Diretoria de Turismo e Cultura de Jaguariaíva, fomos visitar o Parque Estadual do Cerrado.

  
  

Apresentação

Parque Estadual do Cerrado

Parque Estadual do Cerrado
Foto: Família Muller

Em mais uma de nossas andanças pelo Paraná, o Ronny, o Matheus (nosso filho de 9 anos) e eu, a convite da Diretoria de Turismo e Cultura de Jaguariaíva, fomos visitar o Parque Estadual do Cerrado.

Até então, não tínhamos conhecimento da existência do cerrado em terras paraenses.O Parque Estadual foi criado com o objetivo de preservar um dos últimos remanescentes deste bioma, que está entre os mais importantes e ameaçados do mundo.

Parque Estadual do Guartelá

Parque Estadual do Guartelá
Foto: Família Muller

Dada a proximidade, aproveitamos também para conhecer o Canyon do Guartelá, encravado na escarpa que separa o primeiro do segundo planalto paranaense situado entre os rios Iapó e Tibagi nos Campos Gerais.

A estrada, que já conhecíamos, apresenta um lindo visual que vai aos poucos se revelando aos olhos dos turistas.

Começamos nossa visita pelo Parque Estadual do Cerrado...

Parque Estadual do Cerrado

Cerrado na estrada de acesso

Cerrado na estrada de acesso
Foto: Família Muller

O Parque situa-se no bairro Pesqueiro, a 12 km de Jaguariaíva, saindo da cidade pela Sub-Estação da Copel. Fica aberto à visitação nos sábados, domingos e feriados das 8:00 às 18:00 hs.. O acesso da estrada municipal até o estacionamento tem mais ou menos 2 km.

Centro de Visitantes

Centro de Visitantes
Foto: Família Muller

Chegando ao Parque conhecemos o Centro de Visitantes, que conta com um pequeno museu de espécies da fauna existente no parque. O local ainda está em processo de reabertura, (o parque foi fechado por motivos políticos), agora reestruturado pela Prefeitura de Jaguariaíva.

Pequeno Museu do Centro de Visitantes

Pequeno Museu do Centro de Visitantes
Foto: Família Muller

Foi criado para presevar um dos últimos remanescentes de cerrado ainda existente no Paraná, pois é um dos ecossistemas mais ricos do Brasil, tendo uma enorme importância científica por ser uma formação vegetacional encontrada apenas em nosso país e, infelizmente está entre os mais ameaçados do mundo.

Fomos convidados a fazer uma das trilhas interpretativas que dão boas amostras deste incrível bioma.

Árvore do Cerrado

Árvore do Cerrado
Foto: Família Muller

Começamos a trilha num cenário de árvores pequenas e retorcidas,em ambiente aparentemente árido e sem vida pois, como a maioria das regiões dos Campos Gerais apresenta muita areia misturada à vegetação. Mas na verdade, estamos diante de uma vegetação que apresenta uma imensa riqueza biológica e uma fauna rica, fatores que garantem ser o cerrado o ecossistema de maior biodiversidade do mundo. Neste ambiente associado ao cerrado, encontramos formações de campos, arenito e florestas.

Biodiversidade no Parque

Biodiversidade no Parque
Foto: Família Muller

O caminho é bem limpo e sinalizado, com uma extensão total de mais ou menos 5 quilômetros entre ida e volta. Conforme avançávamos, viemos a saber pelo guia que as folhas das árvores típicas do cerrado são duras e grossas, quase como um couro, para que na estação da seca possam, ao caírem, reterem água protegendo suas raízes.

Trilha limpa e sinalizada

Trilha limpa e sinalizada
Foto: Família Muller

A trilha termina na ponta de um morro, sendo possível avistar parte do cânyon onde corre o rio Jaguariaíva.

Final da trilha e parte do Cânion

Final da trilha e parte do Cânion
Foto: Família Muller

Na volta, uma surpresa: na trilha arenosa surge uma pegada “fresquinha” de Suçuarana, uma espécie de onça que habita o cerrado. O Matheus ficou super interessado e “bombardeou” o guia de perguntas a respeito da Suçuarana e sobre outros animais que habitam aquela região como: jacu, siriema, quero-quero, anu-branco, carracho, tamanduá-bandeira, tamanduá-mirim, veado, lobo-guará, capivara, gato-do-mato e onça-pintada entre outras. Ele garantiu ao Matheus que aquela pegada era mesmo de Suçuarana e que com certeza ela estaria bem próxima, tendo passado por ali, apenas algumas horas antes de nós.

Rio Jaguariaíva

Rio Jaguariaíva
Foto: Família Muller

De olhos bem atentos e em silêncio, continuamos a trilha na esperança de encontrar algum animal (para o Matheus, de preferência a tal Suçuarana) mas, chegamos ao fim sem nenhuma outra novidade.

Pegada da Suçuarana

Pegada da Suçuarana
Foto: Família Muller

Visitamos ainda a cachoeira formada pelo Ribeirão Santo Antonio, que também atravessa o Parque, encontrando-se ali com o Rio Jaguariaíva.

O mais importante, além de conhecer “ao vivo” o cerrado, é saber o quanto nossa participação e apoio são fundamentais para conservação da biodiversidade vegetal e animal deste bioma.

Saindo do Parque fomos conhecer um pouco da cidade ...

Jaguariaíva

Casa da Cultura

Casa da Cultura
Foto: Família Muller

A cidade nasceu ao longo do histórico Caminho de Viamão, tendo servido de pouso para tropeiros que nas longas travessias do sertão, pernoitavam e descansavam a beira do `Rio Tyaguariahiba`, conhecido hoje como Jaguariaíva que significa `Rio da onça brava` ou `Rio do cão bravo` (Jaguar = cão ou onça; i = rio; aiba = ruim, bravo).

Praça Getúlio Vargas

Praça Getúlio Vargas
Foto: Família Muller

O antigo prédio da prefeitura, tombado pelo Patrimônio Histórico do Paraná hoje Casa da Cultura, está localizado na parte alta da cidade. Lá se realizam os principais eventos culturais de Jaguariaíva. Possui salas de exposições e a biblioteca Municipal Mary Camargo.

Rua principal da parte alta da cidade

Rua principal da parte alta da cidade
Foto: Família Muller

Outro ponto turístico é a Praça Getúlio Vargas, localizada em frente a antiga estação ferroviária. Foi muito gostoso sentar num dos bancos e apreciar os jardins cuidadosamente desenhados.

Rua principal da parte alta da cidade

Rua principal da parte alta da cidade
Foto: Família Muller

É difícil resistir a um passeio a pé pela rua principal da parte alta da cidade. De paralelepípedo e arborizada, nos levam a viajar pelo passado com seus postes de luz e casas antigas que formam sua fachada.

Como ainda iríamos continuar a viagem, voltamos ao “presente” e pegamos a estrada em direção ao Parque Estadual do Guartelá...

Parque Estadual do Guartelá

Início da trilha para o mirante do Cânion do Guartelá

Início da trilha para o mirante do Cânion do Guartelá
Foto: Família Muller

O Parque Estadual foi criado com o objetivo de preservar o Cânion do Rio Iapó. Como sua maior parte está localizada no bairro Guartelá em Tibagi, acabou recebendo o nome de Cânion Guartelá.

Este nome, veio de uma situação onde um fazendeiro resolveu avisar o vizinho, mandando um recado para outro através de um escravo. `Guarda-te lá que aqui bem fico`, o recado chegou como Guartelá aqui Benfica, dando origem ao Guartelá e a Fazenda Benfica, localizada à margem esquerda do rio Tibagi.

O Parque é bem estruturado contando com um bom Centro de Visitantes e monitores espalhados por toda a trilha que leva ao mirante, no entanto não tem lanchonete, neste caso, é bom não esquecer de levar na mochila água e lanche. Também conta com uma camionete que leva pessoas idosas e crianças por boa parte da trilha, o que facilita muito a visita em família.

Antes de sairmos para conhecer o parque o Matheus (nosso filho de 9 anos), quis saber o que era um cânion. No Centro de Visitantes, explicaram-nos que: um cânion forma-se basicamente porque ações geológicas do planeta como a erosão vertical, é superior à horizontal formando uma espécie de vale profundo, escavado por rios e cercados por paredes verticais. Nosso filho olhava o guia com “um ponto de interrogação” no rosto, mas logo dissemos que quando chegássemos lá, ele poderia entender melhor o que lhe estava sendo explicado.

Parada na trilha em busca de uma armadeira

Parada na trilha em busca de uma armadeira
Foto: Família Muller

Começamos nossa caminhada bem cedo, ainda com o friozinho da manhã, o que foi ótimo pois caminhar nesta temperatura, é sempre agradável.

A região é formada por um ecossistema extremamente rico. A vegetação é de campos secos e matas de galerias, onde se encontram samambaias e xaxins típicos da Mata Atlântica, cactos só encontrados na caatinga, imbuia e cambuí, que formam a vegetação de banhados. Há ainda uma grande quantidade de araucárias, copaíbas, ipês-amarelos, erva-mate, bromélias, orquídeas, palmeiras, barbas-de-bode, entre outras tantas espécies.

Na fauna há tamanduás-mirins, bugios, tatus, capivaras, lobos-guarás e aves como pica-paus-do-campo, curucaca, falcão, codornas, perdizes e jacus, além de abrigar uma das aranhas mais perigosas do mundo, a `Armadeira`.

Trilha demarcada pelo tablado de madeira

Trilha demarcada pelo tablado de madeira
Foto: Família Muller

Parte do caminho foi “capeado” com um tablado de madeira, demarcando a trilha, preservando as vegetações rupestres, as formações areníticas e os campos nativos.

Formações areníticas e campos nativos

Formações areníticas e campos nativos
Foto: Família Muller

Ao final, chegamos num imenso mirante de madeira de onde se avista parte do Cânion Guartelá,que com seus quase 40 Km de extensão, abertura máxima de um quilômetro e as escarpas tem entre 100 e 130 metros de abertura, é considerado o 6º maior do mundo em extensão.

Mirante

Mirante
Foto: Família Muller

Sua formação geológica remonta à Era Paleozóica há mais de 400 milhões de anos, quando surgiram os primeiros vertebrados terrestres e a vegetação nos continentes, fazendo do Parque um rico patrimônio arqueológico.

Seguindo além, chegamos na impressionante Cachoeira da Ponte de Pedra com cerca de 200 metros de altura, cortada bem no meio da queda por uma ponte natural esculpida pela natureza.

Cânion do Guartelá

Cânion do Guartelá
Foto: Família Muller

Por motivo de preservação e segurança, hoje não é mais possível andar sobre a Ponte de Pedra, pois sua formação arenítica, corre risco de desabamento.

Antes de continuarmos a visita e deixar aquela paisagem, paramos para a “última olhada”.

Cânion do Guartelá

Cânion do Guartelá
Foto: Família Muller

Na volta, paramos na parte superior do rio que atravessa o Parque, onde no meio das corredeiras formaram-se duas aberturas causadas por simples “pedrinhas”, que com movimentos circulares e o passar de longos anos, foram cavando um buraco no solo transformando-se nos Panelões do Sumidouro, mais uma maravilha natural do Guartelá.

Ponte de Pedra

Ponte de Pedra
Foto: Família Muller

Entrar nos tais “Panelões” para curtir a hidromassagem que proporcionam, foi irresistível. São verdadeiros “spas” da natureza. Lanchamos naquele panorama singular, formado pelo rio com sua água límpida e suas corredeiras suaves.

Ponte de Pedra e Cânion do Guartelá

Ponte de Pedra e Cânion do Guartelá
Foto: Família Muller

Ao chegarmos no Centro de Visitantes, aproveitamos para assistir o filme institucional sobre a formação do Cânion e do Parque, o que foi muito instrutivo.

Desvendar os mistérios e segredos do Guartelá, com suas belas paisagens e o maior Cânion do Brasil, foi para nós uma experiência muito gostosa.

O parque funciona de quarta a domingo e feriados nacionais das 8:00 as 18:00 horas. O acesso é gratuito. O parque tem visitação limitada, para grupos acima de 15 pessoas é necessário agendar sua visita pelos fones: 0800-643-1388 ou (42)3275-2047/2437.

Passando pelo Paraná, não deixe de conferir!

A Lenda do Rio Iapó

Cânion do Guartelá

Cânion do Guartelá
Foto: Família Muller

“Há muitos anos atrás, habitavam nesta região duas tribos inimigas, em uma delas vivia Potiraré, uma bela virgem, com os cabelos negros como o breu, de olhos brilhantes como os cristais e de pele macia como as nuvens, que havia sido prometida por seu pai, o cacique Iapó ao Deus Tupã, em troca de muita caça e pesca.

Na outra tribo, vivia Itamuru, um jovem guerreiro, rápido como um raio e forte como um trovão, destinado a ser o grande líder de sua tribo, guiado pelo espírito da floresta, que se apresenta sempre que se bate uma foto de algum lago com árvores à margem.

Um dia, Potiraré, banhando-se nas águas de uma bela fonte, foi surpreendida pelo jovem guerreiro Itamuru que num primeiro momento tentou assassina-la, sabendo que se tratava de uma inimiga.

Porém, ao apontar sua flecha entre os olhos da inimiga, sentiu-se fragilizado diante de tanta beleza e, naquela fonte, surgiu um grande amor.

Seu pai, o cacique Iapó, prevendo o relacionamento proibido de sua filha, que irritaria o Deus Tupã, trancou-a na gruta da pedra ume e disse: Guarda-te-lá, que lá ele bem fica.

Inconformado com a triste separação, o jovem Itamuru reuniu seus melhores guerreiros e partiu para a batalha, a fim de libertar sua amada.

O Deus Tupã, sabendo do ataque, lançou um forte raio para impedir o avanço dos guerreiros, abrindo a terra ao meio e fazendo com que violentas águas não permitissem a passagem dos índios.

Somente o guerreiro Itamuru conseguiu vencer os abismos e as corredeiras, fugindo com sua amada.

A revolta do Deus Tupã foi tão grande que o mesmo lançou outro raio, o qual petrificou o jovem Itamuru.

Potiraré, ao ver seu amado estendido e petrificado, chorou por muitas luas, até que suas lágrimas formassem uma enorme cachoeira, que de tão intensa, atravessou o corpo petrificado de seu amado, o qual permanece até hoje, como se estivesse a acalmar a força das lágrimas da amada, permanecendo em um eterno afago entre a água e a pedra.

E o cacique Iapó, com remorso por ter impedido tão intensa paixão, atirou-se às corredeiras do rio que lá passava, desaparecendo para sempre, ficando apenas seu nome para identificar o rio...Rio Iapó.”

Dicas dos Autores

Autores

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Foto: Divulgação

- As cidades de Tibagi e Castro servem como base para conhecer o Parque, pois ele fica entre as duas. Na nossa matéria sobre Castro, Ponta Grossa e Tibagí, falamos de ambas, assim você poderá decidir onde ficar.

- No Parque também existe uma trilha que leva à visitação nas Pinturas Rupestres, mas é necessário agendar com um guia local.

- Este roteiro pode ser feito durante o ano todo. No verão, as chuvas freqüentes dificultam as caminhadas, mas é o período ideal para os banhos nas cachoeiras e piscinas naturais. No inverno as trilhas ficam em melhor estado, já que chove menos, porém o clima é frio e a água é muito gelada.

- Na mochila: repelente, boné, kit de primeiros socorros, um bom lanche, uma toalha e vá com trajes de banho por baixo.

- Para esta viagem recomendamos no mínimo três dias.

  • Consulte sempre um site de previsão do tempo antes de programar sua viagem.

Serviços

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Parque Estadual do Guartelá
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