... E a trilha continua....

No quinto dia da viagem (18), teria pela frente os quase 14 km do Lyell Canyon para percorrer, antes de começar a ascensão em direção ao Donohue Pass. Considerando que a maior parte desse trecho é praticamente plana, saí num ritmo forte e constante, embal

  
  

No quinto dia da viagem (18), teria pela frente os quase 14 km do Lyell Canyon para percorrer, antes de começar a ascensão em direção ao Donohue Pass. Considerando que a maior parte desse trecho é praticamente plana, saí num ritmo forte e constante, embalado por um reforçado café da manhã. Esse canyon é belíssimo, com as encostas e o fundo do vale totalmente cobertos por pinheiros – e famoso pela grande quantidade de ursos. Enquanto “voava” pela trilha, comendo os quilômetros, ia cruzando por várias pessoas que voltavam de um final de semana no mato. Num determinado momento, parei para conversar com um homem que estava sentado na beira da trilha, enquanto seu companheiro de trilha filtrava água lá no rio. Com poucos minutos de conversa, ele me pergunta de onde eu vinha e se espantou ao saber que era do Brasil. Pois ali aparece gente de tudo que é canto, mas brasileiro...!? Quando o outro se aproximou, aquele com quem eu conversava se utilizou de uma música para indicar a minha origem ao seu colega: Garota de Ipanema! Sinceramente, eu nunca poderia imaginar que aquele americano, com cara de matuto do Meio-Oeste, sabia sequer da existência dessa música. Pelo jeito, parece que todos os habitantes da Terra conhecem essa canção. Gratificado por esse papo descontraído de beira-de-estrada, continuo a caminhada.

Km zero

Km zero
Foto: Paulo Miranda

Em torno do meio-dia, depois de cruzar por um grupo que estava voltando por terem perdido sua comida, pendurada em uma árvore, para um urso, chego à ponte que cruza o Lyell Creek. Após um breve descanso, com a barriga cheia e água filtrada, era hora de percorrer os quase 8 km que me separavam do Donohue Pass – meu primeiro e verdadeiro passo. Oficialmente, eu já tinha passado pelo Cathedral Pass, um pouco antes do lago homônimo. Só que, até agora, estou procurando por ele. Não tinha sequer uma placa de tão insignificante que era, ao contrário do belo lago e da imponente montanha que levam o mesmo nome. Mas o Donohue, não. Para início de conversa, ele marca o limite entre o Parque Nacional de Yosemite e o Ansel Adams Wilderness...o que não é pouca coisa. Além disso, ele é indicado como um dos principais passos da Sierra. Portanto, a sua travessia é natural e simbolicamente significativa. E com essa expectativa na mente e no coração, lá fui eu subindo por entre um amontoado caótico de rochas de todos os tamanhos e formas, deixadas por todos os lados quando o gelo sumiu com o fim da era glacial, há 15 mil anos atrás. À medida que se ganha altitude, a rocha se torna onipresente. E é com ela que a trilha é feita e/ou marcada, com pavimentos de pedras soltas (perfeitas para uma torção de tornozelo) emolduradas por pedras maiores na função de meio-fio. Bela obra de engenharia, que nos faz imaginar o esforço necessário e o suor exigido na sua construção.

Cathedral Lake

Cathedral Lake
Foto: Paulo Miranda

Enquanto subia, ia observando o trabalho realizado pelas geleiras: lajes de rocha polidas pela fricção com o gelo; vales na forma de U; rochas, muitas rochas...É incrível imaginar-se caminhando num ambiente que esteve ocupado por grandes massas de neve e gelo até a pouco tempo atrás – tempo geológico, é claro. Até que a trilha parou de subir e me deparei com a placa indicando que eu tinha chegado ao Donohue Pass (3.370 m). Numa trilha como a JMT, um Passo toma o lugar do cume de uma montanha, no sentido de que era esse o lugar onde eu mais queria estar. Mais do que completar toda a trilha, é a travessia de um Passo que acaba justificando toda a caminhada. Parece uma razão sem sentido, como atingir o cume de uma montanha? Pois...

Cathedral Peak

Cathedral Peak
Foto: Paulo Miranda

The answer, my friends, is blowing o’er the pass!

Banner Peak

Banner Peak
Foto: Paulo Miranda

Batidas as obrigatórias fotos e recuperado a respiração, é hora de descer o outro lado. Essa é a regra: desce-se tudo o que subiu, numa espécie de jogo de opostos. E lá fui eu pela encosta sul do Donohue Pass, penetrando numa região extremamente bela, cuja paisagem tanto impressionou o grande mestre da fotografia, Ansel Adams. Não é por menos que essa área de conservação – Wilderness – leva o seu nome. Como já era tarde, parei ainda no vale que desce do Passo para jantar e depois continuar mais um pouco para armar a barraca. Enquanto procurava um lugar para acampar, esperava encontrar a Chris e o Ian (o casal britânico) que eu sabia que estavam logo a minha frente. Mas o cansaço não falava mais alto...berrava! O que não era para menos: fazendo as contas da distância percorrida, constatei que tinha percorrido 29,3 km naquele dia! Sem disposição de andar nem um zig-zag a mais, armei a barraca às margens do Rush Creek, junto à bifurcação com a trilha que leva ao conjunto de lagos conhecido como Marie Lakes. E embalado pelo sonífero barulho da água correndo por entre os seixos do rio, só lembro até o momento que coloquei a cabeça no travesseiro improvisado com um casaco. Quando dei por mim, já era a manhã do dia 19: hora de levantar, tomar café, desmontar acampamento e partir...para, meia-dúzia de 10 ou 15 zig-zags à frente, encontrar o casal britânico acampado numa espécie de platô com uma vista absurdamente maravilhosa: o vale onde estávamos se abria para, bem lá embaixo, abrigar as águas do enorme Waugh Lake cercadas por montanhas cobertas de pinheiros, tudo ainda banhado pela luz amarela de um provável belíssimo nascer do sol. O arrependimento por não ter continuado um pouco mais a caminhada no dia anterior só foi amenizado pelo convite para um quente, delicioso e britânico chá, acompanhado por um alegre bate-papo. Uma bela manhã para anteceder um dia repleto de belas paisagens.

Purple Lake

Purple Lake
Foto: Paulo Miranda

O que me esperava pela frente era uma seqüência de lagos alpinos emolduradas pelas montanhas, algumas ainda com um pouco de neve em suas encostas, formando cenários tão espetaculares, que era impossível não parar para fotografá-los. Tanto é que nesse 6º dia, apesar do trecho caminhado ser relativamente plano, percorri só 18 km. É um trecho que vale por si só; que merece uma caminhada de uma semana por entre seus lagos. Depois de despedir do Ian e da Chris, a trilha me levou até o alto (?) do Island Pass, que estava mais para uma pequena colina do que para um Passo (assim como o Cathedral Pass), de onde pude admirar o tão esperado conjunto formado pelo Banner Peak e Monte Ritter. Primeira parada para fotografias. Só que, alguns quilômetros depois, eu vejo as mesmas montanhas, agora com o Thousand Island Lake em primeiro plano: mais alguns clicks. Continuando a trilha que me levaria à travessia do canal de saída desse lago com tantas ilhotas, me deparo com uma cena formada pela trilha descendo a encosta com o lago ao fundo, assim como outra cena do lago com as mesmas montanhas...click, click e mais click...Quando vi, já tinha gasto um filme inteiro de 36 poses, incluindo as fotos extras com variações do diafragma/obturador para se garantir a foto perfeita (bracketing). Depois, vieram o Emerald Lake, onde parei para lanchar e filtrar água, depois o Ruby Lake e em seguida o Garnet Lake, onde tive uma bela e simbólica surpresa, pelo menos para mim. A trilha, depois de descer uma colina e contornar a margem norte desse lago, cruza o seu canal de saída através de uma rústica ponte de troncos de árvore construída em outubro de 1963, isto é, exatamente quando eu chegava a esse mundo, há quase 39 anos atrás. É lógico que ela foi devidamente fotografada. Depois do Garnet Lake, a trilha sobe a íngreme encosta sul deste lago para, em seguida, descer mais de 300 metros de altura até o Shadow Creek. Seguindo esse rio, cujas águas descem violentamente através de várias quedas d’água, alcancei as margens do lago homônimo, só para começar a subir uma outra encosta através de uma seqüência interminável de zig-zags...é claro! Mas nesse momento o dia estava chegando ao fim. Passando pelo Rosalie Lake, encontro com um thru-hiker chamado Alex (que voltaria a encontrá-lo alguns dias depois no VVR) e, depois de um rápido e descontraído bate-papo, continuo até o Gladys Lake, onde passaria a noite.

Um dia que começou com um gostoso bate-papo regado a chá, não poderia acabar com um simples e solitário jantar. Quando cheguei ao Gladys lake, encontrei uma Guarda-Parque chamada Rosalie, que inspecionava o impacto ambiental causado pelos acampamentos em torno no lago. Alguns minutos de conversa foram suficiente para convidá-la para jantar, o que ela, educadamente, recusou. Assim mesmo, reforcei o convite apresentando o cardápio: lentilha com arroz integral. Deixando o convite no ar e os olhos dela brilhando de surpresa e interesse, fui para um local por ela recomendado: uma pequena elevação na margem norte do lago, que possibilitava uma vista espetacular de um profundo vale no lado oposto ao do lago, indicando que o Gladys Lake estava suspenso numa espécie de plataforma. Largando as coisas por lá, fui para a margem preparar a comida. E enquanto esta cozinhava, a Guarda-Parque, acompanhada de seu cachorro, foi se aproximando, vindo da margem oposta. Não conseguiu resistir à lentilha e ao arroz! E assim, enquanto o fim da tarde ia se transformando em anoitecer, tivemos um agradável jantar às margens daquele lago de águas tranqüilas, temperado com conversas sobre meio-ambiente, construção e manutenção de trilhas, viagens passadas e planos para o futuro, Brasil e sobre ursos. Foi quando fiquei sabendo de uma coisa estarrecedora. Com o aumento de visitantes nas áreas ocupadas pelos ursos, esses animais acabaram se acostumando, não só pela presença de humanos mas, principalmente, com a comida levada por eles. Os antigos métodos, como pendurar a comida num tronco de árvore, logo se tornaram ineficazes face à inteligência e à habilidade desses animais, que diante de tanta facilidade em obter a comida dos humanos, acabaram se tornando agressivos, preferindo invadir um acampamento de assustados campistas a ficar perambulando pra baixo e pra cima atrás de frutos, insetos e peixes. Assim, depois que um urso específico rouba comida pela terceira vez (ele recebe uma etiqueta na orelha se capturado depois de cada botim), ele é assassinado por tornar-se uma ameaça. Existe uma previsão de que, se as coisas continuarem no ritmo em que estão, não haverá um só urso na região daqui a 15 anos. Daí a exigência cada vez maior do uso do bear-can, que protege não só o nosso passeio, como também, e principalmente, a vida desse fantástico animal.

No dia seguinte, enquanto tomava meu café da manhã, fui brindado por um belo nascer do sol sobre o vale aos pés da colina onde estava. E começava aquele que pode ser considerado o único dia “meio chato” de toda a caminhada. Para começar, não quis pegar água do Gladys Lake, esperando fazê-lo em um ou outro mais à frente. Só que os lagos seguintes se revelaram, na realidade, poços com uma água escura e lamacenta. E depois do último, a trilha começou a descer por uma encosta extremamente seca. Estava entrando num terreno de origem vulcânica, onde toda e qualquer água é rapidamente absorvida pelo solo altamente poroso. Psicologicamente, por estar completamente sem água, esses três quilômetros pareceram 10, enquanto a garganta ardia pela falta d’água e pela secura do ambiente. A descida é interrompida no Johnston Meadow, onde está o lamacento Johnston Lake, e de onde filtrei e devorei quase 2 litros de água. E onde também encontrei a Jana e Laurie acampadas na margem do lago. Uma coisa interessante nessa trilha é que a fama chega bem antes da pessoa. Ao encontrá-las, já sabíamos da existência um do outro; tanto que eu logo perguntei se elas eram a Jana e a Laurie; e elas, ao saberem meu nome, logo afirmaram: ah, você é o brasileiro! Nós já tínhamos sido apresentados, à distância, pelo casal britânico. Depois de conversarmos um pouco, continuei meu árido e arenoso caminho em direção ao Reds Meadow Resort, uma espécie de pousada-haras. Mas antes disso, eu passei pelo Devils Postpile National Monument, onde peguei uma variante da JMT (não-oficial) só para poder admirar uma obra de arte da natureza: colunas de basalto. Por causa de condições específicas de temperatura e pressão, o basalto (rocha vulcânica) se solidificou em milhares de longas e finas colunas de perfil quase hexagonal. Vale a pena a não observância estrita à JMT, pois a diferença entre a trilha oficial e a não-oficial é muito pequena, não justificando o desperdício da oportunidade de ver essa maravilha geológica. Sem nenhuma dor na consciência, continuei pela variante até encontrar a trilha oficial mais à frente, e então saí da trilha para ir até a pousada. Esse lugar é um dos pontos oficiais de reabastecimento para quem está fazendo a JMT. Possui uma lanchonete, um pequeno mercado (quase nada para quem está caminhando) e ônibus até a cidade de Mammoth Lakes para quem precisar de mais alguma coisa. Mas no meu caso, eu só queria uma comida diferente. Algo como dois cheesebúrgueres e um monte de batatas-fritas e Coca-Cola e chocolate...real junkie-food.

Saciado meu desejo alimentar, matado a saudade de casa com um rápido telefonema e reabastecido de benzina (white gas), volto à trilha que, a partir desse ponto, atravessa uma grande área totalmente queimada num incêndio em 1992. Sem nenhuma cobertura vegetal, num terreno completamente seco e com o sol de uma hora da tarde, é possível imaginar o desconforto que foi atravessar esse longo trecho até reencontrar a floresta, já na base da montanha. Essa é superada em quatro quilométricos zig-zags até atingir o seu ponto mais alto, aonde tive o prazer de reencontrar a Jana e a Laurie. Por uma questão de afinidade imediata, a partir desse momento nós passamos a caminhar juntos; companhia que só seria rompida, por questões de disponibilidade de tempo, um dia depois de deixarmos o VVR. Esse encontro serviu para amenizar a secura do ambiente, eminentemente dominado por atividades vulcânicas antigas e atuais: de uma parte da trilha, foi possível ver a fumaça saindo de um cone vulcânico bem distante, ao norte. Com a conversa rolando solta, logo cruzamos os últimos quilômetros que nos separavam do local de acampamento, às margens do Deer Creek. A apenas 2.780 metros de altitude, mas no fundo de um vale, essa noite seria a mais fria de toda a viagem. Isso porquê durante o anoitecer, o ar no alto das montanhas esfria primeiro e mais rápido do que o ar no fundo de um vale arborizado. Assim, durante a noite, esse ar frio, mais pesado, desce pelas encostas aproveitando os cursos de drenagem, isto é, os rios, e se estabelece nos fundos dos vales, substituindo o ar quente que tende a ascender por ser mais leve. Quem ali acampa, pensando na comodidade de dormir perto de um curso d’água e protegido do vento pelas árvores, acaba ficando preso numa armadilha climática. E foi o que aconteceu nessa noite. Às 7 da manhã, com o termômetro ainda abaixo de 0º e a água das garrafas com uma fina película de gelo na superfície, foi simplesmente impossível tomar café. Desarmamos acampamento, e com uma barra energética nas mãos congeladas, iniciamos a caminhada. Quando o sol já estava alto o suficiente para nos aquecer, paramos numa laje ensolarada, e aí sim, tivemos um café da manhã digno de um ser-humano...considerando a situação, lógico.

Esse 8º dia (21) seria fantástico. Por um bom tempo, ainda caminharíamos através de um terreno vulcânico, seco e arenoso, muito chato. Até que cruzamos a linha, representada pelo estreito e seco leito de um rio, que clara e abruptamente demarcava a mudança para o terreno cristalino formado pelo granito, muito mais agradável de se andar, por ser mais firme. Antes do rio, a areia era escura e solta, enquanto as pedras eram de um cinza escuro e porosas; depois do rio, a areia tornava-se mais branca e o granito retomava sua onipresença. Com o retorno do granito, voltaram também os lagos. O primeiro, encravado entre montanhas completamente nuas, mas rodeado por um belo bosque, foi o Purple Lake, aonde chegamos em torno do meio-dia; isto é, hora de comer e de descansar. Foi quando, olhando o altímetro e conferindo no livro, descobri que estava a apenas 3 metros acima do ponto culminante do Brasil: o Pico da Neblina (3.014 m). É nessas horas que, meio chateado pelo fato do terreno brasileiro ser tão antigo e plano, fico pensando como seria interessante se tivéssemos umas montanhas com 4.000/5.000 metros de altura. Mas...fazer o quê? Só me restava, então, continuar a caminhada, subindo uma outra encosta interminável para alcançar o Lake Virginia, um dos mais bonitos de todos. Esse lago tinha um quê de isolamento, bastante convidativo. Outro que merece uma semana de estadia por si só. Continuando, e agora com a companhia do Greg desde o Purple Lake, chegamos ao Tully Hole, onde originalmente pensávamos dormir. Só que esse lugar, como diz o nome, é um enorme e profundo buraco cercado por altas montanhas por todos os lados, e onde se chega através de uma íngreme descida de quase 250 metros de altura, através de vários e espremidos zig-zags. No mesmo momento em que, lembrando da fria noite anterior, decidimos não dormir ali (mas tarde, veríamos quão certa foi nossa decisão), alguém sugere atravessar o Silver Pass à noite, com lua cheia. Simplesmente inquestionável.

Depois de um rápido descanso lá dentro do buraco, partimos em direção ao Squaw Lake, distante uns 5 km, aonde chegamos durante o pôr-do-sol. Com este tingindo de amarelo as paredes em torno do lago, jantamos, conversamos e descansamos até às 9 horas, quando, já com a lua iluminando o caminho, reiniciamos a caminhada em direção ao próximo passo. Com as distantes montanhas e as rochas ao redor banhadas pela clara e prateada luz lunar, a impressão que tinha era de que estava caminhando na própria. Não preciso dizer que o uso de lanterna era totalmente desnecessário...além de quebrar o encanto daquela trilha lunar. O Silver Pass (3.322 m) foi rapidamente alcançado e, após uma breve pausa para as congratulações, continuamos em direção ao Silver Pass Lake, onde passaríamos a noite. Tudo o que ansiávamos era cair na cama...quer dizer, no saco de dormir, pois até chegarmos às margens do lago, teríamos caminhado uns 28 quilômetros nesse 21 de agosto. Considerando esse longo dia e o curto dia seguinte (22), quando só 13 km nos separavam do ferry que nos levaria através do Lake Edison até o Vermilion Valley Resort (VVR), dormimos sem nenhuma preocupação com horário. E a manhã seguinte foi preguiçosamente longa, com direito a ficarmos um bom tempo sem fazer absolutamente nada, a não ser jogar conversa fora. Para não ficarmos mal acostumados com tanta ociosidade, tivemos uma sessão de yoga à beira de um lago, no mínimo, bucólico...Que vida chata, não?!

A caminhada até o cais na margem norte do Lake Edison não teve nada de especial. Como era só descida, em menos de 3 horas estávamos todos a espera do barco, que chegaria um pouco antes das 16:45 (hora de partida). Esse lago é, na realidade, uma imensa represa que, junto com outras represas próximas, faz parte de um antigo projeto de geração de energia para o estado da Califórnia. Com o tempo, se tornou uma área de laser. O VVR é um resort com toda uma infra-estrutura voltada para a pesca, mas que dá todo o apoio ao pessoal que está trilhando a JMT, com um pequeno mercado e um restaurante que satisfaz plenamente os desejos e necessidades de quem está a dias no meio do mato. Além de receberem e guardarem sua tão desejada caixa de suprimentos. Mas isso não é o mais importante, e sim o fato de que a tradição da primeira cerveja grátis ainda continua...e que desceu garganta abaixo como se fosse um bálsamo divino. O resto que vier – como banho quente, cama verdadeira e comida decente – é lucro.

  
  

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