Em VVR

Às 7h30 da manha do dia 23, estou no refeitório do VVR, em meio aquela fauna que agente esta acostumado a ver nos filmes “made in Hollywood”. Sentado junto à janela enquanto saboreio um café divino (tudo é divino depois de uma semana de granol

  
  

Às 7h30 da manha do dia 23, estou no refeitório do VVR, em meio aquela fauna que agente esta acostumado a ver nos filmes “made in Hollywood”. Sentado junto à janela enquanto saboreio um café divino (tudo é divino depois de uma semana de granola toda a manha, alimentado a bombadas no fogareiro de benzina com temperatura em torno dos 5 graus) com torradas e panquecas, olho os pinheiros que cercam o resort, os mesmos que me acompanharam por um bom trecho ao longo da trila. Foram exatas 91,9 milhas ou 9 dias caminhando através de um dos lugares mais fantásticos que já vi. O granito predomina absoluto, fazendo com que a JMT fosse literalmente aberta a dinamite e marretadas em muitos pontos, por absoluta ausência de solo.

Depois de uma semana de um interminável sobe e desce em zig-zag, que faz a subida a Pedra dos Sino (Serra dos Órgãos/RJ) parece um passeio no parque,fui passando por vales profundos, lagos alpinos com águas cristalinas, centenas de montanhas fraturadas que davam a impressão de que vão desmoronar a cada instante e pinheiros, muitos pinheiros nascendo diretamente das fissuras e fendas do onipresente granito.

Em meio a tantas paisagens, dois momentos se destacam. O primeiro aconteceu ainda no Yosemite quando, acampado no Cathedral Lake, um Urso (assim mesmo, com letra maiúscula) passou a dez metros da barraca. Eram 8h30 da noite e só foi possível ver o seu vulto. O suficiente para sentir toda a sua majestade, como a nos lembrar que Ele e o rei daquele território. E a nós, só restando baixar a cabeça e reverencia-lo.

O segundo momento foi a travessia do Silver Pass em noite de lua cheia, sem uso de lanterna. Em meio ao granito refletindo a luz prata da lua, foi como se estivéssemos caminhando na própria.

Fora isso, existem as pessoas com quem se vai cruzando pelo caminho. A lista é enorme, e por isso, deixarei para quando retornar.

Chegamos ao VVR ontem (22), e depois de um belo banho quente, um farto jantar e uma noite numa cama de verdade, estamos à espera da hora do ferry para retornarmos a trilha. Uma subida de uns 2.000 pés (sem tempo para converter para metros: x 0,3048) nos espera com uma mochila cheia de comida. Alem da subida, também tenho pela frente, 121 milhas, 7 passos e o Monte Whitney.

  
  

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