John Muir Trail is coming soon!

Só agora, 4 dias depois de pisar em Los Angeles, é que começo a funcionar no fuso do Pacífico (6 horas de diferença para o fuso de Brasília). Durante esses dias, tive a oportunidade de, além de simplesmente pensar nos últimos preparativos para a caminh

  
  

Só agora, 4 dias depois de pisar em Los Angeles, é que começo a funcionar no fuso do Pacífico (6 horas de diferença para o fuso de Brasília).

Durante esses dias, tive a oportunidade de, além de simplesmente pensar nos últimos preparativos para a caminhada que começa amanhã (14), fazer algumas poucas coisas, como escalar no centro local do esporte, uma formação rochosa conhecida como Williamson Rocks, nas montanhas de Angeles Crest – uma enorme concentração de escaladores por tudo que é canto, em meio a dezenas de vias para todos os gostos.

O lugar em si é muito interessante, um canyon esculpido pela água do degelo da primavera, bem arido e coberto por um pinheiro conhecido como redwood. E, como não poderia deixar de ser, tive meu dia de turista ao enfrentar um engarrafamento num calorento domingo, de fazer inveja ao verão carioca, só para chegar a praia de Santa Monica. A praia em si não era o mais importante, mas sim ver o Pacífico. Da praia, todo oceano parece igual. Mas, todas as vezes que me deparei com o maior de todos, eu tive um prazer diferente; e dessa vez foi a mesma coisa.

É só olhar para o horizonte e sentir a real dimensão desse grande e fantástico mar, descendente real do Pantalassa, o único mar que existia há até uns 230 milhões de anos atrás. Até essa época, como uma versão geológica do ying e o yang, as forças opostas e complementares que dão equilíbrio ao Universo, o globo terrestre era ocupado por um único mar e um único continente, o Pangea.

Quebrado esse equilíbrio pelas forças tectonicas internas do planeta, o Pangea começou a se fragmentar em vários subcontinentes, com a deriva, e o consequente choque, dessas enormes massas de rocha abrindo novos mares e novos oceanos. Com isso, o Pacífico vem diminuindo de tamanho, mas ainda guarda toda a sua majestade.

Voltando a caminhada, essa noite estarei pegando um ônibus (os famosos Greyhound ) para a cidade de Merced, onde pegarei um outro, da empresa Yarts, para o Yosemite. A hora vem chegando e a excitação aumentando. Considerando o prazo até as dez horas da manhã do dia 14 para pegar minha permissão, faltam, nesse momento em que escrevo o último relato antes da caminhada (10:00 – hora local), exatas 24 horas e 10 minutos para me tornar, oficialmente, mais um caminhante da John Muir Trail.

Até lá, falta encontrar a arrumação ideal da mochila. Tudo por causa da lata a prova de ursos (a bear-can), um verdadeiro `elefante branco`, pesando ao todo, pouco mais de 4 kg.

Se bem que ainda falta achar leite em pó, que parece ser uma coisa meio rara por aqui. Além disso, a medida que ia encontrando com as pessoas, tanto na escalada quanto nas lojas de montanhismo, e até numa sessão exclusiva de apresentação de um novo filme que ainda não foi lançado comercialmente, todas as pessoas se mostraram interessadas em saber sobre a caminhada, inclusive, em alguns casos, dando sujestões e dicas por ja terem ido em algum ponto da trilha.

Foram informações totalmente novas, por serem fruto de experiências pessoais, únicas. Uma prova de que, na natureza, um dia nunca é igual ao outro.

Bom… em véspera de viagem, nunca se tem muita coisa para se dizer. Ou melhor…não se tem muita concentração para isso, pois o estado de espírito nesses momentos sempre nos deixa meio apreensíveis, focados na viagem em si. Essa sensação que cresce a cada minuto, alimentada pelas dúvidas e expectativas quanto ao futuro, só acabam quando se pisa na trilha. Pois é quando se extingüem todas as suposições e teorizações. Portanto, para não ficar dando voltas e mais voltas, dizendo o que já foi dito, vou ficando por aqui. A todos vocês ai no Brasil, desejo um ótimo mês de Agosto e até a volta.

  
  

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