A 10ª etapa

Oi Amigos!!! Estamos na 10ª etapa de nossa viagem e está sendo bem mais difícil do que eu imaginava. Mais difícil psicológica do que fisicamente... Infelizmente perdi o texto que havia escrito sobre as três primeiras etapas e o Renato e a Val fizeram u

  
  

Oi Amigos!!!

Estamos na 10ª etapa de nossa viagem e está sendo bem mais difícil do que eu imaginava. Mais difícil psicológica do que fisicamente... Infelizmente perdi o texto que havia escrito sobre as três primeiras etapas e o Renato e a Val fizeram um boletim para vocês terem noticias. Saibam que ter perdido o texto me abalou tanto que não tive condições de escrever nada antes. Mais uma vez me perdoem. Eu sempre pedindo desculpa, mas isso há de mudar.

São muitas tarefas diárias que temos de fazer, como lavar roupas, comprar café da manhã e lanche do dia seguinte, realizar a manutenção do mono e das bikes e por aí vai... Ontem, 22 de maio, aprendi duas importantes lições:

Uma logo cedo, quando nos preparávamos para sair. Estava conversando com o hospitaleiro de Nájera, o Ramon, e dizia que a maioria dos hospitaleiros é muito metódica e sistemática: às 10 horas fecham a porta do albergue, às 10h30 está um silêncio total, pedem para não comer no quarto, não fazer isso, não fazer aquilo...Isso me enche um pouco pois, como a maioria dos brasileiros, não tenho costume de dormir cedo. Mesmo que queira não consigo dormir antes da meia-noite. Disse ao Ramon que isso é muito ruim e eles não podem ser assim tão duros com os peregrinos. Ele respondeu: não julgue, se somos assim é por algum motivo, não é por nada.

A segunda lição foi durante a monotravessia. Chovia muito e havia muita lama no caminho, o que me impossibilitou de pedalar o Rocinante durante um trecho. Nesse trecho caminhei ao lado de um senhor chamado Jesus Lorenzo – estamos hospedados no mesmo albergue desde Roncesvalles e ele me lembra meu avô. Fiquei muito triste em saber que possivelmente não o veria novamente, porque ele pararia em uma cidade anterior a nossa e só voltaríamos a nos ver caso parássemos de percorrer o caminho por pelo menos um dia. A lição: não podemos nos apegar em nada durante o trajeto, nem nas pessoas. Do mesmo jeito que elas vêm, elas vão. O caminho nos dá muitas coisas, mas também nos tira outras. Sei que os momentos vividos ninguém há de tirar de mim, aprendi que só posso me apegar aos momentos vividos ao lado das pessoas, o resto é resto...

Falando de hoje, dia 23 de maio, foi uma etapa tão dura quanto a de ontem, pois a chuva de ontem, que durou o dia todo, deixou o caminho com muita lama e novamente tive de caminhar durante um trecho, curto, com muita, muita lama.

Aproveitei esse momento, sozinho dessa vez, para refletir em tudo que tem acontecido e no que tenho vivido. Só posso dizer, sem dúvida nenhuma, que esta é a maior e mais importante experiência da minha vida...A vivência nos albergues com os outros peregrinos é demais. Tem pessoas de várias nacionalidades: alemã, francesa, italiana... Apesar de ser um pouco difícil dialogar com todos, sinto muito prazer em tentar.

E para finalizar, saibam que o fed-back que recebo das pessoas é incrível. São muitas delas pedindo fotos, aplaudindo quando passo, me chamando de fenômeno, de iron man, dizendo que meu projeto é espetacular, inacreditável. Acredito que da mesma forma que me ajudam com essas palavras de incentivo, também os ajudo no caminhar, tão duro, tão difícil.

Obrigado a todos que de alguma forma contribuíram para a realização desse sonho.

No mais, o mesmo...

Abraços e beijos a todos,

Rodrigo Racy

  
  

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