Don Quixote e seu cavalo Rocinante

Olá Amigos, Ponte Medieval em Pamplona Foto: Valentine Moreno Nossa quarta etapa começou em Trinidad de Arre no dia 17, um povoado simples e muito agradável. O albergue encontra-se na beira do Rio Arga. Nosso destino nesse dia foi Puente La Reina,

  
  

Olá Amigos,

Ponte Medieval em Pamplona

Ponte Medieval em Pamplona
Foto: Valentine Moreno

Nossa quarta etapa começou em Trinidad de Arre no dia 17, um povoado simples e muito agradável. O albergue encontra-se na beira do Rio Arga. Nosso destino nesse dia foi Puente La Reina, mas para chegarmos lá passamos por Pamplona e resolvemos alguns probleminhas. O bagageiro da Val perdeu um parafuso e o microfone da câmera do Renato havia quebrado em uma queda. Tudo resolvido, seguimos viagem.

Caminho entre Trinidad de Arre e Puente La Reina

Caminho entre Trinidad de Arre e Puente La Reina
Foto: Valentine Moreno

O trajeto foi fácil, tirando a subida do Morro do Perdão, que foi penosa. Mas no alto do Morro fomos recompensados com uma visão espetacular. A descida foi alucinante, trechos difíceis em terreno de pedras soltas e cascalhos exigindo muita concentração, mas com muito tesão. Nessa noite fiz um bivaque, isto é, dormi fora do albergue, na grama, vendo as estrelas. Foi demais.

Local onde recebi o apelido de Don Quixote

Local onde recebi o apelido de Don Quixote
Foto: Valentine Moreno

De Puente La Reina a Estella, para variar, pegamos uma subida terrível. E um sobe e desce nesse caminho sem fim, mas vamos seguindo em frente. Nesta etapa o caminho foi percorrido pela terra, o que me cansou bastante as pernas devido ao terreno muito esburacado. No albergue, sempre a mesma rotina: lavar roupas, escrever, fazer tarefas diárias,como preencher o Log Book para o Guiness, e comer.

Trecho de asfalto entre Los Arcos e Logroño

Trecho de asfalto entre Los Arcos e Logroño
Foto: Valentine Moreno

Este dia foi engraçado. Ganhei um apelido por causa do meu visual: Don Quixote e seu cavalo Rocinante, o monociclo! O Renato ficou sendo o Sancho Pança – e olha que a pança não nega! E a Val, a Dulcinea, só poderia ser. Quem me deu esse apelido foi um peregrino que estava no meio do caminho. Não o vi mais. Isso é coisa do caminho. Estamos acompanhando as pessoas a pé, pois fazemos as mesmas etapas que elas. E ainda assim, em relação às pessoas, umas vem e outras vão.

Renato escrevendo o texto para este boletim

Renato escrevendo o texto para este boletim
Foto: Valentine Moreno

Hoje fiz duas coisas que me atormentavam. Uma foi remendar o banco do Rocinante, que já estava abrindo, e a outra foi acertar o suporte do gravador que uso enquanto pedalo.

Uma coisa que gostaria de frizar é que somos muito bem recebidos pelos peregrinos. Eles adoram me ver passando de monociclo. A maioria tira foto, aplaude. Teve um americano que tirou tantas fotos que achei que ele queria fazer um book fotográfico! Mas sabem os peregrinos que este feed back é minha força espiritual, o que me faz seguir em frente.

Nos dias 19 e 20 me senti muito cansado tanto física como psicologicamente. Não fiz anotações e estes dias estão só na minha memória. Deixarei as palavras agora nas mãos do Renato.

Um forte abraço,

No mais, o mesmo...

Rodrigo Racy

Saímos de Navarra e entramos em La Rioja, completando ¼ de nossa viagem. Tudo está muito bom. O caminho é lindo, as igrejas e os monastérios são espetaculares e o vinho é delicioso. A Val e o Rodrigo estão sempre brigando, mas na maioria das vezes é bobagem.

Rodrigo está sendo chamado de Don Quixote e seu monociclo, de Rocinante. É impressionante como as pessoas param para ver o Rodrigo passar. Tiram fotos e batem palmas.

Esta viagem está tornando-se a mais importante da minha vida. Uma coisa é certa: ninguém sai impune do caminho.

Renato Falzoni

  
  

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