Etapa noturna

Olá Amigos, Pedalando à noite Foto: Valentine Moreno Na manhã do dia 3, às 7h45, sai de Leon com destino ao Hospital de Órbigo. Leon é uma bela cidade, grande no caminho. Ali, resolvi diversas coisas de produção, fiz algumas comprinhas, que despac

  
  

Olá Amigos,

Pedalando à noite

Pedalando à noite
Foto: Valentine Moreno

Na manhã do dia 3, às 7h45, sai de Leon com destino ao Hospital de Órbigo. Leon é uma bela cidade, grande no caminho. Ali, resolvi diversas coisas de produção, fiz algumas comprinhas, que despachei para Santiago, e fiquei um segundo dia parado para descansar. Parti bem triste desse lugar. No dia anterior à partida roubaram o dado que ficava na roda do Rocinante, era a tampinha da válvula da câmera de ar. Lastimável! Quem fez isso não pode ser um peregrino.

Pedalando à noite

Pedalando à noite
Foto: Valentine Moreno

Cheguei ao Hospital de Órbigo por volta das 13h30. Fui para o albergue e, como a lua estava cheia, resolvi percorrer a etapa seguinte à noite. Fui dormir às 15h30 e acordei às 20 horas para comprar o lanche da trip noturna e jantar antes de sair. Sai às 23h30 e a lua iluminava todo o caminho. Alguns lugares eram mais escuros devido à sombra das árvores. Foi maravilhoso estar no caminho naquela situação, inesquecível! Tudo teria sido perfeito se não tivesse errado o trajeto e percorrido 10 Km a mais e se não tivesse deixado o caminho levar meu capacete. Não que perdi ou esqueci, fui obrigado a deixá-lo. Deixei na praça em Astorga.

Em frente ao Palácio do Gaudi

Em frente ao Palácio do Gaudi
Foto: Valentine Moreno

Antes de chegar a Astorga dormi numa área de descanso de peregrinos, quase na entrada do vilarejo San Justo de la Vega. Deitei no alto de uma colina sob a luz do luar e um céu carregado de estrelas... Isso foi às 5h30, quase no nascer do sol. Um friozinho bem sugestivo!

Em frente a Catedral de Santa Maria

Em frente a Catedral de Santa Maria
Foto: Valentine Moreno

Caminho errado

Acredito que todos sabem que o caminho é sinalizado com flechas amarelas, mas à noite foi uma aventura à parte. Cada cruzamento era uma busca maluca com a lanterna atrás dos sinais. Tem lugares que são praticamente invisíveis e uma distração em um desses cruzamentos é que me fez pedalar 5 Km até ter certeza de que estava indo pela estrada errada. Na volta achei o erro e fiquei mais atento a todos os cruzamentos.

Acordei às 8 horas com o sol abrindo meus olhos. A temperatura, já um pouco mais alta, deixou um clima agradável tornando o café da manhã no campo bem prazeroso – bebi um achocolatado e comi um pão com mortadela e dois tabletes de chocolate.

Segui para Astorga e ali aconteceu um fato curioso. Estava na praça fazendo hora, esperando a loja de bicicleta abrir para comprar outro capacete, quando fui abordado por uma carioca que mora em Paris e está fazendo o caminho de bike, a Cris. Nosso diálogo foi o seguinte:

- É você que esta fazendo o caminho de monociclo?, perguntou ela.
- Como você sabe que sou eu?, respondi.
- Ontem saiu uma matéria sobre você no jornal de Leon. Um húngaro me mostrou a reportagem, que tinha fotos. Reconheci você pelo cavanhaque. Todo mundo está comentando sua aventura, sabia?, terminou a carioca.

Em Astorga comprei um novo capacete, visitei o palácio de Gaudi, uma construção de 1889 que hoje abriga o museu das perigrinações, e passei pela catedral de Santa Maria, que para variar estava fechada, como a maioria das igrejas que tentei conhecer. Tirei fotos, gravei imagens em vídeo e segui. A Cris veio conosco nesse dia. Ela resolveu descansar, pois não tem muita pressa já que faz, em média, 60 Km por dia e estava adiantada em seu cronograma.

Saindo de Astorga aconteceu um segundo fato curioso, o húngaro que mostrou a matéria para a Cris apareceu com o jornal na mão e me pediu um autógrafo. Disse que guardaria para mostrar aos amigos que me conheceu. Isso foi um grande presente depois de uma dura etapa noturna. Sinto-me muito recompensado com estes acontecimentos.

Estou escrevendo em Murias de Rechivaldo, a 5 Km de Astorga, onde dormirei. Amanhã sigo para Manjarín. Tirando a gripe, que peguei na noite ao luar, o estado febril, que amolece o corpo, e os olhos irritados, está tudo bem.

Um detalhe

Queria enfatizar que gosto muito de dividir com vocês não só os momentos da monotravessia, como o que sinto e penso. Já disse para o Renato e Val escreverem neste espaço, mas eles não quiseram. Quem sabe um dia eles mudam de idéia.

Um beijão

No mais, o mesmo...

Rodrigo Racy

  
  

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