Impressionante!

Olá Amigos, Castelo de Ponferrada Foto: Valentine Moreno Villafranca del Bierzo - Ruitelán - O Cebreiro - Tricastela No caminho Foto: Valentine Moreno Antes de mais nada quero dizer que este parágrafo foi escrito no momento do envio deste

  
  

Olá Amigos,

Castelo de Ponferrada

Castelo de Ponferrada
Foto: Valentine Moreno

Villafranca del Bierzo - Ruitelán - O Cebreiro - Tricastela

No caminho

No caminho
Foto: Valentine Moreno

Antes de mais nada quero dizer que este parágrafo foi escrito no momento do envio deste boletim. Os outros foram escritos logo depois dos momentos vividos. Passei três dias fisicamente mal, o que me deixou também mal psicologicamente. Nesses dias pedalei de cabeça baixa, quase todo o tempo olhando o terreno e o relógio, em contagem regressiva para chegar. Mas agora tudo voltou a ser como antes.

Rodrigo com Carlos e Luiz, hospitaleiros de Ruitelan

Rodrigo com Carlos e Luiz, hospitaleiros de Ruitelan
Foto: Valentine Moreno

Abri os olhos em Villafranca e me senti ótimo. Pensei, tudo certo! Pouco depois comecei a ficar enjoado e, mesmo assim, resolvi enfrentar os míseros 20 Km até Ruitelán. No meio do percurso vomitei, tive uma diarréia fortíssima e mesmo assim cheguei. Esgotado claro!

Monastério de Samos

Monastério de Samos
Foto: Valentine Moreno

Assim que coloquei os pés no albergue Carlos e Luiz, os hospitaleiros, já sabiam quem eu era e, quando disse que estava passando muito mal, me perguntaram os sintomas. Logo me puseram em repouso, me medicaram com homeopatia, o que foi uma sorte já que sou alérgico a alopatia, e disseram que estava de dieta. Só poderia comer à noite, se estivesse bem, uma sopa de arroz (horrível, por sinal) e uma maça verde. Fiquei com 39º de febre e pensei que dali não sairia nos próximos três dias ou até voltaria para casa... Cheguei a delirar, segundo o Renato.

Cruz de Ferro

Cruz de Ferro
Foto: Valentine Moreno

Como se não bastasse o tratamento dos dois, duas brasileiras, Sandra e Soraya, que dividiam o quarto conosco, também deram uma boa contribuição para eu me recuperar. Elas me fizeram uma seção de reike e me mandaram uma energia muita boa e bem-vinda. Senti que todo esse carinho que recebi nesse lugar foi um pouco paterno e um pouco materno. Foi ótimo.

Neste dia, durante o pedal, acredito que foi o que mais pensei em minha mãe e tenho certeza de que ela esteve ao meu lado, pedalando comigo, me dando força para poder cumprir minha rotina. No estado em que eu estava só vejo essa explicação para ter conseguido chegar no Cebreiro. Foi um erro sair para pedalar, estava bem, mas não estava totalmente recuperado.

A seguir, palavras ditas por uma amiga. Pedi para ela escrever algo para publicar.

“Em primeiro lugar, queria agradecer o Rodrigo por tudo que ele tem feito por mim. Nos conhecemos em meu primeiro dia em Roncesvalles e os tenho acompanhado até hoje. Nos encontramos praticamente todos os dias. Me adotaram!

Hoje, saímos de Villafranca e foi um dia muito difícil para o Rodrigo. Ele não se sentiu bem e, mesmo assim, seguiu até Ruitelán. Agora, descansado, está melhor.
Fomos muito bem recebidos no refúgio de Ruitelán pelos hospitaleiros Carlos, que morou no Brasil por dez anos, e Luiz. Eles cuidaram muito bem do Rodrigo. Fizeram comida, deram remédio... Foram realmente maravilhosos. Estão fazendo de tudo para ele melhorar e assim poder apreciar o espetáculo que é vê-lo passar de monociclo.

Ficamos muito felizes e nos sentimos muito bem com a recepção que tivemos aqui, com muito carinho e afeição de todos, dos peregrinos, dos amigos e principalmente dos hospitaleiros. Amanhã vamos subir ‘O Cebreiro’, uma das mais técnicas etapas do caminho, e tenho certeza de que com sua força de vontade e os cuidados recebidos, o Rodrigo vai acordar pronto para mais essa etapa.”

O Cebreiro

Sentia-me 90% bem apesar de não ter me alimentado como deveria. Tomei um café da manhã leve, ainda sob cuidados, fiz a barba para melhorar a cara e sai às 10 horas. Foram 11 Km de subida em asfalto com desnível de terreno de 700 metros, o que torna muito íngreme a subida. Foi difícil, mas não tanto quanto pensei, afinal, cheguei. Um fato que me fez melhorar um pouco foi receber a visita de dois jornalistas. Eles vieram me entrevistar e fazer fotos para publicar em dois jornais distintos. Se o físico não melhorou, pelo menos a auto-estima subiu e isso faz um bem danado.

Fiz uma pausa na escrita desse boletim para jantar e depois de comer o macarrão feito pelo Renato (ele sempre cozinha) me senti mal novamente. Acredito que tudo isso está acontecendo por causa do grande desgaste físico aliado ao cansaço psicológico.

Estou agora em Tricastela. Essa foi a 25ª etapa, com um total de 22 Km, dos quais 12 foram de descida, o pior para o mono. De manhã tomei um café leve e mais uma vez não deveria sair para pedalar, mas no Cebreiro não há quase nada e não dava para ficar lá. Mais uma vez foi um milagre ter pedalado e realizado outra etapa. Não sei de onde tiro tanto força.

Só para dar um gostinho, aqui em Tricastela ganhei um espetáculo musical de gaita de fole, algo que desde criança queria assistir. Não sei porque, mas fiquei emocionado, arrepiado e animado!

Um detalhe

Nunca tinha colocado os pés fora do Brasil. Hoje estou na Espanha depois de passar pela França. Logo terei minhas fotos esparramadas nos quatro cantos do mundo! Isso é uma loucura!

Beijos e abraços

No mais, o mesmo...

RR

  
  

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