Escalada do Nevado Solimana (6.093m)

25º. Dia da Expedição Sul Peru. De volta ao Andino. Mundo Andino Estimados Amigos! Mundo Andino Depois de cinco dias longe, é um alívio voltar para o Andino, contar com o seu conforto e ter acesso ao notebook e ao equipamento de comunicaçã

  
  

25º. Dia da Expedição Sul Peru. De volta ao Andino.

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Estimados Amigos!

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Depois de cinco dias longe, é um alívio voltar para o Andino, contar com o seu conforto e ter acesso ao notebook e ao equipamento de comunicação por satélite, que nos permite um contato online com a Internet.

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Estávamos longe do nosso querido caminhão porque ele está com problemas no seu eixo dianteiro e assim não consegue funcionar 4x4. A estratégia foi a mesma usada para o Vulcão Ampato, alugamos um outro veiculo, agora uma camionete. A idéia foi ótima, pois as estradas que enfrentamos foram as piores possíveis e o Andino sofreria apenas em 4x2.

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Nossa aventura desta última semana teve o seu início em Arequipa, de onde iniciamos um longo deslocamento até a base do Vulcão Coropuna, foram 350Km percorridos em 12 horas, viagem longa e cansativa, mas muito bonita. De Arequipa, situada a 2.600m, descemos até Aplao, situado a 800m de altitude, onde ficou estacionado o Andino.

Aplao está no vale do rio Majes, um contraste absurdo com a paisagem desértica da costa peruana, devido ao verde de suas plantações e a riqueza de assentamentos humanos, tudo graças a irrigação.

Subimos por este vale exuberante até os 5.025m de altitude, a paisagem foi perdendo o seu mosaico formado pelos verdes “andenes” (plataformas para cultivo) e aos poucos voltamos a ser dominados pela “puna”, os altos campos andinos, onde o único sinal de vida são alguns rebanhos de lhamas e alpacas (raramente se avistam vicunhas e um ou outro guanaco), no meio de pedras e mais pedras onde nascem pequenos arbustos.

Chegar de carro a mais de 5 mil metros de altitude pode ser interessante, mas tem uma grande desvantagem, o impacto de se chegar muito rápido a um ambiente onde existe apenas 50% do oxigênio que existe a nível do mar. Felizmente as escaladas anteriores serviram para que o meu organismo se adapta-se a este ambiente extremo, deixando-me em condições de enfrentar a maior montanha do sul do Peru, o Coropuna, de 6.425m de altitude.

Assim, no dia seguinte, subimos para os 5.550m, onde montamos um acampamento avançado, eu e o Carlos, alpinista peruano, guia fundamental para o melhor aproveitamento e sucesso desta expedição. Como quase todos os dias que estivemos na montanha, a tarde desabou uma tempestade, aumentando ainda mais a quantidade de neve fresca, o que acabou sendo a maior dificuldade para se chegar no alto do Coropuna, além de aumentar o risco de avalanches.

O Coropuna tem sete cumes, longes um do outro e ligados por um imenso glaciar, formando na parte superior um gigantesco platô (veja foto abaixo), chegar no seu ponto mais alto foi bem cansativo, a subida parecia interminável.

Depois do Coropuna eu podia me dar por satisfeito aqui no sul do Peru, de fato já havia escalado todas as montanhas mais importantes, além da mais alta, o que me permitiu ter uma boa idéia de como é esta parte dos Andes, mas havia sido tão difícil chegar até aqui que valia a pena enfrentar um último desafio, o Solimana.

No mesmo dia que descemos do cume do Coropuna (6.425m), enfrentamos mais duas horas de viagem para chegar até a base do Solimana, a 4.750m de altitude.

Caminhamos cerca de 15Km, até os 5.500m, onde encontramos um lugar para acampar, no início das primeiras manchas de neve. Carlos nunca havia ido ao Solimana, assim no final da tarde fui fazer um reconhecimento do possível caminho, para que não tivéssemos muitas surpresas durante o início da escalada.

Às 4 da madrugada partimos, Carlos, eu, e também o Johan, um jovem aspirante a guia. Por uma rampa de 60 graus de inclinação, de aproximadamente 20 metros, acabamos subindo no alto de um extenso glaciar, e nos deparando com a grande muralha do Solimana, de uns mil e 500 metros de largura e cerca de 300m de altura. Estávamos justo do lado esquerdo da muralha, fizemos uma travessia para o lado direito, na esperança de conseguir uma passagem para o cume. Não tivemos sorte, paredões instáveis de rocha vulcânica impediam o caminho.

Resolvemos então ir para o centro da muralha, onde um largo e empinado corredor poderia ser a solução. Eu ainda estava do lado direito fazendo algumas fotos, de repente uma grande avalanche desabou pelo corredor que pretendíamos subir, quase alcançando Carlos e Johan, foi um grande susto, suficiente para desistirmos de tentar chegar o alto do cume sul ou principal, mas o cume norte, apenas 20 metros mais baixo, parecia acessível.

Voltamos então para o lado esquerdo da muralha e começamos a subir o cume norte por corredores com até 60 graus de inclinação. Na metade da subida nossa segurança se viu totalmente ameaçada, não só pela inclinação acentuada e a altura já perto dos 200 metros, mas pela neve que não nos oferecia nenhuma firmeza, eram placas de neve fresca, mal aderidas as camadas inferiores, que poderiam descolar se transformando em avalanches. Passamos maus momentos e bem inseguros tocamos o pontiagudo cume norte, onde mal cabíamos os três. Nada de comemorações, pois era grande a preocupação com a descida. No trecho mais vertical usamos a corda, depois, devido à dificuldade de ancoragens seguras, desescalamos com todo o cuidado.

Na foto principal apareço no alto do Coropuna (6.425m), ao fundo aparece o Solimana (6.093m). Abaixo aparece o enorme platô que existe no alto do Coropuna. Logo nosso acampamento avançado no Solimana, à direita, pontiagudo, o seu cume norte. A última foto mostra o Johan e o Carlos na metade da subida ao Solimana.

Um forte abraço,

Waldemar Niclevicz

  
  

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