Escalada do Vulcão Ampato (6.318m)

18º. Dia da Expedição Sul Peru. Mundo Andino Estimados Amigos! Mundo Andino Dias atrás, no alto dos 5.597m de altitude do Mismi, fiquei emocionado ao pisar aquela neve que dá origem as nascentes do Amazonas. Foi uma experiência das mais gr

  
  

18º. Dia da Expedição Sul Peru.

Mundo Andino

Mundo Andino

Estimados Amigos!

Mundo Andino

Mundo Andino

Dias atrás, no alto dos 5.597m de altitude do Mismi, fiquei emocionado ao pisar aquela neve que dá origem as nascentes do Amazonas. Foi uma experiência das mais gratificantes, uma descoberta, como se realmente estivéssemos desvendando o mistério de encontrar as origens do maior rio do mundo.

Mundo Andino

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Lá do alto do Mismi, no horizonte ao longe, uma outra montanha me chamava a atenção, pela sua grandeza e também pelo mistério, o Ampato, de 6.318m. Seria a primeira montanha com mais de 6 mil metros a ser escalada no Projeto Mundo Andino, sua altitude e imponência haviam deixado uma importante marco na história, graças ao descobrimento em seu cume de um corpo congelado de uma jovem Inca, em 1995.

Mundo Andino

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Chegar até a base do Ampato exigiu certos cuidados, deixamos o Andino na cidade de Chivay, pois tinha receio que a estrada até lá fosse ainda pior do que aquela que enfrentamos para nos aproximar do Mismi. Quanto mais eu sacudia dentro de uma pequena van 4x4 que alugamos, mais eu me sentia aliviado por não expor o Andino desnecessariamente ao perigo. E, quase nem acreditando, após superar abismos, passagens extremamente estreitas, atoleiros e dunas de cinzas vulcânicas, chegamos milagrosamente com a van até os 5.050m de altitude.

O Alexandre Lima já não está entre nós, deu continuidade as suas férias indo para Cusco, o Iguaçu havia ficado cuidando do Andino em Chivay, assim, para enfrentar o Ampato eu contaria apenas com a companhia de Carlos Zarate, o mais respeitado guia de alta montanha de Arequipa, que já nos havia acompanhado nas outras montanhas desta expedição.

Logo que desembarcamos da van 4x4, por volta das 11:00hs, começamos a caminhar sob a ameaça de mais uma tempestade, típica deste fim de estação chuvosa (que este ano está se prolongando). Primeiro veio uma tempestade elétrica, nos preocupando com os seus raios e trovões, logo começou a nevar forte, e continuou assim até a nossa chegada aos 5.700m, já sobre o glaciar, por volta das 14:30hs, onde montamos a nossa barraca.

As nuvens escuras avançaram a noite, mas de madrugada um frio de 15 graus negativos dissipou a umidade dando lugar a lua cheia que nos guiou das 4:30hs até o amanhecer rumo as alturas do Ampato. Foi uma subida sem muita conversa, o frio e o vento nos obrigaram a nos concentrar na longa escalada, sempre sobre uma neve fofa, onde nos afundávamos às vezes até o joelho.

Quando começamos a atravessar a grande cratera em direção ao cume principal, já sobre os 6 mil metros de altitude, comecei a identificar os pontos da épica descoberta da `Juanita`, `A Dama do Ampato`, que lá naquelas alturas, entre os seus 12 e 14 anos, foi sacrificada em honra aos `deuses` há cinco séculos. E como os Incas poderiam escalar uma montanha nevada com mais de 6.300m de altitude naquela época, aparentemente sem o conhecimento que temos hoje do que é o alpinismo?

Digamos que os Incas tiveram uma grande ajuda, com certeza a mesma que os descobridores de Juanita (e mais três múmias), em 1995, quando as cinzas do vizinho Sabancaya (que estava em erupção) se depositaram sobre as neves do Ampato, causando praticamente o seu total derretimento (pois absorviam facilmente o calor do sol), propiciando os achados arqueológicos.

`Juanita` não era uma múmia qualquer, era uma `seqsiy`, uma `escolhida` a dar fim a seca, aos terremotos e cinzas dos vulcões Misti e Sabancaya que estavam em erupção e causavam a contaminação das águas, a perda dos cultivos e a morte da população. Graças ao trabalho dos arqueólogos a história de Juanita foi resgatada e está hoje conservada em uma bela exposição em um museu em Arequipa.

A foto principal mostra nossa chegada no cume do Ampato, às 8:45hs, sob um vento de gelar os ossos, abaixo aparece o vizinho Sabancaya que entrou em erupção no início da década de 90, logo o Carlos aparece iniciando a travessia da cratera e já perto do cume.

Um forte abraço,

Waldemar Niclevicz

  
  

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