Escalada do Vulcão Ubinas

9º. Dia da Expedição Sul Peru. Enfim entre os Andes. Mundo Andino Estimados Amigos! Mundo Andino Depois de tanta viagem por estradas convencionais, de Santiago até Arequipa, e de tanto tempo sentado atrás do volante do Andino, finalmente c

  
  

9º. Dia da Expedição Sul Peru. Enfim entre os Andes.

Mundo Andino

Mundo Andino

Estimados Amigos!

Mundo Andino

Mundo Andino

Depois de tanta viagem por estradas convencionais, de Santiago até Arequipa, e de tanto tempo sentado atrás do volante do Andino, finalmente colocamos nosso pé na montanha, mexendo um pouco nosso físico, nossa emoção e colocando a prova o nosso caminhão no ar rarefeito.

Mundo Andino

Mundo Andino

Acabamos de descer de uma região fantástica, rodeada por vulcões, pontilhadas por algumas lagunas repletas de flamingos e no meio disso tudo, a mais de 4 mil metros de altitude, muita lhama, alpaca e ovelhas.

Mundo Andino

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Foi apenas o início de nossa grande Expedição Sul Peru, dois dias para adaptar o nosso organismo as elevadas altitudes, já que teremos pela frente 3 montanhas com mais de 6 mil metros. Assim resolvi fazer uma pequena mudança nos planos, enfrentando uma montanha acessível que não estava em nossa lista. Mesmo assim o resultado foi muita, mas muita dor de cabeça, calma que eu explico.

Saímos de Arequipa (2.350m de altitude) ontem, pela velha estrada que a ligava a Puno, hoje praticamente abandonada, pois uma nova foi construída. A estrada de terra e completamente esburacada foi logo tomando altura, passando entre os vulcões Misti e Pichu Pichu. Depois dos 4 mil metros de altitude o Andino atravessou apertado um túnel escavado na rocha, então começamos a observar o terreno ganhando uma tímida vegetação, os famosos “ichus”, um capim que está presente em todos os Andes. Neste ponto saímos da estrada principal e logo surgiu em nossa frente a Laguna de Salinas, repleta de flamingos, e ao fundo o nosso objetivo, o Vulcão Ubinas, de 5.672m de altitude.

Seguimos viagem, por uma “pampa” (terreno plano) onde centenas de lhamas e alpacas pastavam tranqüilas sem se intimidar com uma forte tempestade que ameaçava desabar, e desabou. Começou a chover forte, logo a nevar, e lá foi o Andino, sendo tocado pelos primeiros focos de neve, e lá fomos nós, já sentindo tonturas em razão do ar rarefeito, sempre subindo.

A nevasca passou, e nós deixamos a estrada cheia de lama para seguir, já acima dos 4.500m, por pampas cobertas de cinzas vulcânicas. O Andino afundava nas cinzas (parecidas com uma areia escura), mas continuou valente, chegando até os 4.750m de altitude, ponto final da aventura 4x4.

Tenho que confessar que neste ponto, todos, com exceção do nosso guia, estávamos com uma forte dor de cabeça, em razão da rápida subida desde Arequipa, já que não tínhamos enfrentado elevadas altitudes antes. Essa dor de cabeça é normal, por isso nós alpinistas fazemos um trabalho de adaptação do organismo ao ar rarefeito que chamamos de “aclimatação”. Escolher o Ubinas, um vulcão fácil, embora alto (com os seus 5.672m de altitude), foi uma ótima idéia para forçarmos a nossa aclimatação, já que teremos montanhas mais altas e difíceis pela frente.

Embora contássemos com todo o conforto do Andino (cama, banheiro, cozinha, etc.), a noite foi terrível, tive fortes dores de cabeça, ou seja, mesmo já tendo escalado o K2 (8.611m) sem o uso de garrafas de oxigênio, também tenho que passar por uma fase de aclimatação, para que meu organismo aumente a sua capacidade de absorção de oxigênio, para então me sentir melhor na altitude.

Resumindo a história, o Iguaçu ficou descansando no Andino, e eu, o Alexandre Lima (um amigo de Curitiba que está nos visitando apenas por dez dias) e o Carlos Zarate (guia de montanha peruano que nos acompanhará durante toda a expedição), partimos às 4 da madrugada em direção ao cume do Ubinas.

Tirando a dor de cabeça, a subida foi fácil, por uma neve dura que havia acabado de cair nos últimos dias, mas não pude conter minha decepção ao chegar na borda da cratera, pois o Ubinas é um dos vulcões mais ativos do Peru, e não vimos nem fumarolas, nem barulho de gases, tudo bem, temos outros vulcões ativos pela frente.

A foto com a linda bandeira é lá no alto do Ubinas, a outra mostra sua enorme cratera, da Laguna Salinas onde se vê alguns flamingos surge o Ubinas imponente ao fundo e o querido Andino pisando as cinzas vulcânicas a 4.750m.

E a dor de cabeça? Já passou.

Um forte abraço,

Waldemar Niclevicz

  
  

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