Brasil - Roraima e Amazonas

Brasil, meu Brasil brasileiro!

  
  

Como descrever nossas emoções ao voltar ao Brasil depois de 960 dias em terras estrangeiras. Se não podemos descrever, podemos pelo menos garantir que o coração batia muito forte e nosso sorriso ia de orelha a orelha. Nossa curiosidade para voltar ao Brasil era muito grande, pois depois de termos conhecido tanto deste mundão, despertou-nos muito mais interesse de desbravar o nosso próprio país.

Rio Branco que passa por Boa Vista

Nossa chegada ocorreu pelo estado de Roraima, o qual é o mais jovem, mais isolado e menos povoado estado do Brasil. No começo os únicos habitantes dessas terras eram os índios, porém, com a descoberta de ouro e diamantes, muitos garimpeiros vieram para a região. Com uma grande quantidade de pessoas e de riquezas, Boa Vista (capital do estado de Roraima e única capital brasileira situada ao norte da Linha do Equador) começou a crescer. Ouvimos dizer que o aeroporto da cidade chegou a ser um dos três mais movimentados do Brasil (devido ao garimpo), junto com Rio de Janeiro e São Paulo. Se antes o garimpo foi importante, atualmente o que mais atrai as pessoas para a cidade é o fato de Boa Vista ser um lugar de oportunidades, com muitos empregos gerados por concursos públicos e espaço para qualquer tipo de negócio.

Receidos pelo amigo Loras

Quem nos recebeu em Boa Vista foi o grande amigo Ricardo Loureiro, o Louras, que conhecemos na primeira passagem de nossa viagem pela Venezuela, durante o Venezuela Off-Road & Adventure Festival 2007. Através dele, tivemos a oportunidade de conhecer os jipeiros do Jeep Clube de Roraima, sendo a Retífica Central o maior ponto de encontro desse pessoal, onde além de rolar muita conversa e churrasco, rola um trabalho pesado por parte do Elmer e do Seu Pedro na construção de um super 4x4, digno do nome: Crocodilo.

Através do amigão Paulo (PV8-DX), conhecemos também o pessoal do Clube dos Rádio Amadores, que no assunto são verdadeiramente ativos, se comunicando com o mundo todo. Fora os rádios, as antenas, o tambaqui também fez sucesso, preparado na casa do Edinho e da Andressa. Isso sem falar do banho no igarapé (riacho) de água cristalina que passa pelo jardim da casa deles.

Os dias na capital roraimense passaram muito rápido e a hora de partir chegou. Esse cantinho norte do Brasil nos deixará saudades, mas se esse ditado for verdade: “Quem bebe d’água do Rio Branco volta para Boa Vista” ... com certeza um dia iremos voltar.

Cruzando pela sexta vez a Linha do Equador

Pé na estrada, agora rumo a Manaus pela BR-174. Quanto mais ao sul, mais a savana dava lugar a maior floresta tropical do planeta: a Amazônia. Chegando na capital, nos deparamos com uma cidade enorme localizada à margem esquerda do Rio Negro, onde residem atualmente 1,73 milhão de pessoas. Para estimular o desenvolvimento da região, esta foi transformada numa Zona Franca, a qual tornou-se um grande Pólo Industrial com um dos maiores PIB do país.

Cruzando Reserva indígenas

Rui Tiradentes foi quem nos deu todo o apoio nessa metrópole e ele conseguiu um lugarzinho para acamparmos junto aos carros usados na Concessionária da Mitsubishi. Não foi fácil de encarar o calorzão de 40 graus na cidade e como o sol nascia cedo, sem sombra, nosso carro esquentava muito e o jeito era levantar com os primeiros raios de sol e ir buscar abrigo no centro da cidade. Nessas idas e vindas desbravamos muitas coisas como: o centro histórico com o Teatro do Amazonas e o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, ambos um produto das riquezas geradas pelo auge da borracha; o porto às margens do rio Negro; as praças cheias de vida e de locais disputando um lugar na sombra; o INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, onde visitamos um pequeno museu de curiosidades amazônicas e onde pudemos ver de perto os peixes-boi; e ainda participamos uma noite do Boi Manaus, festival que celebrou os 340 anos da cidade, puro carnaval manauense.

Teatro Amazonas

Mas o que queríamos mesmo em Manaus era desbravar a Amazônia, porém, estávamos um pouco desanimados devido aos altos preços cobrados pelas agências de turismo. Aí, com a indicação do Rui (nosso amigo) conhecemos Elen e Ribamar, do Ariaú Amazon Towers. Quando eles nos perguntaram o que queríamos e começaram a explanar sobre sua empresa, nós todos pensamos: “O que estamos fazendo aqui!”... pois pela qualidade de seu trabalho, considerávamos aquilo impossível para nossos bolsos. Mas conversa vai, conversa vem e essa história terminou quando fomos gentilmente convidados para passar cinco dias no Ariaú Amazon Towers.

Mercado Municipal de Manaus

Esse hotel, que se encontra há cerca de uma hora e meia de barco subindo o Rio Negro, foi um dos pioneiros no meio da selva amazônica. Parte de sua história começou em 1982, quando o oceanógrafo Jacques Cousteau, em sua expedição pela Amazônia, fez uma declaração que soou mais como uma premonição: “Hoje, o mundo está ciente sobre guerras nucleares, mas essa ameaça irá desaparecer. A guerra do futuro será entre aqueles que defendem a natureza e aqueles que a destroem. A Amazônia estará no topo das discussões. Cientistas, políticos e artistas irão vir aqui para ver o que está sendo feito pela floresta”. Francisco Ritta Bernardinho deu ouvido as palavras de Cousteau e em 1986 começou a construir um pequeno hotel no meio da floresta, o qual transformou-se num grande complexo com cerca de 360 acomodações construídas sobre palafitas que já hospedaram celebridades de todo o mundo.

Hotel Ariaú

Além de toda essa estrutura, o hotel nos ofereceu uma série de excursões pelas matas e rios. Como a época de chuvas ainda não chegou (começa em dezembro), os rios estavam em seus níveis mais baixos e todo o hotel estava fora d’água. Mesmo assim, o meio de transporte para todos os passeios não foi outro a não ser um barco. Pescamos piranha, que nos rendeu uma bela sopa; observamos diversos pássaros; caminhamos pela mata aprendendo um pouco sobre a fauna e flora, como algumas plantas medicinais e aonde encontramos comida, gorós, utilizados para a sobrevivência na selva; visitamos uma vila local e aprendemos um pouco como era extraída e produzida a borracha; visitamos a casa do caboclo Francisco, o qual nos mostrou o processo da mandioca e nos preparou uma tapioca com castanha-do-pará de lamber os dedos; fizemos focagem de jacaré; visitamos uma vila indígena, na qual os meninos, para tornarem-se adultos, devem colocar a mão numa ‘luva’ cheia de formigas venenosas e agüentar a dor sem chorar; fomos para uma praia de areias brancas e finas as margens do Rio Negro; e, para fechar com chave de ouro, nadamos com os botos-cor-de-rosa, sendo 10 ou 15, que foi uma experiência indescritível. Somos muito gratos a Elen e Ribamar, que nesses 5 dias, nos deram a oportunidade de mostrar que o Brasil não perde em nada para nenhum dos 60 países que visitamos nessa viagem.

Passeio de barco

Antes de termos ido para o Ariaú, já tínhamos antecipado alguns contatos, pois planejávamos descer de balsa o Rio Amazonas até Santarém. E com a ajuda do Rogério (Juca), que é natural de Rio Negrinho, conseguimos organizar tudo sem nenhuma dificuldade. Nosso carro embarcou no dia posterior a nossa chegada do meio da selva, o que nos deu tempo somente para assistir mais um espetáculo da Orquestra Filarmônica de Manaus.

Nadando com os botos cor-de-rosa do Rio Negro

A balsa que pegamos costuma subir o Rio Amazonas de Santarém a Manaus, carregando aproximadamente 200 cabeças de gado e em sua volta, para ajudar a cobrir os custos do retorno, carregam qualquer coisa, desde carros, ferro ou qualquer outro tipo de mercadoria. No sábado ao meio-dia, depois de um suador danado para colocar 11 carros e mais algumas toneladas de mercadorias na balsa, deixamos Manaus rumo a Santarém - Pará. Nosso carro entrou na estica e a traseira ficou alguns centímetros para fora do casco do barco. Podíamos apenas acessar nossa casa sobre rodas pela frente (cabine), porém a porta traseira tornou-se um camarote, de onde assistíamos o espetáculo do Rio Amazonas com toda a sua vida. Lá foi o lugar perfeito para apreciar o famoso “Encontro das Águas”, quando as águas escuras do Rio Negro juntam-se com as águas barrentas do Rio Solimões. Neste encontro, os dois rios correm lado a lado, sem misturar-se, por mais de 18km. Esse fenômeno ocorre devido à diferença das temperaturas, densidades e correntezas das águas dos dois rios. Enquanto o Rio Negro corre cerca de 2km/h a uma temperatura de 28°C, o Rio Solimões corre de 4 a 6km/h a uma temperatura de 22°C.

Caboclos da região

A viagem levou 42h, navegando numa média de 15km/h. Nossa tripulação foi muito gente boa e também tivemos a companhia de 12 animados nordestinos, vendedores ambulantes, que rodam pelo Brasil vendendo artesanatos de sua região. Quem aparecia de vez em quando eram os botos e também alguns pequenos barcos de pescadores. Dentre os peixes que estes locais vendiam, vimos o filé de um pirarucu, mas somente o filé, do tamanho de um cobertor, que pesava mais de 20 kg.

Ainda dentro da balsa, deixamos o estado Amazonas e entramos no Pará, com nosso próximo destino Santarém, Alter do Chão e em seguida um pedaço da BR 230, a famosa Transamazônica! E isto ficará para nosso próximo diário...

Embarcando na bala Manaus-Santarém
  
  

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