Espanha 1 e 2, Portugal, Andorra, França 1 e Mônaco

Bem vindos aos primeiro mundo!

  
  

São poucos os lugares no mundo que, em uma distância tão pequena, observa-se tamanha diferença social e de cultura como nos 14,4km do Estreito de Gibraltar, menor distância que separa a Europa da África. O Estreito de Gibraltar é uma separação natural entre estes dois continentes, bem como entre o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo e possui este nome por estar frente a Gibraltar, cidade de um morro só, que está situada praticamente na Espanha, mas é de soberania do Reino Unido.

Estreito de Gibraltar

Nós, quando cruzávamos de balsa este estreito, na verdade, já havíamos entrado em território da União Européia em Ceuta, que é a última cidadezinha lá do norte da África, pertencente a Espanha. E no cruze, que demorou apenas meia hora, apreciamos um pouquinho do imenso tráfego marítimo que acontece por ali anualmente, com mais de 85.000 navios.

Sem saber pra onde ir e sentindo-nos abatidos por aquele choque cultural, percebemos que teríamos que aprender tudo de novo, já que se viver em um carro na Europa seria totalmente diferente da África. Mas naquele dia mesmo, com um “ola, que tal?” (portunhol arranhado), pudemos utilizar o estacionamento de um posto de combustível para dormirmos, com direito a banheiros limpos e tudo, dignos de primeiro mundo!

A história do Reino da Espanha é a própria de uma nação européia, que vem desde o período entre a pré-história e a época atual. Após a sua adesão na comunidade européia, em 1986, a Espanha tornou-se um país extremamente industrializado, ocupando a 8ª maior economia mundial. Sua língua oficial é o castelhano ou espanhol mas possui, em comunidades autônomas distribuídas em seu território, outros idiomas co-oficiais, como o basco, catalão e o galego.

Em nosso caminho para Málaga, cruzamos várias cidades litorâneas da Costa do Sol e a quantidade de turistas que freqüentavam o local, nos lembravam que estamos no verão europeu. Málaga é uma cidade interessante e bonita, com todas suas construções em estilo espanhol, mas o que mais se destaca, é que foi a cidade natal de
Pablo Picasso e ainda é possível de ver onde ele nasceu e viveu parte de sua vida.

Deixamos a costa e passamos repentinamente a subir montanhas, relevo que dá a Espanha o título de segundo país mais montanhoso da Europa (perdendo apenas para a Suíça). E por entre lindas e extensas plantações de olivas, chegamos em Granada e pudemos admirar de longe a famosa Alhambra, fortaleza e palácio de nasrida, bem como outras riquezas históricas, tudo fruto da tripla influência muçulmana, judia e cristã.

Tourada espanhola

Passamos a rumar a oeste, sentido Portugal e no caminho, na grande cidade de Sevilha, vimos um cartaz divulgando uma tourada. É claro que não iríamos perder esta tourada, ainda mais que o preço era 5 vezes menor que o indicado por nosso livro guia.

A tourada é um espetáculo típico da Espanha, Portugal e França e dos países da América Latina, como México, Colômbia, Peru, Venezuela e Guatemala. Esta tradição consiste na lide de touros bravos através de diferentes formas e técnicas, variando de país para país.

A que pudemos assistir, na Plaza de Touros de la Maestranza de Sevilha foi muito legal, apesar das cenas fortes dos 6 touros, que após todo o ritual da lide, foram mortos pela espada do toureiro.

Arquitetura típica de Portugal

Entramos em Portugal por uma bela e bem tradicional cidadezinha litorânea chamada de Vila Real de Santo Antônio e para nossa alegria, todos falavam português, hehe. Lembrávamos muito das nossas cidades brasileiras, como São Francisco, Parati, Antonina dentre tantas outras, com aquela arquitetura simples, colorida, sem eira nem beira.

Mas Portugal também tem montanhas e do topo de uma delas (Foia) avistamos Sagres, a pontinha sudoeste do país, que antes das expedições marítimas era considerada o fim do mundo. Naqueles tempos ninguém sabia que após aqueles mares, existiria um continente chamado América.

Portugal, apesar de ser bem desenvolvido, mantêm-se um país muito tradicional, o que é percebido nas pessoas e pequenas cidades, como Santa Clara – A Velha e outras, principalmente quando se viaja no interior. O que é fato, também, é que o país está entre os 20 no mundo com melhor qualidade de vida.

Lisboa

A capital Lisboa é encantadora e é, também, uma das três cidades do mundo que possui o Cristo Redentor (outras são Rio de Janeiro no Brasil e Lubango na Angola). É interessante o sentimento que temos quando perambulamos por suas ruas e ruelas, admirando impressiva arquitetura e imaginando a vida como era a pouco mais de 500 anos atrás! Nos dias que ficamos por lá, tivemos como base a casa de nossos amigos Rui e Cristina, os quais conhecemos quando viajávamos pela Namíbia e que nos receberam muito bem, com direito a bacalhau e tudo!

Mas como nosso tempo era curto, tínhamos que seguir viagem e no caminho de volta a Espanha, ainda conhecemos duas cidades lindas e de grande importância histórica que foram Sintra e Évora.

Novamente na Espanha, quanto mais ao norte nos dirigíamos, antes o sol nascia e mais tarde ele se punha, nos dando horas e mais horas de dia claro para aproveitar cada momento aqui na Europa. Mas por outro lado, claro, o dias ficavam mais cansativos e pelo que tudo indica, é por isso que o espanhol aproveita bem a sua siesta. O comércio geralmente fecha para o almoço as 14:00h e só volta as 17:00h.

Castelo de Segóvia

Uma cidade pequena e que nos impressionou muito foi Segóvia, com suas muralhas, castelos, catedrais e um aqueduto, que foi construído durante os séculos I e II, no reinado de imperadores romanos. O que resta ainda hoje possui 29 metros de altura e 728 de longitude, tudo feito com blocos de granito. Para seus arcos, as pedras foram cuidadosamente anguladas para que em sua disposição ficassem autoportantes.

Enfim Barcelona!!! A capital do modernismo que além de seu futebol colossal, onde já jogaram figuras como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Maradona e outros, foi a cidade onde viveu e trabalhou Antoni Gaudí, o tão admirado arquiteto catalão que buscava suas inspirações para suas grandes obras na natureza.

A mais expressiva destas obras e que tivemos a oportunidade de visitar é a Templo Expiatório da Sagrada Família, indescritível construção que este arquiteto não vira acabada, nem nós, pois a obra que começou em 1882, será concluída somente em 2020. Gaudi idealizou sua estrutura como se fosse uma floresta, com um conjunto de colunas arvorecentes divididas em diversos ramos. Ao final da obra, o templo contará com 18 torres, sendo sua maior, dedicada a Jesus Cristo e esta terá nada menos que 170 metros de altura. Como uma tentativa de descrever a grandeza desta construção, estima-se que seu coro poderá levar 1.500 cantores, 700 crianças e 5 orgãos. Ao final da construção, prevê-se que a parte mais antiga já terá início a restauração.

Interior da Igreja Sagrada Família

Outras obras que firmavam seu estilo próprio foram as casas Batlló, Milá e o parque Güell as quais nos deixam ainda hoje surpresos pela ousadia, imaginem então em sua época, há mais de 100 anos atrás.

Em vez de cruzarmos da Espanha diretamente para a França, resolvemos fazer um pequeno detour e subimos as altas montanhas dos Pirineus para conhecermos o Principado de Andorra, país próspero devido o crescimento do turismo e por seu status de paraíso fiscal. Lá, deixamo-nos contaminar com seu povo, que atualmente é listado como tendo a maior expectativa de vida do mundo, 83.52 anos em média.

Nos Pirineus

O país é lindo, com suas montanhas nevadas e construções típicas, com muita pedra, madeira e flores sobre as janelas. Quando cruzamos sua única cidade e capital, Andorra la Velha, por acaso soubemos que o Tour de France estaria passando por aqui nos próximos dias.

Esta corrida já acontece desde 1903, e tem o objetivo de percorrer em bicicletas distâncias superiores a 3.000km no período de três semanas. Seu prestígio hoje é de ser um dos mais importantes eventos ciclísticos e os times que participam, fazem um perfeito trabalho de equipe, utilizando dos melhores ciclistas do mundo.

Tour de France

Nas montanhas, acima de 2.000 metros de altura, ao lado de uns 50 motorhomes que também aguardavam ansiosos pela passagem dos ciclistas, montamos nosso acampamento e como ainda tínhamos um tempo de espera, fomos caminhar num pasto aberto, atrás de uns cavalos da raça Bretão. Eram quase 30, lindos, fortes, enormes na verdade!!! A aproximação foi bem devagar, com receio que eles iriam fugir... mas que nada, não sabemos se já vimos animais tão dóceis em toda vida. No final da brincadeira, já estávamos deitados na grama com os potros ou até mesmo com eles em nosso colo.

Logo o Tour de France passou, envolvendo muita, mas muita gente, entre patrocinadores, carros de apoio, carros alegóricos, os ciclistas e espectadores e nós os assistimos tudo de camarote. Muito legal!

A chic cidade de Nice

Nossa primeira passagem pela França foi devagar, quase parando, com os congestionamentos nas cidades litorâneas do Cotê D’azur (Costa Azul). Também chamada de Riviera Francesa, esta região é considerada uma das áreas mais luxuosas, caras e sofisticadas do mundo, então, desta vez, não é pro nosso bico.

Por fim, entramos em um território de 2 quilômetros quadrados que possui a maior densidade populacional. Trata-se do Principado de Mônaco, segundo menor país do mundo e sede de um GP de Formula 1, que foi vencido por Ayrton Senna do Brasil somente nos anos de 87, 89, 90, 91, 92 e 93. Sua fama foi tão grande que Ayrton passou a ser conhecido por “rei de Mônaco”, dando a ele até o direito de quebrar protocolo, quando diversas vezes deu banho de champagne na família real.

Mônaco é um país de um clima vibrante e intenso. E isso se dá ao fato, talvez, de vezes estarmos dirigindo em um circuito de F1; ou encontrarmos pelas ruas inúmeras Ferraris, Rolls-Roys e outros; pelos barcos milionários ancorados frente ao cais; ou mesmo pela arquitetura e localidade da cidade, que esbanja beleza e riqueza pra todos os lados.

Vista do Principado de Mônaco

Quando saímos de Mônaco, andamos por mais alguns quilômetros na França e exatamente na borda com a Itália, ao lado de diversos outros motorhomes, paramos para passar mais uma noite e tentar fazer um back-up de tudo o que vimos nesses últimos dias aqui na Europa. Haja espaço em nossos discos rígidos.

Até a próxima!!!

  
  

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