O Reino da Suazilândia

Pequeno em tamanho, mas rico em conteúdo!

  
  
Baia de Maputo, ainda em Mocambique

O Reino da Suazilândia é um dos menores países africanos e uma das poucas monarquias remanescentes no continente. Seu revelo montanhoso é coberto por savanas e pastagens e não é por menos que é chamado de “Suíça Africana”. Apesar do reinado ser muito desenvolvido, a saúde pública enfrenta uma catástrofe: 43% de sua população é portadora do vírus da AIDS (um terço da população adulta e cerca de 60.000 crianças), sendo a mais alta taxa de contaminação do mundo. De acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde suazilandês, estima-se que ¼ da população do país morrerá devido a doença até 2010 e atualmente 200.000 crianças já são órfãs de um ou ambos os pais por causa da AIDS. As Nações Unidas anunciaram que se nada for feito a respeito, a população suazilandesa poderá ser extinta até 2050. Esses dados resultam em um grande declínio econômico e em instabilidade social, onde 2/3 da população vive com menos de 1,00 dólar por dia e 25% dependem de comida doada por instituições.

Apesar de a monarquia possuir seus problemas, seus cidadãos possuem um grande sentimento nacionalista, além de serem muito amigáveis e pacíficos. Uma curiosidade é que a sociedade, patriarcal e formada por clãs, admite a poligamia. O rei Mswati III, anualmente durante o festival de Umhlanga (Reed), escolhe uma nova virgem para ser sua esposa.

A caminho da Suazilandia, a Suica Africana

Falando agora um pouco sobre nossas experiências...

Os três últimos dias em Moçambique foram muito saborosos. Estávamos ainda em Maputo na casa da D. Maria João e da Melissa, conhecendo um pouco mais da vida dos moçambicanos e ganhando mais uns quilinhos antes de sair do país. Deixamos a casa de nossas amigas com o intuito de visitar mais uma praia em Moçambique, mas mudanças de planos no meio do caminho nos fizeram pegar a direita, e em poucos quilômetros já estávamos na borda com a Suazilândia.

Reserva de Animais Mbuluzi

Entramos em território suazilandês pelo quente nordeste, região que fica aos pés das Montanhas Lebombo e malmente entramos, já percebamos uma grande mudança no entorno. A paisagem ficou muito verde, as rodovias impecáveis, as pessoas transpareciam ser bem mais tranqüilas... parecia que estávamos na Suíça mesmo, como muitos nos descreveram.

A imagem mais procurada na Africa

O primeiro lugar que visitamos foi a Reserva de Animais Mbuluzi, onde pudemos pescar, fazer caminhadas e dirigir por suas trilhas em busca dos diversos animais que habitam o território. A reserva é perfeita para ver muitas girafas e kudus, mas também é possível de se achar entre a densa vegetação: gnus, zebras, nialas, impalas, macacos, warthogs, cágados e besouros roladores de bolas de fezes de animais. O camping, nem se fala... um dos melhores campings em reservas que já ficamos. Mas não pensem que estamos falando isso só porque ganhamos uma noite de graça se divulgássemos o local, viu? Mesmo antes de seu proprietário nos fazer a oferta, já tínhamos uma opinião formada.

Em seguida, como se tivéssemos praticamente pulado a cerca, visitamos, ao lado, o Parque Nacional Hlane Royal. Lá, fomos em busca de um animal bem maior, o último dos “BIG 5” (5 Maiores) que nos faltava ver: o rinocerontes. Comentamos que se não víssemos nenhum rino, ficaríamos mais uma dia no parque. Mas quem disse que não os veríamos? Vimos mais de 15, incluindo um filhote, e foi de se cansar de vê-los. Vale ressaltar aqui, que existem duas espécies de rinocerontes: o branco e o preto. O que vimos aqui era o branco, cuja característica principal é a boca larga, quando que o preto possui boca triangular. Como curiosidade, então, não é a cor que os diferencia.

Parque Nacional Hlane Royal

Em Manzini, a atração foi ir ao supermercado e ver que além de mais opções de produtos, os preços caíram drasticamente. Isso deve-se a proximidade da Suazilândia com o maior produtor de alimentos do continente africano, a África do Sul. Que alegria foi comprar carne, queijo, atum, iogurte... tivemos que nos controlar para não comprarmos só por comprar e mesmo assim, saímos com o carrinho cheio.

Com a despensa reabastecida, seguimos sentido a capital Mbabane. A cidade localiza-se numa região montanhosa e muito bonita, acima dos 1.000m de altitude, porém, não sabemos porque, mas não tiramos nenhuma foto de lá. Seguimos então para as redondezas, onde visitamos os Vales Malkerns e Ezulwini. No segundo, pegamos estradas alternativas que não sabíamos onde iríamos sair e muitas vezes caímos em estradas sem saídas. No final, acabamos fazendo o dobro de quilometragem que faríamos se tivéssemos ido pela rodovia principal, mas é nessas pequenas e belas estradas que vemos o país mais de perto, assim como sua realidade.

Vale Malkerns

No noroeste do reinado, nosso objetivo era visitar a Reserva Natural Malolotja, mas o tempo não ajudou e uma chuvona despencou do céu enquanto os relâmpagos transformavam a noite em dia. Com aquele mal tempo, percebemos que se pagássemos para entrar naquele dia, acabaríamos não aproveitando nada da reserva e decidimos seguir viagem. Estávamos ambos com peso na consciência de não termos visitado o Malolotja, pois a paisagem parecia ser mesmo espetacular.

Um pouco antes da cidade mineira de Bulembu, paramos para tomar um café da tarde apreciando as belezas da região e assim que desligamos o carro, vimos que dali não sairíamos mais e que este seria o lugar de nosso acampamento. Já estava quase escurecendo, quando um carro parou ao nosso lado e saiu um sujeito nos perguntando se iríamos dormir ali mesmo. Ele falou que não nos aconselhava e ofereceu para dormirmos em sua casa, na cidade de Bulembu. Relutamos um pouco, mas logo aceitamos o convite e foi assim que conhecemos o engraçado e falador sul-africano George. Ficar em sua casa, além de sua ótima companhia, foi uma oportunidade de conhecer melhor essa pequenina cidade.

Chegando na reserva natural Malolotja

A cidade de Bulembu foi construída em 1936 para abrigar os trabalhadores de uma mina de asbestos. Após o fechamento da mina, seus 10.000 empregados partiram e suas coloridas casas de ferro corrugado, em estilo Art Deco, ficaram abandonadas entre as altas montanhas da região. Atualmente, ela é uma cidade particular com fins não lucrativos e pretende-se torná-la um refúgio para crianças e viúvas, proporcionando esperança, ajuda e um crescimento auto-sustentável para a comunidade. Bulembu possui apenas algumas centenas de habitantes e ficamos surpresos pela quantidade de pessoas, especialmente jovens, trabalhando na reforma da cidadela. Nosso amigo George mora lá de graça e a única condição para isso, é que ele cuide da casa em que está morando. A tranqüilidade do lugar é tanta, que ele nem se preocupa em fechar sua casa quando sai para trabalhar.

George, nosso anfitriao em Bulembu

No dia seguinte, acordamos com um tempo pra ninguém botar defeito. Acabamos não resistindo e voltamos cerca de 50km até a Reserva Natural de Malolotja.

A região é, em sua maioria, composta por verdes altas montanhas (acima dos 1.500m de altitude) e ainda existem grandes áreas inexploradas. Uma das melhores maneiras para desbravar suas belezas é a pé, pelos mais de 200km de trilhas que a reserva oferece. Decidimos fazer alguns quilômetros de carro e outros caminhando até uma exótica cachoeira que despenca de paredões rochosos vale abaixo. O visual compensou nosso retorno e por entre estas montanhas e vales de se perder de vista, vimos os pequenos antílopes blesbocks, diversas e coloridas flores selvagens e muitas espécies de aves.

Bulembu, cidade particular sendo reformada

Depois de estarmos com a sensação de missão cumprida na Suazilândia, seguimos nosso rumo para a África do Sul. Parece que entramos há pouco tempo na África e quem diria que já chegamos no país mais ao sul do continente.

  
  

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