Sul da Nova Zelândia

Quanto mais ao sul viajamos, mais tarde o sol nasce e mais cedo o sol se põe, sem contar o frio que está aumentando...

  
  
Caminhada de + 40km no Abel Tasman National Park

Entramos na Ilha Sul por Picton (Noroeste) e rumamos para Nelson, cidade que cedia o Abel Tasman National Park, que é considerado o menor e o mais bonito parque nacional do país... além, é claro, de guardar em um museu da cidade o anel mais conhecido do mundo – o anel que fora utilizado no filme Senhor dos Anéis. Mas nosso grande objetivo nesta região era mesmo fazer uma caminhada, que passaria dos 40 km, pelas belezas do parque que acima citamos.

Abel Tasman, navegador e explorador holandês, dirigiu uma importante viagem de exploração pelo Oceano Índico e sul do Pacífico em busca de comércio e ouro, além da busca de uma possível rota para o Chile e, em 1642, numa viagem que tinha como objetivo descobrir a Austrália, foi o primeiro europeu a avistar a Tasmânia e a Nova Zelândia. Porém, na Nova Zelândia, quando Abel ameaçou desembarcar no que hoje é o Parque Abel Tasman, um de seus tripulantes foi morto pelos Maoris, o que fez com que recuasse sem ao menos fincar a bandeira Holandesa neste país. Em 1769 o capitão James Cook o fizera, introduzindo assim a colonização inglesa nestas novas terras.

Fisherman Island

Devido a suas conquistas, Tasman deu seu nome ao Mar da Tasmânia (entre NZ e Austrália), a este importante Parque Nacional na Nova Zelândia e à Ilha Van Diemen's Land que hoje é chamada Tasmânia. Além disso, o maior e o segundo maior pico da Nova Zelândia se chamam, respectivamente, Mont Cook e Mont Tasman.

Quanto a nossa caminhada, a mesma começou em Marahau. E com o objetivo de cumprir 20,2 km naquele dia, seguimos uma trilha muito bem cuidada e sinalizada e todo o trajeto foi muito bonito, contrastando os verdes e florestas com o azul do mar! Vezes estávamos em um mato fechado, passando também por alguns penhascos, e vezes cruzávamos imensas praias inóspitas.

Torrent Bay

Existe algo aqui que merece destaque: as enormes baías, que quando maré baixa, geram um imenso banco de areia e, apenas 6 horas mais tarde, com a maré alta, tudo é mar novamente! Passamos por várias destas baías, porém uma nos deu um imenso cansaço! Como não sabíamos ao certo o horário da maré baixa, não nos preocupamos e caminhávamos sem muita pressa apreciando o visual e tirando algumas fotos. Quando chegamos à Baía Torrent, vimos que a maré já estava subindo, porém mesmo assim tentamos cruzar aqueles 900 metros de areia. A maré continuava subindo e de uma forma perceptível. De repente, no meio do caminho, nos deparamos com um rio que já estava a uma profundidade não transponível, então tivemos que voltar. Quando voltamos, nos surpreendeu o quanto que o mar tinha subido... Estávamos quase ilhados!! O pior da história é que a trilha que desviava aquela baía nos fez andar quase 5km a mais. Pra acompanhar o desvio, ainda choveu e esfriou muito! Chegamos ao local planejado (Bark Bay) quando já escurecia, tendo caminhado 24,3km.

Bark Bay, onde passamos nossa primeira noite

No segundo e terceiro dia caminhamos apreciando praticamente o mesmo visual e fizemos, em quilômetros, 11,4 e 5,5. No abrigo que dormimos na última noite, chamado de Awaroa Hut, quando já estávamos dormindo, um guarda parque chegou para pedir informações. Estavam em busca de um americano que se perdeu no parque. Muitas equipes de resgate trabalharam naquela noite e no outro dia para achar o infeliz, que em uma tentativa de não molhar os pés na Baía Awaroa, adentrou na floresta sem conseguir mais achar o caminho.

Mas dá para entender a decisão do americano em tentar desviar aquela baía, pois quando nós a cruzamos, foi de chorar em alemão devido o gelo que estava a água. Mas no final das contas, a caminhada foi super legal e cheia de surpresas...

Cruzando a Onetahuti Beach

Eric, Sebastian, Pilar, Mathias e Myriam, foram as amizades que fizemos na caminhada!!!

Eric, um suíço, e Sebastian, um francês, são velejadores e que também estão dando a volta ao mundo... Estivemos com eles e também na presença da divertida espanhola Pilar por praticamente dois dias, onde fizemos, no barco do Eric, duas belas jantas e um cafézão da manhã. Durante o dia, caminhamos pela Golden Bay passando pelo Farewell Spit, Fossil Point, Wharariqui Beach e finalmente Cape Farewell.

O Cabo Farewell, ponto extremo norte da ilha sul, é um ponto importante para os velejadores, pois é esse o último sinal de terra que os mesmos avistam quando partem sentido Austrália ou Europa, cruzando o oceano Índico. Nessa caminhada o que nos marcou foi o vento vindo do oeste. Impressionante! Chegava a nos empurrar para o lado. Mas aqui isso é algo normal, como já descrevemos no diário anterior sobre os Roaring Fourties, ou seja, 40 graus de latitude sul gritantes!!! Nessa latitude começam, em volta do mundo todo, ventos muito fortes pois praticamente não existe terra como obstáculo deixando caminho livre ventar. Nos 50 graus, mais ou menos 1000 km ao sul, são ainda mais fortes. Velejadores costumam evitá-los, com exceção dos mais corajosos que cruzam, por exemplo, o Cabo Horn (América do Sul), que fica a 53 graus sul.

Cruzando a Awaroa Bay. Agua congelante!!!

Imaginem que uma vaca, que estava em nossa frente no Cabo Farewell, mijou e seu xixi sequer encostou no chão... Sério, o xixizão chegou a subir e voou para o mar, hua, hua, hua... Além das vacas, vimos carneiros (pra variar) focas e algumas das 90 espécies de aves que habitam o santuário do Farewell Spit, algumas migratórias, que vem do Alasca percorrendo mais de 12.000km.

Despedimos-nos destes amigos e rumamos ao sul. Visitamos a Lagoa Rotoroa, no Nelson Lakes National Park e passamos uma noite em Westport. Dali pra baixo, uma série de atrações fizeram parte do nosso dia a dia.

Nosso ponto final, a praia de Totaranui...

Em Punakaiki existem as Pancake Rocks (rochas em formato de panquecas) com seus Blowholes (buracos por pancadas) resultantes de um processo químico. Anos atrás camadas de lama de calcário foram depositadas no leito marinho e foram sobrepostas por uma frágil camada de lama e argila. O leito marinho foi inclinado e erguido para formar os penhascos. Os Blowholes surgiram devido ao constante bater das ondas nessas estruturas. O mar entra nas cavernas causando pressão, o que resulta em uma espécie de gêiser. Evitamos, neste dia, explorar mais ao fundo a caverna Punakaiki, pois a luz de nossa lanterna caia em nossos pés!

Seguindo mais ao sul, começaram a aparecer os Glaciares, que são grandes e espessas massas de gelo formadas por camadas sucessivas de neve compactada e recristalizada, de várias épocas, que se deslocam lentamente relevo abaixo provocando erosão e sedimentação glacial. É interessante que esses glaciares podem atingir quilômetros de extensão, assim como sua espessura, que também pode apresentar a faixa de quilômetros. Visitamos os Glaciares Franz Josef e Fox. No caminho do primeiro glaciar nos divertimos muito com dois americanos que conhecemos. Várias sinalizações de “perigo” fazem com que muitas pessoas deixem de ver aquela imensa estrutura congelada de perto. É algo impressionante que possui, inclusive, um rio que brota de seu interior.

voltamos de Aquataxi

Valeu a pena também a caminhada de 2 horas que fizemos ao redor do Lago Mathenson, com sua água cristalina e totalmente parada devido a ausência de ventos, o que o torna ainda mais bonito, pois pode refletir o Mount Cook e o Mount Tasman.

Neste dia, reencontramos nossos amigos alemães Mathias e Myriam, que conhecemos no Parque Abel Tasman. Passamos dois dias juntos e aproveitamos para fazer um carneiro ao alho e óleo e com umas pitadas de chilli.

Estamos em Wanaka, cidade situada as margens do quarto maior lago do país, o lago Wanaka, e a previsão do tempo não é boa. Chuva para os próximos 4 dias acompanhado de neve nos morros acima de 900 metros de altitude.

Tentando caminhar contra o vento

Os 10 dias que ainda viajaremos pela Nova Zelândia ficarão para o próximo capítulo de “Mundo por Terra”, no diário de bordo número 13... não percam!

PS 1 – Em Westport, ao lado da praça principal, existe o banheiro mais automático do planeta. Só falta falar! A porta de correr tranca através de um sensor que ativa uma trava automática. Depois de você ta, ta, ta, ta, la, la, la, você encosta em um botãozinho para automaticamente o papel higiênico desenrolar. Para lavar as mãos, automaticamente claro, você coloca suas mãos em um vão onde são despejadas umas gotas de sabonete... seguidas de um jato de água e após o secador. Tudo automático... O mais legal é que não tem cordinha de descarga. Quando você aperta no sensor para abrir a porta, a descarga aciona automaticamente. Acreditem, o medo de trancar a porta aconteceu...

Glaciar Franz Joseph

PS 2 – Após uma tentativa frustrada e umas aulas de padaria com a Myriam, nossa amiga alemã, fizemos nosso primeiro pão. Um sucesso, só perde para o da Celine!!!

PS 3 – Para os amantes do tomate, a Nova Zelândia não é o melhor lugar, pois existem lugares onde o quilo custa 10 dólares neozelandeses, que equivalem a uns 15 reais.

  
  

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