Blogs > Naiana Natureza > Viagens Nacionais >Amazônia no Meio do Mundo - Turismo Cultural no AmapáA maravilha de navegar nas águas do Rio Amazonas, pisar na Linha do Equador e chegar na Floresta Amazônica de trem! Amazônia no Meio do Mundo é o roteiro turístico lançado no Salão do Turismo, e eu fui conferir ao vivo!11 de Outubro de 2009. Publicado por Naiana Natureza ![]() Serra do Navio, Floresta Amazônica, Amapá, Brasil em plena Floresta Amazônica Amigos leitores, só a poesia poderia traduzir tamanha beleza, não sou poeta, mas tentarei contar a maravilha de pisar na linha do equador, navegar nas águas do Rio Amazonas e chegar na Floresta Amazônica de trem! Amazônia no Meio do Mundo é o roteiro turístico lançado no Salão do Turismo, e eu fui conferir ao vivo representando o EcoViagem a convite do SEBRAE Amapaense para a Fam Press. Para quem pensa que no Amapá só tem Oiapoque e Pororoca, surpresa! Foram 5 dias de pura magia muito além do esperado: turismo, história e cultura regados a belas paisagens. Chegamos diretamente no Ceta Ecotel, um verdadeiro recanto em meio à natureza com muito espaço ao ar livre, verde, apreciação de animais silvestres, arvores frutíferas e algumas iniciativas de turismo responsável para turistas que gostam de cuidar da natureza. Cidade de SantanaNa manhã do primeiro dia, conhecemos a Cidade de Santana a 25 km e 25 minutos do centro da capital, seus primeiros habitantes foram principalmente portugueses, mestiços oriundos do Pará e índios da nação Tucuju vindos de aldeamentos originários do Rio Negro, chefiados por Francisco Portilho de Melo, que fugiam das autoridades fiscais paraenses, por estarem atuando no comércio clandestino. Trilha ecológica na RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) REVECOMUma verdadeira lição de vida, um ensinamento de trabalhar por um mundo melhor com paixão, bom humor e força. No programa voluntário de cuidado aos animais, 360 criaturas de diferentes espécies da floresta Amazônica lá vivem para receber reabilitação e alimentação, pois são seres sem condições de voltar à selva por conseqüência de ferimentos e afastamento do seu habitat natural, geralmente oriundos da apreensão de tráfico de animais. A instituição recebe de crianças escolares a pós graduandos com atividades de educação e sensibilização ambiental, as crianças podem batizar os animais com direito a concurso para eleger os nomes mais criativos. Crianças da rede pública de ensino, melhor idade e deficientes físicos não pagam ingresso, a contribuição dos demais é revertida diretamente ao projeto. Nos 17 hectares do parque encontramos a diversidade da flora amazônica e uma micro bacia, o Igarapé da Mangueirinha com drenagem adequada para evitar insetos transmissores. A vegetação da área é composta por mata de terra firme, várzea e cerrado com acesso por 3 trilhas diferenciadas. A primeira trilha é leve, direcionada para altistas e melhor idade. A segunda, com 3 horas de duração é interpretativa com vegetação catalogada em braile e identificação de pedras para deficientes visuais, tendo a trilha largura ideal para cadeirantes. A terceira trilha com 6 horas de duração é para quem gosta de mais intensidade. Trilha curta ou longa, todas prometem “mais emoção”, ao visitar esse local, prepare seu coração para ver tartarugas desovando de 80 a 300 ovos/ano, anú branco alimentando filhote, onça, bicho preguiça educando seu filhotinho nas alturas da árvore, a experiência estética de testemunhar a dinâmica da vida com toda a propriedade da arquitetura divina. Paulo Roberto Amorim, proprietário da Reserva fundada há 11 anos, é médico, educador, teólogo e gestor ambiental, um exemplo da retórica cheia de alma instigando a reflexão social para que cada turista e estudante que passe por lá se permita ser um “cidadão planetário” praticante da ética ambiental: amor à vida, à natureza e ao próximo, explica o anfitrião. Seu inseparável cajado foi presente de um sábio e velho índio curado por ele na região da floresta amazônica, conta Paulo emocionado. GastronomiaSe já não bastasse, pudemos almoçar as margens de um braço do Amazonas visualizando comunidades ribeirinhas. A culinária Amapaense é muito exótica e saudável, até mesmo vegetarianos podem desfrutar da nutrição saborosa sem dificuldades de opção. O nome dos peixes nos remete as origens indígenas, tudo acompanhado pelo colorido das saladas e sucos de fruta. Macaxeira Urucum Taperebá Andiroba Macapaba Mandioca Carapanã Oiapoke Tucunaré Cupiuba Tirió Apalaí O AçaíUma curiosidade do ciclo do açaí é o aproveitamento versátil de toda sua planta, os frutos são extremamente nutritivos, o palmito é muito saboroso, mas evita-se seu consumo para não perder a produção regular dos frutos. De suas folhas faz-se artesanato e a peconha, uma espécie de corda que serve de alavanca nos pés para escalar o tronco e retirar os frutos. No manejo da colheita é sempre necessário o cuidado com a doença de chagas. No comércio de Macapá onde se avista uma bandeira vermelha, é sinal de açaí para saborear. Pudemos apreciar a chegada de açaí nos barcos pesqueiros na orla ao nascer do sol. Outra sugestão é visitar o Igarapé das Mulheres, antigo sítio das mulheres ribeirinhas lavarem roupa e fofocar, hoje um grande mercado a céu aberto que oferece artesanato, açaí, peixes frescos gigantes e muito mais. Vale chegar cedinho e conhecer um pouco das mais de 2.000 espécies de peixes catalogados e mais 1.000 espécies ainda não catalogadas do Rio Amazonas. River Tour pelo AmazonasApós o Turismo gastronômico, embarcamos na lancha para chegar ao barco que nos presenteou com o River Tour pelo maior rio do mundo em volume e extensão, o grande Amazonas que nasce na Cordilheira dos Andes, possui mais de 100 afluentes e detém a maior bacia hidrográfica do planeta, ultrapassando os 07 milhões de Km2. Alguns trechos podem ter até 50 metros de profundidade, é tanta água que existem navios de grande porte que inacreditavelmente adentram nesse Rio para roubar água! Parece que a equipe de guardiões do Rio é pequena e insuficiente para cuidar o necessário. O Amapá é o estado brasileiro mais preservado, por isso nessa matéria não economizarei palavras tanto para falar da beleza como para motivar-lhe a defender a preservação! Prestigiamos dentro do barco música a cultura popular local: o Marabaixo, ritmo-canto-dança desenvolvido pelos escravos nos navios negreiros. A expressão corporal retrata movimentos curtos e contraídos, memória celular manifestando as correntes e porão do navio negreiro que sufocavam amplitude de movimento, a roda da dança gira num único sentido para sincronizar o grupo e aproveitar ao máximo o pouco espaço. O nome é oriundo do procedimento adotado durante as travessias para se livrar dos corpos adoentados pelas epidemias que ao leito de morte eram despachados “mar a baixo”. Suas almas eram rezadas pelas ladainhas regadas a “Gengibirra”, bebida à base de cachaça, gengibre e açúcar. Hoje essa manifestação cultural já tem apresentações estilizadas com acompanhamento de violão e quaisquer instrumentos, mas nos primórdios somente voz e tambores na improvisação, criatividade e destreza dos “ladrões” cantadores que se desafiavam nos versos, tal como o partido alto carioca ou as emboladas pernabucanas. Tivemos a oportunidade de visitar os mais diversos atrativos que se escondem ao longo do maior rio do planeta: conheceremos algumas populações ribeirinhas, palafitas, passamos pelo antigo cais flutuante da ICOMI, empresa que se instalou no local em 1956, devido à descoberta de jazidas de manganês na Serra do Navio. O cais flutuante acompanha o movimento das marés, pela sua profundidade e fácil navegabilidade, permitindo assim o acesso de navios de grande porte. Localizado no histórico Porto de Santana recebe desde a década de 50 recebe toda a extração de minério que chega de trem da Serra do Navio para ser transportado mundo afora. Avistamos a Ilha de Santana, que fica ao extremo oposto da cidade de Santana, na margem esquerda no Rio Amazonas, segundo maior em população do Estado do Amapá. E foi sob a paisagem dos açaizeiros que nos direcionamos para avistar os botos que podem chegar a 2,5 m, dessa vez eles não apareceram pelos ruídos da euforia musical de nossa embarcação, mas pudemos ouvir a famosa lenda: Conta a crendice popular que existem duas espécies. Primeiro, o boto cor de rosa tido como bom, pois salva os afogados. Já o boto cinza, representante do mau que em noites enluaradas se transforma e um belo galanteador vestido de branco e aparece nas festas para conquistar moças indefesas, as leva para as profundezas do mar e ... Seja pelo perigo do boto cinza galanteador, ou por atrapalharem as redes de pesca, ou por ter utilidade comercial, a verdade é que muitos botos acabaram mortos, e hoje já não é tão fácil encontra-los. Casamento ComunitárioPara fechar o dia presenciamos o casamento comunitário com 200 casais na linha do Equador. Para o repouso merecido fomos ao Hotel Magnus, indico aos turistas que preferem o conforto urbano, e praticidade de hospedar-se no centro. O Centro de MacapáNo segundo dia dedicamos a nossa energia ao centro de Macapá, todos os pontos turísticos ficam muito próximos favorecendo o contato com a história e cultura da capital Amapaense. A Cidade já se chamou “Tucujulândia” em homenagem aos Índios Tucujús habitantes locais. Depois disso pela abundância da palmeira Bacaba (prima do açaí) surge o nome Macapaba, que simplificou-se para Macapá. Museu SacacaA palavra Sacaca significa em resumo para os índios, negros e ribeirinhos “sábio e curandeiro que conhece os segredos das florestas e cura através das plantas e garrafadas”. O museu recebe esse nome em homenagem ao homem que passou a ser chamado Sacaca por ter dedicado sua vida à cura com os saberes da floresta e orientações científicas recebidas. O Museu Sacaca retrata a realidade amazônica, a fauna e flora e seus habitantes: etnias indígenas, caboclos, ribeirinhos e castanheiros. Pudemos ver, tocar e sentir o perfume de árvores características como Pau Brasil, Canela e Bacaba. Anexo ao Museu encontra-se O Instituto de Pesquisa Científica e Tecnológica do Amapá que dedica-se exclusivamente ao patrimônio genético da Amazônia, sua a biodiversidade, biotecnologia, potencial de cura fitoterápica e patrimônio arqueológico. As pesquisas tiveram ponto de partida com 11 expedições ao Parque Nacional do Tumucumaque resgatando toda essa riqueza que hoje podemos desfrutar adquirindo na Farmácia fototerápica produtos biodegradáveis e sustentáveis com preços acessíveis. Destaca-se ainda o laboratório de Etimologia média que pesquisa prevenção e cura da doença de chagas, malária, dengue, leishmaniose. Podemos visualizar no mapa do estado a localização do fenômeno Pororoca, o encontro do Rio com Mar uma explosão da energia e poder da natureza apreciada pelos surfistas nas ondas gigantes de meia hora de duração. Interessante também a vela de Urucurí, repelente e inseticida natural. A planta que também é alimento passou a ser usado pelos ribeirinhos como repelente de insetos ao queimarem seu galho, o instituto evoluiu a tecnologia ribeirinha para confecção de velas. Conhecemos também a embarcação ribeirinha, na foto os guias da nossa semana no meio do mundo: Claudomir Fagundes e Sandro Borges, figuras de competência técnica, alegria, conhecimento profundo das pessoas, plantas e animais da Amazônia. Museu Histórico Joaquim Caetano da SilvaAs lentes focaram na antropologia amapaense, a trajetória dos povos ancestrais os Maracás da região de Mazagão e os Cunanís de Calçoene, bem como a evolução da história política, econômica e social. Sem dúvida que o grande encanto foi conhecer o legado das civilizações Maracá e Cunaní, suas Urnas funerárias descobertas nos sítios arqueológicos. Tais urnas são grandes vasos que guardam os ossos das lideranças das tribos como os Pajés e Caciques. Apresentam uma estética sem igual, esculturas antropofomórficas e zoomórficas. Segundo consta, esses primeiros habitantes amapaenses viveram no período dos Incas, Maias e Astecas. Hoje a beleza da iconografia e grafismos das esculturas das urnas são valorizadas e reproduzidas no artesanato e arquitetura o que preserva a memória histórica e a visão de mundo ancestral. Conhecemos também os relatos sobre Cabralzinho, o herói amapaense líder na defesa durante o conflito de território quando a atual região do Amapá foi invadida pelas Guianas Francesas. A região ficava esquecida até descobrirem que era rica em ouro, quando tornou-se cobiçada gerando o citado embate que foi definitivo para definir os limites de territoriais entre Brasil e França. Por sua importância, cabralzinho é o Patrono do Museu, que recebe seu nome. Feira do ProdutorNessa próxima parada apreciamos os coloridos e sabores expressando as frutas, peixes, raízes e verduras tradicionais da culinária local. Crianças lindas correndo para todos os lados e algumas em situação de risco social sendo amparadas por educadores sociais que lá estavam num bonito trabalho cadastrando, orientando e direcionando esses seres da futura geração. Casa do ArtesãoEla foi inaugurada pelo Governo do Estado no dia 30 de dezembro de 2005. É o maior centro do artesanato amapaense. Seu principal objetivo é fomentar a atividade artesanal no Estado e promover a geração de trabalho e renda para os artesãos locais, possibilitando assim, a exposição e a comercialização de seus produtos. O artesanato indígena também está presente, representado pelos trabalhos dos povos Waiãpi, Karipuna, Palikur, Galibi, Apalai, Waina, Tirió e Kaxuiana. Foi possível destacar a estética das urnas funerárias nas obras expostas. Na confecção das peças são utilizados vime, madeira, argila, fibra vegetal, sementes, penas, entre outros elementos retirados da natureza, sem impactar o meio ambiente. Fortaleza de São José do MacapáO tempo correu e logo estávamos passando pela orla para almoçar, que maravilha, 598 km de costa, orla beira mar que é beira rio. Isso mesmo, tamanha a força do Rio Amazonas que não deixa o mar chegar à costa. O mar fica longe atrás das ilhazinhas. Macapá é a única capital banhada pelo Amazonas. E num piscar de olhos desembarcamos na Fortaleza de São José de Macapá que foi erguida entre 1764 e 1782 pelas mãos de negros, índios e escravos da colonização portuguesa. No passado, tinha a função de garantir o domínio lusitano no extremo norte do Brasil. Nunca precisou entrar em combate, pois não houve conflitos. Já foi usado na prática como presídio, central de imprensa e quartel da guarda territorial. Vista de cima, a Fortaleza assemelha-se a uma estrela, pela disposição de seus quatro baluartes batizados de: Madre de Deus, São Pedro, Nossa Senhora da Conceição e São José. Na parte de dentro, encontram-se os prédios que abrigavam os antigos armazéns, capela, casa de oficiais e do comandante, casamatas, paiol e hospital; além dos elementos externos componentes do complexo, como revelim, redente, fosso seco e baterias baixas. Comunidade QuilombolaPara continuar o tour seguimos para a APA do Curiaú. Foi criada pelo Decreto Estadual 024 no ano de 1990, com o objetivo de proteger e conservar os recursos naturais e ambientais do local. A área demarcada fica cerca de 8 quilômetros de Macapá, e é habitada por comunidades formadas por antigos escravos remanescentes da construção da Fortaleza de Sâo José de Macapá que fugiram dos maus tratos, a condição sub humana da escravidão. A Vila do Curiaú é considerada um sítio histórico e ecológico cuja principal atividade econômica é a prática de agricultura de subsistência, artesanato, e o extrativismo vegetal e animal. Foi um grande presente conhecer seu Joaquim o líder quilombola, nos ensinou o processo da deliciosa farinha de mandioca, bem como a diferença entre mandioca e macaxeira. Figura incrível que não é padre, mas sabe rezar missa em latim! Força e esperança para manter as tradições das 300 famílias de sua comunidade, pois os jovens de lá, como em todo nosso país já não querem mais plantar, nem tão pouco receber a tradição oral da cultural popular. Ele nos falou da Festa de São Joaquim composta de vários rituais: o levantamento do mastro, da bandeira, a ladainha, a reza, a alvorada, missa, procissão e a melhor parte: a folia e o batuque. O batuque pudemos assistir, dançar e tocar durante a apresentação com as senhoras da comunidade, saias coloridas rodando no importante momento dessas pessoas sentirem-se sujeitos históricos, rainhas do palco, na arte livre um alimento para a motivação desse povo brasileiro que só quer paz pra trabalhar. A reserva ecológica tem uma área de 23 mil hectares abrangendo florestas, campos de várzeas e cerrado. Na reserva vivem cerca de 1.500 pessoas pertencentes a quatro comunidades: Curiaú de Dentro, Curiaú de Fora, Casa Grande e Curralinho. A estruturação para visitação proporcionou a prática de lazer e recreação para populações locais e para turistas do Estado. Pegamos o fim de tarde maravilhoso espelhando nas águas e ao fundo búfalos andando sem pressa. Obelisco na Linha do EquadorPara encerrar o dia prestigiamos o pôr do sol do obelisco, no Marco zero por onde passa a linha do equador que divide nosso amado planeta Terra. Exatamente no meio do mundo foi possível estar com um pé em cada hemisfério. Por sorte estávamos lá no dia 23 de setembro, dia do equinócio de primavera momento raro de visualizar os raios de sol passando por entre o obelisco e refletindo na linha do Equador. Isso acontece somente duas vezes ao ano, nos equinócios. Ao visitar esse fenômeno no seu turismo científico lembre-se de se informar com precisão o horário do equinócio e o horário da incidência do raio solar no obelisco, pois os 2 eventos são no mesmo dia, mas não necessariamente no mesmo horário. Para quem gosta de curtir a noite, na orla da capital encontramos diversos bares com músicas para todos os gostos: desde o estilo brega, o zooke uma dança sensual vinda da Guiana francesa, música regional incluindo o Marabaixo e ritmos do Pará, e até casas de Jazz, MPB, Chorinho e Bossa Nova. Depois de tanta atividade, nada como ter um sono de anjo no Atalanta Hotel que dispõe de uma infra-estrutura que se destaca. De Trem na Floresta AmazônicaNo dia seguinte pudemos fazer duas coisas raras ao mesmo tempo: andar de trem e estar na Amazônia, isso mesmo entrar de trem na Floresta Amazônica. Nove estados brasileiros guardam a floresta Amazônia e mais outros países, e é pelo Amapá que esse passeio inusitado se faz possível. Cerca de 73% do território do estado é coberto por essa floresta magnífica. Do centro de Macapá até a estação de trem, cerca de 30 minutos para seguirmos rumo à famosa Serra do Navio de trem em 5 horas de viagem, passando por Santana, Porto Grande e Pedra Branca. Esse trem transporta turistas, moradores e a extração de minério. Durante o percurso observamos algumas áreas de desmatamento, mas uma coisa muito boa nas casas das comunidades, a maioria com hortas lindas, uma herança da ancestralidade indígena, os boatos nos dizem que há cultivo catalogado de 43 espécies de mandioca! Mais uma castanheira no quintal, açaizeiros, peixe no rio... Uma forma auto sustentável de viver em harmonia com tudo o que a natureza tem para oferecer. Essas pessoas sabem que a natureza tem tudo o que realmente precisamos, o resto é somente o resto. Pessoas desfrutando de um viver simples foi convite a refletirmos sobre o que realmente precisamos! Serra do NavioA Serra do Navio é de grande importância para o estado, pois foi lá que se instalou a ICOMI. Construída em plena floresta amazônica no final da década de 50, planejada pelo arquiteto Oswaldo Bratke, a Serra do Navio configurou-se como uma verdadeira cidade de padrões modernos, com infraestrutura de saneamento básico, água tratada, energia elétrica, residências confortáveis, aliada a uma completa rede de atendimento sócio-cultural: escolas, hospital, cinema, áreas esportivas e recreativas dentre outras, tudo isto, sendo oferecido aos seus funcionários e dependentes, sob a administração da Industria de Comércio e Mineração – ICOMI. O tratamento de esgoto funciona até hoje. Como tal empresa era ligada a um grupo americano, as casas traduzem uma estética americanizada. A Vila de Serra do Navio permaneceu com este aspecto de “cidade-empresa” até a autonomia político-administrativa, conquistada a 1º de maio de 1992. Daí em diante a “Serra” passa da situação de empresa para o status de município. A Vila ficou praticamente abandonada quando a indústria saiu de sena. Há um ano o grupo Anglo que comprou a Antiga ICOMI já ativou as atividades de extração e a cidade voltou à ativa e a prefeitura está com todo um trabalho de restaurar a Vila. Logo que desembarcamos na cidade, conhecemos a antiga vila modelo onde moravam os funcionários e depois saímos a visitar aos antigos maquinários da Indústria e Comércio de Minérios, que durante meio século explorou as jazidas de manganês da Serra no Navio. Seguimos então para uma visita à Lagoa Azul, uma das atrações obrigatórias no passeio à Serra do Navio, devido à impressionante beleza da cor de suas águas, um jogo de cores sem igual. O local que hoje é a lagoa, no passado foi uma montanha de manganês que hoje após a extração é um grande buraco com profundidade que varia de 45 a 95 metros cheios de água da chuva. Por não ter fundo barrento o efeito piscina traz o azul celestial. Há boatos da toxidade de sua água, mas a secretaria municipal de turismo já fez análise da água, a população local está sempre a se banhar lá e não á registros de problemas de saúde associados. A vegetação no entorno é linda e os pássaros vivem por lá, com tantos indícios da qualidade da água, não resisti e aproveitei um belo banho com céu ensolarado. Fomos então para a pousada Borboleta, localizado na comunidade do Cachaço, fizemos check-in e mais um banho de rio no quintal amazônido da pousada, com direito a interagir com pássaros da floresta que vivem soltos por lá. Os turistas mais empolgados puderam pintar-se com o urucum do jardim. Após o jantar prestigiamos apresentações culturais que alegraram a finalização de mais um dia. Uma dica especial é apreciar o céu amapaense, pois é possível visualizar, estrelas, planetas e constelações que não dão o ar da graça longe do meio do mundo. O dia amanhece com uma paisagem extraordinária, uma neblina de ar puro, fresco e branquinho que desfila até lá pelas 6:30 da manhã. Depois do café da manhã fomos conhecer a Corredeira da Pedra Preta, para tanto atravessamos o Rio Amaparí com o Barco Popopó da Amazônia, embarcação tradicional construída pela biotecnologia dos Ribeirinhos, Conhecemos moradores ribeirinhos e sua palafitas. De lá para a Corredeira do Cachaço com mais um delicioso banho de Rio dentro da floresta amazônica. Nessa época do ano que estive lá, setembro, a região está em seca, de modo que as corredeiras têm volume baixo. Mas por outro lado é período ideal para quem gosta de pescar, muito embora alguns trechos de Rio não têm peixe como efeito colateral de garimpos clandestinos e da extração de minérios muito intensiva. Para quem gosta de trilhas é possível caminhar na floresta amazônica na linha de aventura com roteiros de 1 a 6 horas acompanhado de guias turísticos e também os “mateiros” que são caçadores, pessoas incríveis que conhecem os mistérios da floresta e foram treinados para conduzir os turistas. Mato para desbravar é que não falta, pois são 607 mil Km2 de terras indígenas no Amapá, com destaque para os índios Waiãpi, nômades que constroem casas altas para protegerem-se dos animais. E ao andar pela floresta, caso encontre uma cruz de pau, não ultrapasse, a cruz é uma demarcação de território e quem seguir em frente será considerado invasor de território indígena. A Serra do Navio além de ser a é também a porta de entrada para o Parque Nacional do Tumucumaque – o maior parque de floresta tropical do mundo - abriga o Parque Municipal do Cancão com castanheiras, cachoeiras e uma natureza exuberante que ganhou premio de preservação. O turismo na região está nascendo, mas observa-se um grande potencial não só para apreciação das belezas, como também para projetar futuramente rafting, tiroleza e demais atividades de Turismo de Aventura. Retornando de Carro para MacapáO Retorno para Macapá foi de Carro, total de 192 km, sendo 90 km de estrada de chão apreciando a floresta até chegar ao asfalto. Fomos parando nos municípios que oferecem pontos turísticos. Porto GrandePrimeira parada em Porto Grande, município localizado a 110 km de Macapá, o acesso é fácil e rápido. Há opção de banho e passeio de barco pelo Rio Araguari e trilha ecológica no Recanto dos Pássaros com a oportunidade de visualizar a fauna e a flora amazônica, além dos belos pássaros típicos da região, em uma floresta de mata virgem. Ferreira GomesFoi a segunda parada, dentro dos seus limites municipais que se situa a hidrelétrica Coaracy Nunes, onde acontece o fenômeno da pororoca. Entre as inúmeras e exuberantes espécies florestais, existem em abundância ainda o Angelim, o Acapu, a Andiroba, a Acariquara, a Cupiúba, a Maçaramduba e a Quaruba. Na cidade é possível banhar-se nas águas do Rio Araguari e conhecer o belíssimo Hotel Thassu’s, opção para quem gosta de conforto, requinte e natureza. Reflexão EcológicaVale lembrar que algumas unidades de conservação, projetos de manejo e oficinas de reaproveitamento de madeira inibiram degradação do Amapá e da floresta amazônica abrigada no estado, mas ainda assim tivemos a tristeza de observar áreas de desmatamento no entorno dos trilhos e estradas, foco de retirada de areia, e a própria prática de reflorestamento de pinheiro e eucalipto para fabricação de celulose que na verdade acontecem em áreas que primeiro foram desmatadas antes de precisar de reflorestamento! Ai Brasil, vamos cuidar da natureza, a maior herança que poderemos deixar para as futuras gerações, e que lhes é de direito. Por outro lado observamos práticas de responsabilidade e sustentabilidade turística, por ter na Serra do Navio e Macapá turismo de base comunitária com inserção da população, sua cultura, sabedoria e artesanato. As agências receptivas que nos atenderam trabalham com a sensibilização e educação ambiental dos turistas e população local, isso é muito bom e me motiva a voltar ao Amapá, certa de extasiar meus cinco sentidos com a beleza, e tranqüilizar a consciência por observar iniciativas que respeitam Gaia. Mais para conhecerComo nosso tempo foi curto, ainda faltou conhecer dentre outros atrativos o Estádio Milton Corrêa, também conhecido como "Zerão” no qual a linha de meio-de-campo coincide exatamente com a Linha do Equador, fazendo com que cada time jogue em um hemisfério. A Praia da Fazendinha em Macapá e a Cachoeira de Santo Antônio no Laranjal do Jarí na divisa entre Amapá e Pará também ficaram para a próxima viagem. E vale retornar também para prestigiar a Festa do encontro dos tambores em 23 de novembro dia de Zumbí do Palmares, a grande exibição da cultura local. Outra festa tradicional em Mazagão que eu quero voltar para visitar em julho é a Festa de São Thiago que simula a guerra entre Mouros e Cristãos disputando a hegemonia da fé no continente africano sob domínio português, remetendo as influencias da colonização na localidade Amapaense. Vá ao Amapá, se apaixone pela Amazônia, cuide da natureza, escute os tambores, dance com nossa ancestralidade cabocla e receba pulsando essa energia que alimenta a alma! Um abraço no coração! Naiana. Obrigada Chico Terra e Washington Queiroz por enviarem seus clicks certeiros ao EcoViagem! ServiçosImagens e Notícias da Amazônia Agencias receptivas que nos receberam com conhecimento e segurança - Guaratur Hotéis - Atalanta Hotel - Ceta Ecotel - Guara Apart Hotel Na Serra do Navio: Pousada Borboleta Pousada Santa Bárbara |
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