A Busca por Dom Guilhermo em Caracaraí - Manaus

Tomamos um maravilhoso café e seguimos para a nossa aventura: conhecer o Guilhermo

  
  

A pior estrada de toda nossa viagem, isto mesmo, acreditem se quiser! Trecho Boa Vista - Manaus é o caos do caos, crateras gigantescas! E, ainda reclamávamos das estradas da América Central... aquilo era o paraíso comparada a esta, no Brasil. Parece piada!

...Antes de colocarmos o pé na estrada, levamos um susto! Levei um tombo no banheiro do hotel, meus dedos do pé ficaram presos no trilho do box, então cai por cima da minha perna, foi um tombo feio, o Cláudio ficou desesperado, não sabia o que fazer, me abraçava, andava de um lado pro outro atrás de gelo ou água gelada, até que eu tive que acalmá-lo... Depois de chorar de dor disse que já estava passando e que era para ele ficar calmo que eu já estava sentindo a perna... ficou mais aliviado! Mas, disse: "só faltava essa no fim da viagem!!!!"

Bem, só com uns roxinhos nos dedos do pé, tomamos um maravilhoso café e seguimos para a nossa aventura: conhecer o Guilhermo, sim foi uma aventura...

Cidade de Dom Guilhermo

Chegamos à Caracaraí, um povoado com uns poucos mil habitantes, achamos que seria fácil encontrar o Sr. Guilhermo, já que era uma cidade pequena e todos deveriam conhecê-lo; primeiro perguntamos a uns policiais, os mesmos nos levaram a possível residência dele, uma casinha bem pobrezinha, de madeira, no fundo de um restaurante. Ele não estava mais ali, talvez numa outra casa ali perto..., fomos nós e nada. A polícia então nos abandonou e disse para irmos até o Asilo da cidade. No caminho, paramos na Fundação Cultural para perguntarmos, pensamos que ali seria mais provável alguém conhecê-lo, sempre mostrávamos o livro com uma foto dele... "Ah o Sr. Guilhermo, o nosso juiz de futebol, não sei não, talvez ele esteja no asilo, mas o asilo está em obras e mudou para o lugar tal..." Tínhamos o telefone de uma menina que mora aqui e talvez soubesse onde ele está, resolvemos ligar para ela, e a mesma nos mandou ir no lugar onde já havíamos estado, percebemos isto quando voltamos lá, já estávamos desistindo, que cansaço, foi quando a mulher do restaurante disse-nos que ele estaria morando na "estância imaculada"..., fomos nós procurar a tal estância, ali nos mandaram numa casa a frente, nada do Sr. ou Dom Guilhermo como era mais conhecido. Ligamos novamente para a menina da cidade, mas ela disse que realmente não sabia... Resolvemos, então ir embora, com um grande pesar..., na saída da cidade havia um posto de gasolina e, ali resolvemos perguntar novamente, o rapaz nos disse que ele não estava morando ali e sim em Boa Vista, explicamos tudo para ele, foi quando nos ensinou a chegar no asilo, os nossos olhos voltaram a brilhar, fomos nós ao asilo, chegando lá uma senhora disse com firmeza que ele estava morando num quartinho nos fundos de um restaurante que todo mundo conhecia, paramos em frente a este restaurante e perguntamos, o homem já foi logo dizendo que não, não nos convencendo mostramos o livro; "ah, ele mora aqui sim, lá trás, num quartinho" e mandou uma criança nos levar..., felizes da vida fomos nós, finalmente!!!!!!

Encontro com Dom Guilhermo

A cena não foi muito agradável, ele estava deitado em uma cama caindo aos pedaços, um quarto sujo e fedendo a urina, rodeado de papéis e um grande mapa mundo, nos apresentamos e fomos muito bem recebidos, mandou a menina nos trazer cadeiras para sentarmos e, então, passamos o fim da manhã ouvindo suas impressionantes histórias e o mais incrível, ainda fala muito bem e com uma memória invejável. Perguntamos a ele se estava feliz ali, naquele lugar, ele nos respondeu que não, achava que não era bem tratado, me deu uma vontade enorme de tirá-lo dali de levá-lo conosco, mas sabíamos que não era isto que ele queria, pois a senhora que cuida dos quartos, disse que ele não deixava limpar e nem mexer em suas coisas, ou seja, teria que ser do jeito dele, livre como ele é! Enfim, cada um escreve a sua história e dá o fim que ela merece!

Ficamos surpresos e tristes, pois as pessoas nem sabiam que havia um livro sobre ele e nem tão pouco sobre sua trajetória e, nós, como loucos, atrás desta rara figura humana, que ironia! Se recuperando de um acidente, nos disse que estará sempre aprendendo e que a morte não gera nenhuma preocupação.

Infelizmente, o Cláudio teve que interrompê-lo, pois ficaríamos ali ouvindo por dias e ele falando com todo entusiasmo. Pois iríamos enfrentar uma estrada terrível até Manaus, 600 km. Mais uma despedida... por que este é um ato tão difícil?

Seguimos pela terrível estrada, a pior de toda viagem, realmente uma vergonha e total desrespeito com o povo brasileiro, ficamos indignados. Uma mata fechada quase tomando conta da estrada, placas a todo tempo avisando que era uma reserva indígena dos "waimiri atroari" e que só era permitido trafegar entre 6:00h e 18:00h, pois a partir deste horário eles costumavam caçar, também avisavam que era proibido parar em qualquer parte da estrada. Ficamos apreensivos e interrogativos!

Chegamos a Manaus no início da noite, paramos num posto de gasolina e um carioca nos deu a dica de como andar sem mapa na cidade de 2 milhões de habitantes. Lá fomos nós para o centro atrás de um hotel, ficamos espantados, pois já havia carnaval, as ruas estavam cheias, o trânsito caótico, fomos a uns 4 hotéis e nada, além de caros eram horrorosos, o melhorzinho era um 5 estrelas, foi neste que perguntamos se não havia um bom hotel fora do centro. Nos indicou o Ibis, ufa, amamos!!!! Agora com um mapinha, fomos nós para o Distrito Industrial onde ficam os melhores hotéis da cidade. Encontramos o Ibis, que felicidade!!!! Quando saio do carro e escuto alguém dizer: "ô Joyce o que você está fazendo perdida aqui uai?" Não acreditamos, não era possível ou era, estavam lá os mineirinhos sentadinhos no café do Ibis... Que surpresa maravilhosa!!!!! Cansadíssimos, sentamos e fomos saber o que eles estavam fazendo perdidos ali, rsrsrs. Eles estavam aguardando o "Bodinho" chegar para embarcarem na balsa para Belém, já estava tudo certo, o Cláudio louco já queria ir junto, vimos se havia vaga, não havia, melhor, pois eu queria descansar!!!! Estava com eles um casal de Boa Vista, muito querido, nos ofereceram ajuda se precisássemos!!!! Nos despedimos, isto já era meia noite, acho que agora definitivamente!!!!! Sabíamos que iríamos nos encontrar, mas não imaginávamos que fosse ser aqui. Conversamos com o tal do Bodinho, ele que faz a travessia Manaus - Belém e deixamos agendado para terça ou quarta-feira, saberíamos o dia certo na segunda.

Fomos, finalmente, descansar...

  
  

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Ozéias Bernardo de Andrade

Ozéias Bernardo de Andrade

07/11/2010 23:47:48
Ola gente! Cara quando li esse artigo sobre o Dom Guilhermo fiquei ate emocionado, eu conheço o Sr. Guilhermo morei em Caracaraí 17 anos e ele era conhecido como come gato, ele criava muitos gatos e por esse motivo era conhecido de come gato, eu era um menino e todas as crianças tinha medo dele, mas ele não era aquele monstro que agente pensava que ele era. E é isso aí.

Joyce e Cláudio Guimarães

Joyce e Cláudio Guimarães

Olá Ozéias, Que bacana! Este mundo é pequeno! Abraços, Joyce e Cláudio. Visite o nosso site: www.terrasemfronteiras.com
Andréa

Andréa

20/03/2010 14:54:11
Em que época vocês passram pela estrada Roraima-Manaus.
Eu e meu esposo queremos fazer essa viagem de moto....

Joyce e Cláudio Guimarães

Joyce e Cláudio Guimarães

Olá Andréa, Passamos por aí em janeiro. Abraços, Joyce e Cláudio www.terrasemfronteiras.com