Do Volcan Isluga à Arica, com passagem em Putre

O Cláudio começou a passar mal, estava sentindo o mau da altitude.

  
  

...E, para levantar, que suplício, o Cláudio começou a passar mal e resolveu sair da barraca às 7h, ainda escuro, estava sentindo o "mal de altitude" , eu fique até às 8h enroladinha nas cobertas...

Piscinas Termais, 'Águas Calientes'

Aos poucos ele foi melhorando... mas estávamos muito cansados, nos faltava ar até para nos movimentar, é muito interessante e uma sensação nada agradável esta que estávamos sentindo, apesar do cansaço eu estava super bem, o Cláudio é que realmente sentiu o peso das alturas, também ele não pára, aquele baita frio e ele armando tripé para fotografar, filmar, etc. "Ninguém merece!"

Não tomamos banho de piscina, pois havia um ventinho desagradável, mas colocamos mãos e pés para sentir o calor daquela água sulfurosa, muito bom.

Seguimos viagem fotografando os lindos "pueblos" que encontrávamos e paisagens de tirar o folêgo, e que folêgo, já não o tínhamos muito, imaginem vocês, então, como ficamos?...

Momento de criação

No caminho a Putre, um senhor pediu para que parássemos, paramos e ele estava com seu carro na porta de sua casa, com o pneu furado, lá foi o Cláudio trocar o pneu daquele senhor, parece que nos foi um presente ter estado àquele momento ali com o casal, era só ele e sua esposa, ambos de 70 anos, a pele judiada do sol, mas com um sorriso banguela, simpatia e simplicidade de comover, casa feita de adobe, cozinha, quarto, banheiro, tudo separados, era uma porta externa para cada ambiente. A senhora, D. Mercedes tinha no seu quintal um lugarzinho para fazer tapetes, colchas, blusas, com lã de Alpaca, conversamos um bom tempo e ela me dizia, fazendo um cobertor em seu tear, o quanto ela era feliz ali com seu esposo, contou-me sobre os seus filhos e netos que moram em Iquique, às vezes, vão visitá-los, mas não suporta ficar muito tempo por lá, quer logo voltar a sua casinha. Para refletirmos: "um povo simples que não tem luz elétrica, não tem tv, não tem eletro eletrônicos, enfim, nada desse consumismo que vemos e temos por aí..., e são muito felizes, não precisava nem ela me dizer, estava escrito em seu belo e marcado rosto."

Chazinho de Coca

Enquanto o Cláudio trocava o pneu num enorme esforço eu aproveitava para fazer fotos! Inclusive ele pediu ao Senhor se havia chá de coca para aliviar a pressão na cabeça, no mesmo instante, a senhora foi fazer o chazinho para o Cláudio, que obteve uma boa melhora.

Continuamos seguindo viagem, e o ar continuava nos faltando, parecia que tínhamos feito muito exercício físico, e há muito não sabemos o que é isto. Lendo o guia, vimos que chegamos aos 4.500 msnm, que loucura!!!!!! Sinalização na estrada era bastante precária, e pessoas para perguntar não havia, somente algumas lhamas, vicunhas, alpacas e guanacos, além dos belos bofedais, montanhas, muitos vulcões, lagos e salares, será que algum deles poderia nos informar a direção correta?

A estrada ficou um tremendo "off road", tivemos que cruzar inúmeros riachos em meio a bofedais, a água chegou a subir no capot até chegarmos no maravilhoso Salar de Surire, repleto de flamingos, e na Reserva Nacional "Las Vicuñas", sempre avistando o ativo Vulcão Guallatire, expelindo uma fumaça branca constantemente, que dava graça ao céu de puro azul.

Volcan Isluga

Bem, fomos pela nossa intuição e com a ajuda do nosso maravilhoso guia do Chile. Para variar, chegamos à noite em Putre, descemos uma serrinha de estrada de chão terrível, assustadora, até que enfim, chegamos!! Já na cidade, baixamos o vidro para perguntar a uma senhora a indicação de um hotel, e para nossa surpresa o vidro não queria levantar, por que sempre no final da noite nos acontece algo?

Encontramos um hotel excelente, ainda bem, e agora como saber o que aconteceu e, foi então, que percebemos que as luzes, o rádio e mais os vidros não funcionavam, só pode ter dado uma pane elétrica, aquela hora da noite (22h), numa cidade simples, de interior, será que teria alguém para nos ajudar? A resposta era NÃO!

Fomos, então, eu e o Cláudio, fuçarmos a caixa de fusível, parecia tudo normal, e agora o que fazer? Resolvemos ir dormir, pois estávamos muito cansados, colocamos um lençol no vidro, o hotel tinha estacionamento e, segundo o recepcionista, não havia perigo algum. Estávamos tão cansados que nem sair para comer tínhamos vontade, aquecemos um leitinho e comemos um "sanduba" no quarto mesmo. O Cláudio estava acabado, sentia tanto frio, era preocupante, inclusive disse: como enfrentar este terrível banho frio!!! Mas, não cedeu, tomou o seu banho congelante, comeu e apagou...

Acordamos mais descansados... resolvemos, nós mesmos, abrirmos o painel e ver, se naquela montoeira de fios, conseguiríamos achar o problema e, é claro resolvê-lo, aliás, tudo isto o Cláudio fez sozinho, senão eu não conseguiria estar aqui adiantando o nosso "semanário". Graças, ele conseguiu encontrar e resolver o problema, era um fusível que estava queimado...

Oásis

Decidimos não irmos ao lago Chungara novamente, já que visitamos esta região em 2004 e o tempo está ficando curto...

O Cláudio aproveitou para lavar o carro e limpar por dentro, pois era pó puro, não agüentava mais toda aquela poeira. Agora, estamos em direção ao Peru... Descemos dos 3.500 msnm, altitude de Putre, para o nível do mar, Arica.

... Fomos direto para a Fronteira, SURPRESA!!! ...Nos informaram que havia um "paro" (protesto/greve/paralisação) em todo o Peru, e que seria muito perigoso entrar hoje no país. Começamos a rir, e dissemos: "já vimos este filme antes!" Pois, numa viagem anterior ficamos presos em Puno (Peru), justamente por causa de um "paro" destes, só que aquele durou três dias. Eles colocam pedras no caminho, fazem fogueiras, e não deixam ninguém passar...

Sair de um país com uma estabilidade política e econômica para ingressar na instabilidade é parte da nossa aventura!!! O que fazem essas fronteiras?

Voltamos à Arica e começamos o processo de procura por hotel, finalmente, após alguns, encontramos um excelente e com bom preço: Hotel Sotomayor, com excepcional atendimento, que "suerte!"

Arica é uma cidade fronteiriça com 176.000 habitantes, possui um ativo intercâmbio comercial e cultural com os países vizinhos, é o principal porto que serve a Bolívia e a Tacna (Peru). Cidade litorânea com uma orla muito bonita e uma boa estrutura turística. Acordamos bem e trabalhamos muito no site.

Consultamos, por telefone, a fronteira e nos informamos que o "paro" havia terminado. Almoçamos em Arica, lugar maravilhoso, muito bem servido e barato, milagre, achamos algo com preço bom e justo, pagamos em um "menú del dia"; pão, sopa e uma bela salada de entrada, suco natural da fruta, e o prato principal, peixe com salada, tudo era apenas 2.700 pesos chilenos por pessoa, ou seja, R$ 10,20. Percebemos que com a valorização do Real frente ao dólar, o Chile já não é tão mais caro assim.

Agora, estamos rumo ao Peru, hoje fui eu a motorista. Chegamos à fronteira do Peru, enfrentamos toda a burocracia e desorganização dos trâmites. Demoramos quase 2 horas, já esperávamos, pois não é a primeira vez que passamos por aqui. Preenchemos toda a documentação, imigração, fiscalização sanitária, saúde, polícia e aduana, apesar de tudo, ocorreu tudo bem.

Toda vez que mudamos de país temos que pensar no que deve ser feito, o principal é a moeda, saber quanto está custando em relação ao dólar, verificar postos de combustível e preço do diesel, prestar atenção no idioma, mesmo sendo o espanhol, sempre há mudanças de entonação e vocabulário, como funciona o trânsito, aliás aqui no Peru é caótico, estou com dor de cabeça de tanto ouvir buzinas, mesmo tendo sinal, guarda de trânsito, eles não param de buzinar, é para qualquer coisa, além dos "buses" que passam devagar gritando o lugar de destino. Bem, mais sobre o Peru vocês ficarão sabendo no próximo diário de bordo...

  
  

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