Blogs > Terra sem Fronteiras > Boletins >Ilha Grande - Rio de JaneiroO Paraíso Ecológico! Querem águas transparentes, mata nativa, hospedagem, povo simpático e paisagens de tirar o fôlego? Visitem a Ilha Grande!14 de Abril de 2009. Publicado por Joyce e Cláudio Guimarães A Ilha Grande oferece trekking para todos os tipos de caminhantes e tem vocação natural para o turismo ecológico. São trilhas que atravessam morros, montanhas, riachos, rochas, encostas e praias.A segunda das sete maravilhas do Rio de Janeiro, não há como negar, o lugar é realmente mágico. Lá você encontra a beleza das cores, a simplicidade do povo e o requinte da natureza. Saímos de Jaraguá do Sul rumo ao Rio de Janeiro – que dia maravilhoso! Ansiosos, já sabíamos a hora que o Catamarã iria partir para a Ilha Grande... A Ilha Grande significa muito pra nós, foi a nossa primeira aventura enquanto namorados, lembro muito bem que era uma Ilha “proibida”, afinal lá estavam os presos mais perigosos do Brasil. Por cerca de 90 anos a Praia de Dois Rios, uma das mais belas e fascinantes da Ilha, com dois rios cristalinos em suas extremidades que deságuam nas areias branquinhas, abrigou o Presídio que foi construído em 1940, o Instituto Penal Cândido Mendes, com capacidade para mil presos de alta periculosidade. A convivência dos presos políticos do regime militar com os presos comuns, dentro dos muros do presídio, é atribuída uma das origens do chamado "crime organizado", pontuando com acontecimentos marcantes, tais como, fugas de helicóptero e outros, com ampla cobertura da mídia nacional e internacional; a presença do presídio vem notorizar a Ilha Grande, por aspectos antagônicos à sua beleza natural e importante significação histórica. Em 1994 o presídio foi desativado e parte dele demolido e, em andamento, há um projeto para se tornar um café e um museu. Ano de 1992, fomos em 7 pessoas viver o nosso primeiro acampamento, num lugar temido por nossos pais, inclusive um dos casais estava ali secretamente..., aspecto este, tornou a aventura mais emocionante. “Duros”, dormimos na Rodoviária do Rio de Janeiro para esperar o ônibus que saía de madrugada para Mangaratiba. Dormimos? Não! Passamos a noite jogando cartas e nos divertindo. Quando chegamos a Mangaratiba, pequena enseada que já foi porto de escravos e café, estrutura zero, naquela época encontrar um barco para a Vila do Abraão (a única que oferecia alguma estrutura) seria uma sorte..., mas um dos pescadores que disputavam os turistas cariocas, nos disse que havia um lugar mais bonito que Abraão para acamparmos, foi quando resolvemos aceitar o desafio, desde que não fosse a praia de Dois Rios, é claro! Seguimos para a praia de Fora e o Saco do Céu, uma área cercada de mangues e palmeiras, onde à noite, a natureza nos brinda com um lindo céu refletido nas águas deste trecho da chamada Enseada das Estrelas – hoje, há quem passe a noite nas embarcações para assistir ao espetáculo. A nossa aventura estava apenas começando, apesar de inexperientes, fomos muito bem na montagem das barracas, também havia um outro grupo, estudantes da UERJ, que resolveu ficar conosco, ou seja, não estávamos sozinhos. No dia seguinte, resolvemos desbravar a Ilha a pé, o nosso destino era conhecer a praia de Lopes Mendes, considerada uma das mais lindas da Ilha, foram 10 horas de caminhada na mata fechada, sem guia e somente seguindo o estreito caminho que atravessava montanhas, rios e cachoeiras, cada passo nos dava a certeza de que estava valendo a pena... Mas, o surpreendente foi quando nos deparamos com a imensidão do mar cercado por vegetação e areias branquinhas, não pensamos duas vezes, corremos com o pouco de energia que nos restava e mergulhamos nas águas transparentes em tons que variam do verde-esmeralda para o azul. Ondas batiam no nosso corpo cansado e nos alimentavam com sua energia para mais 10 horas de retorno, com possibilidade de passar a noite dentro da Mata... Ano de 2009, parecia uma eternidade viajar de Santa Catarina para Angra, a estrada não acabava nunca, tanto é que chegamos pela noite e já não havia mais embarcação para a Ilha, os horários são escassos, mas aproveitamos e dormimos num excelente hotel de frente para o mar de Angra... Tomamos um belo café da manhã apreciando as águas cristalinas daquele paraíso, de repente, tomados pelo relógio, corremos para não perder o segundo Catamarã que sai para a Ilha por volta das 11hs. Deixamos o carro num estacionamento pago e seguimos com nossas carregadas mochilas para a confortável embarcação. Dia lindo, quente e com uma brisa refrescante, nos estonteávamos de alegria a cada metro que o barco avançava, é muito mágico estar aqui de volta. Desta vez, reservamos uma pousada na Vila do Abraão, pois o pouco tempo não nos dava outra alternativa. Já notamos a diferença quando entramos no Catamarã, a quantidade de estrangeiros nos surpreendeu... Mas, susto mesmo, foi quando chegamos à Ilha, lotada de turistas, mas tranquilamente trafegável, aos ouvidos, sons de línguas diferentes davam um ar de reduto internacional, a nossa Ilha estava transformada! Dois anos após o Descobrimento do Brasil o navegador Gonçalo Coelho que já havia batizado o Rio de Janeiro, descobriu em 06 de Janeiro a Ilha Grande. A princípio eles pensavam que a Ilha fosse um continente e ao seu leste, a desembocadura de um grande rio. O nome surgiu por índios Tamoios que a chamavam de "Ipaum Guaçu", expressão que significa Ilha Grande. Local preferido pelos navegantes portugueses, espanhóis, ingleses, franceses e holandeses, a Ilha Grande foi palco da história do Brasil desde a época do seu descobrimento.
...Voltamos à nossa caminhada, não apenas nós 7, mais o grupo de estudantes, não lembro quantos, bem, caminhamos algumas horas e chegamos numa praia, provavelmente a enseada de Palmas e vimos uma enorme embarcação, nossos olhos brilharam, “vamos pedir carona” foi a primeira coisa a vir a nossa mente, pois como disse antes, estávamos “duros”, e como vocês devem imaginar pedir carona naquele paraíso nos custaria caro, é isso aí, de graça nem pensar, então na mais pura “idiotice”, dois dos rapazes que estavam conosco, meu namorado e o namorado de uma amiga resolveram ir correndo até o nosso acampamento, para economizar o que não tínhamos... fiquei furiosa, não queria que nada de errado acontecesse a eles, porém não houve jeito, os super-heróis já estavam decididos. Enquanto isto, fomos todos no belíssimo barco. Eu e minha amiga Giselle não falávamos em outra coisa a não ser nos meninos..., chegamos ao nosso acampamento, e por incrível que pareça, eles chegaram junto conosco, lábios brancos, respiração ofegante, dores musculares, e, ainda assim felizes, e com o ego elevado por nos virem descer do barco..., parece brincadeira...,tomamos nosso banho gelado, e todos foram se aquecer na fogueira, exceto eu e o Cláudio, pois o menino estava mal..., ainda tive que pagar o “pato”, ou seja, ficar ao seu lado neste momento hilário que ele mesmo criou, faz parte. Essas aventuras nos fazem rir muito e nos amadurecem! Foi um acampamento fantástico, apesar da corridinha esperta do meu marido... Então, estar ali novamente, neste ano de 2009, estava sendo reviver momentos inesquecíveis e viver momentos inesquecíveis. Não há lugar feio na Ilha, turistas chilenos, franceses e israelenses comprovam isto, eles se esbaldam nas águas transparentes, mergulhando entre cardumes e naufrágios, ou ainda por passeios de barco pelas praias desertas. Não foi diferente conosco, o triste é pensar que temos que voltar para casa e ter de deixar aquele paraíso. Mas, enquanto estávamos lá desfrutamos cada segundo, fomos a belas praias, demos a volta à ilha de lancha (passeio de um dia inteiro), fizemos pequenas caminhadas e voltamos a Lopes Mendes, mas só que agora, caminhando apenas o pequeno trecho, 20 minutos, partindo da praia de Mangues e desfrutamos daquele visual que já estava transformado, deserta como antes, está fora de cogitação, a praia estava repleta de gente, mas encontramos um cantinho caminhando 2,5 km de praia e nos esbaldamos nas águas transparentes. É um lugar que deve ser visitado sempre, pois trilhar os velhos caminhos como se fosse a primeira vez é o nosso lema. A natureza entranha em nossa alma e nos enche de vida! Para chegar à ilha, o único jeito é pegar um dos barcos que saem de Angra dos Reis e de Mangaratiba para a Vila do Abraão – é sempre bom averiguar os horários quando chegar no local ou no site oficial da Ilha – http://www.ilhagrande.com.br – pois estão sempre mudando. Há também embarcações particulares fazendo o trajeto em horários alternativos. Sugestão: façam o passeio de lancha que dá a volta pela Ilha – é imperdível – nele você pode escolher qual praia quer voltar para passar o dia usufruindo do contato mais puro e belo com a natureza. Escolha difícil, pois cada praia tem a sua fantástica particularidade. Encantou-nos o torcido coqueiro da fascinante praia do Aventureiro, esqueçam o Caribe, o mar transparente e com abundância de vida marinha da Ilha Grande está tão próximo de nós, e é tão bonito quanto e há quem diga que é muito mais! Vá e tire suas próprias conclusões! Foram apenas 3 dias, mas foram suficientes para dar a certeza de voltarmos para desbravar o que há de mais VIVO no Estado do Rio de Janeiro. Mais fotos, visitem o nosso site: http://www.terrasemfronteiras.com |
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