Na fronteira Colômbia x Venezuela

Chegamos à noite, por isso vimos muito pouco da sua

  
  
Refinaria de Petróleo

...Seguimos para Maracaibo, o principal porto e centro industrial da rica bacia petroleira da cidade. É a segunda cidade mais importante do país com aproximadamente 2 milhões de habitantes e um dos maiores lagos do mundo. Chegamos à noite, por isso vimos muito pouco da sua "beleza" petroleira, mas acreditamos que vamos ver isto por quase todo país...

...Deixamos para abastecer na Venezuela, já que sabíamos que o preço do combustível era quase de graça, mas para nossa surpresa na região da fronteira não havia um posto sequer, o que víamos eram pessoas enchendo o tanque do carro em galões que eram vendidos na estrada. Preocupados com a possibilidade do diesel acabar, estávamos ficando nervosos e nos perguntando: "será que vamos ter que abastecer com estes galões de origem duvidosa? Finalmente, após, mais ou menos, 80 km rodados, encontramos um posto, caquético, aliás esta região é muito feia e visivelmente pobre. Perguntamos a respeito dos postos, por que não havia e o frentista nos disse que há um forte contrabando de combustível na região fronteiriça, sanada a dúvida!

Cidade Histórica de Coro

A estrada estava cheia de policiais, parados a todo tempo, estava pior, bem pior do que na Colômbia. Chegamos à Maracaibo, cidade grande, muita dificuldade para encontrar um hotel, e quando encontrávamos estava lotado, em um desses, um senhor nos informou que seria muito perigoso ir ao centro da cidade, aquela hora (20h) para encontrarmos um hotel, ficaríamos certamente perdidos. O rapaz conseguiu nos deixar com medo e, então, seguimos para um motel, chamado "Hotel Rivera Suites" que ficava no nosso caminho (indicado por ele). Apesar de não gostarmos muito da idéia, não tínhamos escolha, após algumas erradas, encontramos o tal e, ali, acendemos o nosso incenso de sempre para fazer a limpeza do lugar e conseguimos ter um bom descanso.

...Às 6h da manhã, pé na estrada, tomamos um café num posto de gasolina e rodamos 400 km numa estrada terrível, asfalto razoável, porém mal sinalizada, trânsito caótico, e, para piorar, aqueles carros (latas-velhas estilo Galaxy ou similares) compridos ultrapassando uns aos outros e nós, é claro, feito loucos, não se certificavam se estava seguro ou não, aliás, a vinda de um carro na contra mão não era empecilho para a ultrapassagem... Imaginaram a loucura? Que bom que chegamos vivos para continuar contando a nossa história...

'Bolívar' ou 'Fuerte Bolívar'

Passamos por Coro, a única cidade do estado que é tombada pela Unesco como Patrimônio Histórico, organizadinha e bonitinha, caminhamos um pouco pelos pontos turísticos, almoçamos e seguimos viagem para Tucacas, cidade que passaria despercebida não fosse o Parque Nacional de Morrocoy, criado em 1976 a fim de protegê-lo contra ocupações ilegais que contaminavam e deterioravam o meio ambiente, é um conjunto de mangues e lagoas costeiras com uma abundante ave fauna e fauna marinha e um grupo fantástico de ilhas e ilhotas formados pela acumulação de corais, areias e restos de moluscos, banhados pelo mar cristalino do Caribe.

Águas Cristalinas

Tucacas, 15 mil habitantes, é uma cidade feia, caríssima, suja e, infelizmente, com pessoas que não são muito simpáticas, tínhamos que rir, mas no fundo nos dava tristeza em saber que ali existe um grande potencial turístico jogado a traças. Começamos o nosso tour atrás de hotel bom e barato, o que foi muito difícil, os mais baratos estavam cheios e o caro não necessariamente era bom, enfim depois de muito rodar conseguimos ficar em um 3 estrelas, Hotel Manaure, chovia dentro do quarto, cheiro forte de umidade e, ainda, a descarga não funcionava direito e, no último dia, sentimos um cheiro forte de gás... é, também vazava gás!!!!! Detalhe, pagamos caro por isso e nem café da manhã havia. Que loucura, estamos na Venezuela!!!!!

Nos instalamos, saímos para um lanchinho e voltamos para descansar, pois amanhã iremos pegar um barco para conhecer o P.N. Morrocoy.

Cayo Sombrero

...A Venezuela está passando por uma mudança econômica. O presidente Chávez mudou a moeda, passando de "Bolívar" para "Fuerte Bolívar", tirando os três últimos dígitos (como foi feito com o nosso Real), ao invés de 1000 bolívares, agora é 1 fuerte bolívar, isto está causando uma confusão no povo, alguns aceitaram outros não, como em toda parte, os prós e os contras... O dinheiro é algo complicado na Venezuela... o ideal e muito mais econômico é levar dólar e trocar no paralelo (o câmbio oficial está a 2,1) eles chegam a pagar 5000 bolívares ou 5,00 bolívares por U$ 1,00, o que torna tudo mais fácil e barato.

Pela manhã, caminhamos nas sujas ruas da cidade até o cais do porto e compramos um passeio, após muitas negociações de preço, para algumas ilhas do P.N. Morrocoy, fizemos um tour pelas principais ilhas, foi fantástico, realmente é um lugar privilegiado. A Cayo Sombrero é uma ilha lindíssima e a que tem maior faixa de areia, branquinha, águas azuis e cristalinas. Depois do nosso tour ficamos na Cayo Palyuela, uma enorme piscina natural, belíssima, um paraíso! Mas, infelizmente, não dá para deixar de lado a falta de educação do povo, havia muita sujeira, muita mesmo, havia placas pedindo para jogar o lixo no lixo, mas fatalmente há aqueles que "não" sabem ler... nós sempre carregávamos o nosso lixo de volta, acreditamos ser esta a melhor solução, pois sabemos da dificuldade para se retirar o lixo dali, já que dezenas de sacos empilhados estavam esperando o "caminhão de lixo" passar, ou melhor, o "barco de lixo".

Playuelas

Voltamos, ao pôr-do-sol, para a feinha Tucacas e caminhamos até uma bonitinha padaria para tomar um café. Depois daquele paraíso, enfrentar o nosso quarto de hotel não era nada agradável, mas já estamos acostumados, tivemos dias muito piores, seguramente que sim!

  
  

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