O Trânsito do Peru

Que dia 16!!!! As aventuras continuam!!! O que seríamos de nós se não tivéssemos que passar por tantas provas?

  
  
Arquitetura colonial de Tacna

Tacna, uma bonita cidade, com aproximadamente 220 mil habitantes, rodeada por morros, pode-se dizer que o deserto começa quando termina a cidade . Porém, como toda cidade do Peru, possui um trânsito caótico, ríamos para não chorar...

Seguimos viagem, porém não havia qualquer sinalização, fomos por um caminho que achávamos que era o certo. Tivemos que parar 3 vezes para colocar a mangueira do turbo que, a cada 2km, soltava, e, ainda, o Cláudio deixou a chave de boca cair no motor quente, não conseguimos pegá-la, ainda bem que ele tinha uma outra e, finalmente, pela terceira vez, apertamos tudo o que tínhamos direito.

Depois de andarmos uns 10 km, um policial nos parou, foi tudo tranqüilo, percebemos que quando eu mostro bem o rosto e cumprimento-os, eles são mais queridos, olharam o documento e mandaram seguir viagem. Porém estávamos no caminho errado, ou seja, tivemos que voltar mais 10km, o policial nos fez um mapinha para sairmos da cidade. Agora sim, rumo a Arequipa, pegamos mais uma noite durante nossa viagem, tudo o que não se deve fazer, e para piorar uma serrinha perigosíssima, havia poucos pontos de ultrapassagem, inclusive num deles fomos pressionados por um ônibus, não nos deixou entrar na pista e nos fez voltar, fiquei muito nervosa, mas não cheguei aos pés do Cláudio que ficou cego, totalmente irado, nunca o tinha visto assim, tentei acalmá-lo, que me dizia estar calmo, é muito compreensível, aos poucos foi realmente se acalmando, os peruanos são péssimos motoristas, terríveis, infelizmente, a grande maioria.

A noite em Arequipa, 'Plaza das Armas'

Enfim, em Arequipa, as risadas começaram, pois o buzinaço era intenso, mas não pensem que era para nós, não! Eles buzinam para qualquer coisa, até para os buracos, e vão se enfiando em qualquer espaço, trânsito enlouquecido e a confusão até chegar ao centro histórico tamanha...

Aí sim, chegamos num Peru lindíssimo, a "Plaza de Armas", mais quatro quadras para direita, quatro para esquerda, quatro para "arriba" e quatro para "bajo", depois só bagunça...

Dormimos no mesmo hotel em que ficamos da outra vez em que estivemos aqui, fomos dar uma volta no belo centro histórico, jantar e descansar após um intenso dia 16!!!!

Para Viajantes: quem viaja de carro deve estar preparado e ter muita paciência para o excesso de veículos e falta de sinalização, quando se entra numa cidade maior, não existem placas indicando o centro, sendo fundamental conseguir um mapa o quanto antes e, também, ser ágil para ir perguntando às pessoas (que são muito prestativas mas, no início, são desconfiadas).
O diesel tem praticamente o mesmo preço do Brasil, média de R$ 1,90, mas aqui ele é vendido por galão (3,75 litros - média de 11 soles)

Ficar atento, ter sempre "Nuevos Soles" (moeda peruana) para os diversos pedágios (mais de 20), que são em média 7,50 soles cada um, porém as estradas não são lá essas coisas.

Em alguns momentos viajamos a noite, não aconselhamos, é terrível, sem contar que não curtimos a paisagem, sem saber o que se tem de bonito... além do estresse para encontrar lugar para dormir, é sempre uma função.

'Plaza das Armas'

Ter cuidado com a polícia, primeiramente não ter medo, eles estão sempre parando, questionam de onde vem, para onde vai, pedem a documentação, carteira de habilitação e mandam seguir. É bom não dar bobeira, toda vez que tiver indicação de quilometragem é bom respeitar, geralmente isto ocorre próximo a centros urbanos, exatamente onde há um carro da polícia (Land Cruiser prata) estacionado.

É de enlouquecer qualquer ouvido que não está acostumado a ouvir tanta buzina na vida, pois bem, quem quer visitar o Peru, se prepare para escutar o buzinaço dos táxis, aliás, o transporte coletivo é o que faz o trânsito ser caótico, não há transporte de massa, só milhares de taxis, vans e poucos mini ônibus, é de impressionar... Isto ocorre em todas as cidades peruanas, mudar esta estrutura seria extremamente complicado, imaginem um "paro" dos taxistas!!!! Infelizmente, tínhamos que falar a mesma língua, pois as coisas só se resolviam através da buzina. E, íamos nós, beeennnnnnnn, nunca a utilizamos tanto...

Tiramos algumas fotos no centro histórico maravilhoso de Arequipa e seguimos viagem, para sair da cidade foi facílimo, nada parecido com a entrada ou igual à outra vez que demos mil voltas... seguimos para Nazca, pegamos uma estradinha extremamente perigosa, curvas cotovelos, aos montes, nas serrinhas que se seguiam umas às outras. Cada "pueblo" que cruzávamos, a mesma história, além das buzinas, esquecemos de falar dos moto-táxis triciclos que parecem mais umas charretes, a cada instante cruzava um endoidecido a nossa frente, só nos restava dar boas risadas... para eles isto é tão comum que, em nenhum momento, se acham errados...

A manhã em Arequipa

CURIOSIDADE: FUNDO DO OCEANO PACÍFICO - OSSADA DE BALEIA
Uma grande curiosidade e reflexão na nossa viagem trilhando por este magnífico deserto do Peru, foi que estávamos simplesmente passando sobre o que a milhões de anos atrás foi o fundo do Oceano Pacífico. Inclusive, passamos pelo museu Sacaco, onde há uma ossada de baleia, que possui 8m e 3,8 milhões de anos, localizada em pleno deserto de Nazca (a foto que ilustra a explicação do nosso projeto educacional). Na seqüência, passamos pelo "Cementério de Chauchilla", onde podemos ver, ainda bem preservados, cidadãos que pertenciam ao povo Nazca. Ontem viviam como nós, hoje são simples esqueletos... Por que estamos aqui?

  
  

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