Primeiros dias em Guayaquil

As diferenças no próprio país faz dele ser ainda mais especial! O que seria do bonito se não fosse o feio...?

  
  

A história do nome da cidade de Guayaquil é muito sinistra, reza a lenda que Guaya era o nome do chefe indígena e Quila de sua esposa. Com a vinda dos espanhóis Guaya matou a sua mulher e depois se matou... para não se tornarem escravos dos mesmos.
Guayaquil é uma cidade costeira, nela está o principal porto equatoriano e, é a maior cidade do país com aproximadamente 3,5 milhões de habitantes, possui um grande movimento econômico, pois concentra as mais importantes indústrias, como refinarias de petróleo, indústrias de conservas e diversos bens de consumo, quase todo processo de exportação e importação passa por seu porto marítimo. Inclusive, o nosso Thor será embarcado neste mesmo porto.

Preparando o Thor para o embarque

Tivemos uma surpresa muito grande quanto à cidade, visitamos boa parte do Equador, e como viram no diário anterior, fomos muito bem recebidos em toda ela, o povo é extremamente hospitaleiro... já, aqui, chegamos a noite e vimos uma cidade totalmente diferente do restante do país, casas luxuosas, avenidas largas e, ainda assim, encontramos um trânsito meio caótico, ônibus velhos e o principal, pessoas frias e estranhas.

Já neste dia, no hotel em que ficamos, sentimos a diferença no tratamento, as pessoas não te olham, andam devagar, como se você nem estivesse ali... não sabemos, será que estamos no mesmo país?
Resolvemos não dar muita bola para essas coisas e fomos resolver nossos problemas... Encontramos a Rosa para regularizar a saída do nosso carro, via porto marítimo, ao Panamá. Para quem não sabe, não há estrada ligando a Colômbia ao Panamá, é uma verdadeira selva. Teríamos duas opções: enviar o carro via navio ou avião, a partir da Colômbia ou de Guayaquil, aqui no Equador. Optamos pela opção mais barata e segura... A documentação exigida foi: passaporte, documento do carro no nome do proprietário, documento do veículo de entrada no país, originais e cópias, tudo isto teve que ficar com a despachante até a data de embarque, ficando assim, o Cláudio, sem seus documentos originais...

Ajudante do Claudio

Depois que conseguimos encaminhar toda a papelada, fomos a uma agência de viagem, a Galasam, para providenciar o nosso passeio a Galápagos, justamente o passeio (8 dias) que queríamos fazer a data coincidia com a data de saída do carro, onde o Cláudio tem que estar presente. O barco, o qual queríamos ir, segundo a Francesa havia nos informado, o Tourist Economic, não tinha mais vaga, detalhe os de primeira classe, tampouco. Agora é alta temporada, os Europeus e Americanos estão de férias e vem passear por aqui...

A nossa única opção era irmos num barco Tourist Superior (5 dias), que fica entre o econômico e o primeira classe, que ruim... simplesmente um barco com todo conforto que não necessitamos, quarto de casal, banheiro e ducha privados.... claro que gostamos, o problema maior é sempre o preço... pois para nós, o melhor é estar no local que desejamos, o conforto deixamos para nossa casa...

Preparado!

Antes de contar como fizemos, vamos explicar como funciona. Não existe meio melhor de conhecer as ilhas, o ideal é desta forma, através de barco. Primeiro compra-se uma passagem aérea até Galápagos e, de lá, parte o cruzeiro pelas ilhas, o pacote que você comprou, e neste, não constam o ticket aéreo, taxa de permanência na ilha, material de mergulho e bebidas, mas inclui, toda a alimentação (5), água e café a vontade.

Então, resolvemos não pensar, pois queríamos muito ir, decidimos fazer o seguinte: como 5 dias são pouco para conhecer o arquipélago, afinal o ideal eram 8 dias, resolvemos voar antes, dia 06/07 e iremos ficar naquele paraíso, ilha principal até o dia da saída do nosso barco, que é 10/07. Vamos caminhar, lagartear junto com as iguanas, e descansar, pois estamos merecendo... afinal não conseguimos ainda fazer um exercício decente ou mesmo ficar á toa, no ócio.

Ir a Galápagos não é muito barato, é necessário juntar um pouco de dinheiro, pois é turismo para europeu... Arcar com estes custos ainda no início da nossa viagem envolve um certo risco, mas somos de arriscar... Tivemos um pouco de dificuldade no pagamento, pois certos de que iríamos pagar no cartão, não foi possível, aceitar eles até aceitam, mas é cobrado uma taxa de 5% sobre o valor do pacote, por pessoa, qualquer troquinho para nós faz a diferença...

O dia seguinte foi atípico...

...precisávamos atualizar o nosso site, pois já estava atrasado e havíamos trabalhado até tarde da noite anterior para fazê-lo na parte da manhã. O Cláudio desceu para conectar e começar a atualização... depois, eu fui terminar o processo para que ele pudesse tomar o seu café. Quando comecei... hum... o computador não conseguia mais conexão, fiquei tentando por vários minutos, o Cláudio chegou e continuamos tentando, mudávamos de lugar, tentávamos outras redes, e nada. Decidimos ir ao "cyber café", conexão super lenta, o computador não andava... gravamos no HD externo, este dava uma mensagem que estava com problemas, última opção, gravar no CD e passar para outro computador, fizemos isto e, também não deu certo, tentamos todas as máquinas do "cyber café" e nada, o Cláudio tinha que trocar o óleo do carro... fiquei eu com a bomba... ou seja, mais de duas horas no "cyber", adivinhem? Nada feito...

Resolvi relaxar, subir para o Hotel e arrumar nossas malas para Galápagos... Quando o Cláudio chegou, fomos almoçar, isto já era 15h, levamos o notebook conosco para tentarmos novamente... conectamos com tranqüilidade e, não é que o bicho funcionou, como se nada tivesse acontecido... ninguém merece!!!!!!! Finalmente, conseguimos atualizar nossa obra... Será que agora vamos conseguir passear um pouco?

De malas prontas

Saímos do hotel e fomos rumo ao litoral, apesar de ficar a duas horas de Guayaquil. Nos disseram que é bastante bonito... Quando já havíamos saído da cidade, fomos parados por policiais: "documento por favor?" O Cláudio calmamente pegou os documentos, cópias coloridas que sempre se passam como verdadeiras. Tudo certo até que o policial, muito jovem, pede o passaporte...

...E agora? O passaporte estava com a Rosa, e o meu no hotel, já que saímos muito apressados... ainda não temos a noção de que o passaporte é o nosso mais precioso documento... detalhe: jamais um policial nos pediu passaporte e, é claro, tinha que acontecer justo quando não o possuímos...

...Então começou tudo... o policial disse: "O Sr. e o veículo estão retidos, não podem ir adiante", o Cláudio argumentou que era uma bobagem, estávamos apenas indo conhecer o litoral e o carro já iria embarcar, amanhã, para o Panamá, mostrando o cartão da despachante Rosa, para que eles pudessem entrar em contato... Depois de muito blá,blá,blá, ele disse que o Cláudio teria que conversar com o seu chefe. Lá foram eles, o Cláudio saiu do carro acompanhado pelo policial, atravessaram a rua para conversar com o chefe... Que situação! O chefe fez cara de mal, estufou o peito em tom ameaçador e falava de forma ríspida que estávamos presos e o carro também... quando o Cláudio ameaçava falar, o policial mandava-o ficar quieto que ele estava falando... então não restou outra alternativa, o velho truque... o Cláudio esperou o policial terminar de falar e disse que também era autoridade e que possuía diversos amigos em Guayaquil e não estar com o passaporte não é crime algum... a reação do policial foi de orgulho, afinal quem mandava no pedaço era ele, mas já foi mudando o discurso, "vocês não estão bem presos, é só uma retenção provisória, até que os documentos apareçam, é preciso me acompanhar à delegacia", o Cláudio: "agora está perfeito, vamos imediatamente para a delegacia", seguiu para o carro, ligando-o e aguardando para que fôssemos juntos... notamos que estavam conversando entre si... e resolveram chamar o Cláudio de volta... Lá foi ele novamente... eles disseram que era muito trabalhoso ir à delegacia, já que estavam fazendo uma operação especial... decidiram fazer uma multa e reter os documentos do carro e do motorista (algo que é ilegal, mas como eram cópias, o Cláudio não deu a menor bola), depois foi dizendo que a multa era muito cara, U$ 56,00, o Cláudio disse que poderia aplicar, não havia problema... nesse meio tempo, ele também disse que estava escrevendo para jornais do Brasil sobre a nossa expedição... repentinamente, apertaram a mão do Cláudio e disseram que não iriam fazer mais nada, não queriam causar problemas e deixou ao nosso critério a decisão de ir ou não ao litoral... Resolvemos voltar a Guayaquil, pois com toda certeza haveria mais policiais e não gostaríamos de passar por isto de novo... esta parte do Equador fica para uma próxima oportunidade, só nos restava nos contentar com as praias das Ilhas Galápagos...

Que dia!!!! No fim nos restou dar boas risadas e assistir ao jogo da Copa América, que por sinal o Brasil está um terror de ruim.... , até o Equador, time fraco, jogou muito melhor, mais muito melhor!

  
  

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