Blogs > Terra sem Fronteiras > Boletins >A Viagem pelo Rio AmazonasTivemos a oportunidade de conhecer melhor a vida dos caminhoneiros, a cada refeição ouvíamos histórias diferentes, que vida eles levam, realmente não é fácil!31 de Janeiro de 2008. Publicado por Joyce e Cláudio Guimarães ...Logo fui tratando de fazer amizade com a cozinheira, a D. Joventina, muito querida, foi nota 1000!!!!! Também tivemos a oportunidade de conhecer melhor a vida dos caminhoneiros, a cada refeição ouvíamos histórias diferentes, que vida eles levam, realmente não é fácil! Um deles nos disse algo que achamos fantástico; "como não estudei, não tive muita escolha, então a melhor maneira de conhecer os lugares foi sendo caminhoneiro, conhecemos lugares que muitas pessoas nunca ouviram falar, muitas vezes não temos tempo de passear, mas já vale a pena."
O café da manhã era café com biscoito. O almoço era arroz, feijão, galinha, peixe ou carne e macarrão e também rolou uma sopa. Havia uma regra para as refeições, primeiro o comandante e seus ajudantes, depois a cozinheira e outros ajudantes, ou seja, a tripulação e, por último, nós, os passageiros. Deixamos para almoçar depois dos caminhoneiros, o que não foi uma boa idéia, pois a comida estava toda remexida... Comemos só macarrão, o comandante viu e pediu a "tia", como era chamada a cozinheira, para nos dar uns bifes que estava fritando, foi muito engraçado, o Cláudio estava comendo todo desanimado, quando os bifes chegaram, parecia uma criança que tinha acabado de ganhar um doce...rsrsrsrsrs
Agora já aprendemos, ficamos sempre esperando a tripulação acabar e, antes de tocar a sirene para nos chamar, os passageiros, já ficávamos de plantão, tão logo eles saíam, nós entrávamos. Uma comédia!
Preparados para dormir na rede armada no caminhão cegonha, lá fomos nós! Estava tudo ok, quando 3:30 h da madrugada começa a cair um temporal e nos molha por inteiro, ficamos parados ali, em plena escuridão, esperando a chuva passar ou amanhecer para caminharmos até o rebocador. Foi uma cena hilária, abraçamos a rede com alguns pertences dentro, nos abraçamos e ficamos esperando a chuva passar, cansados de esperar deitamos molhados mesmo e a chuva caindo sobre nós até o amanhecer... ...Chegamos à cozinha como pintinhos, a tia ficou assustada, achando que tínhamos um lugar para dormir, fomos a atenção da balsa, todos vinham conversar conosco sobre a caótica noite. Um dos tripulantes pegou nossas roupas e rede e colocou para secar na casa de máquinas, ficou um cheirinho de óleo, mas tudo bem, o importante era ter onde dormir... O comandante nos deu uma notícia boa, disse que poderíamos colocar a rede no camarote da tripulação e dormirmos ali, que alívio!
Fizemos uma bonita amizade com a neta da cozinheira, a Ana Paula, ela foi me levar para ver onde poderíamos dormir. Quando entrei no quarto, levei um susto, havia umas 6 camas, redes penduradas e roupa para toda parte, a tia e a Ana Paula eram as únicas mulheres que dormiam ali e o restante da tripulação era de homens que se revezavam, cada um tirava o seu turno, ou seja, sempre havia alguém dormindo, pois a viagem é sem paradas. Até a Ana Paula, uma doce paraense de 10 anos, falou para eu não reparar a bagunça, na verdade, aquilo pouco importava, pois queríamos um lugar seguro para dormir. Armaram nossa rede num cantinho e ali passamos as duas noites seguintes.
...Café da manhã, almoço, janta e a hora custava a passar e, ainda, ganhei uma infecção intestinal terrível por causa da água, já o Cláudio não teve problemas. A tia cuidou muito bem de mim, foi um amor! Me deu chá, sopa, usou pouco óleo na comida, foi realmente especial!!!! Além disso, meus pés estavam gigantescos de inchados, em nenhum momento da viagem isto aconteceu, tinha mesmo que ser no Brasil, quase chegando em casa. Enquanto os caminhoneiros ficavam assistindo filme na balsa, eu e o Cláudio ficávamos brincando com a Ana Paula e conhecendo mais sobre o povo do Pará, já que a maioria da tripulação era de Belém. Também aproveitamos para trabalhar duro no site, mas me dava dó, pois a Paulinha sempre vinha me perguntar, "se vai trabalhar agora?"
Não parava de chover, ainda bem que conseguimos um cantinho para dormir e até um friozinho sentimos, pois o ar condicionado fica ligado o tempo todo..., pois é, até ar tinha... |
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