Últimos dias em Galápagos

... ao mesmo tempo que estavam felizes estavam tristes com a dor da partida... Me dava um aperto no coração, mas isto faz parte da vida e temos que entender...

  
  

Estou com saudades do Thor, da liberdade que temos... É bastante interessante este sentimento... o passeio no barco já foi suficiente, ficamos muito presos, barco - ilha, ilha - barco, temos que comer só o que tem e na hora certa... A liberdade não tem preço!

O passeio está muito agradável, porém 5 dias são suficientes... A diversidade de coisas que vimos é surpreendente, porém o balanço do barco se torna muito cansativo, realmente não gostaria que este fosse o nosso meio de conhecer o mundo... ainda bem que há gosto para tudo e todos.

Desovando na Ilha Floreana em plena luz do dia

Fomos caminhar na ilha Floreana, muito interessante, de um lado a praia tem areia preta e do outro a areia é branca, durante a caminhada vimos a segunda maior colônia de belíssimos flamingos de todo o arquipélago, Punta Cormorán. Na praia de areia branca vimos algo raro, o guia que trabalha há 34 anos neste ramo nunca havia visto, uma tartaruga gigante estava colocando os seus ovos àquela hora da manhã, ela só costuma fazer isto à noite, mas para nossa sorte, estava fazendo naquele momento... e, ainda, acompanhamos o seu trajeto até o mar... que encantador!

Voltamos para o barco, algumas pessoas foram mergulhar, na Baía Gardner, a Coroa do Diabo, que é um excelente local para mergulho, é uma cratera de vulcão submerso com correntes fortíssimas, nós não fomos, pois não havia sol, a água estava muito fria e, além disso, o Cláudio continuava com febre... mas, os que mergulharam gostaram bastante, nadaram com os lobos...

Pela tarde, voltamos a ilha e visitamos a "Post Office Bay", baía dos correios, onde há uma caixa em que se depositam os cartões postais com o seu endereço, quando alguém do seu país a encontra, ela envia a você.

Mesmo não passando muito bem, o Cláudio jogou futebol com a tripulação do barco, todos o chamavam de Brasillll, Brasilll, vai Brasillll, era muito engraçado... ele arrebentou, jogava na defesa, no ataque, dava passe e até um gol fez, mas os seus pés depois do jogo, estavam em carne viva e inchados, não podia pisar direito, é mole? Este menino está me dando um trabalhão, tudo o que não acontece em casa, está acontecendo aqui...

Navegando, o Cláudio pediu ao Stephan (professor de alemão) uma aulinha básica de holandês, já que iríamos passar pelo Suriname e saber um pouco do idioma local sempre causa boa impressão, comédia, a escrita é tão difícil quanto a pronúncia (que lembra um pouco o alemão) nos ensinaram algumas coisas, até que se iniciou a palestra do guia sobre a programação do barco para o dia seguinte.

Ik heet Claudio. Eu me chamo Cláudio.
Ik kom uit brazilië. Eu venho do Brasil.
Zij heet joyce. Ela se chama Joyce.
Zij is mijn vrouw. Ela é minha esposa.
Hoe heet jij ? Como se chama você?
Wij reizen naar sta. Cruz. Nós viajamos para Santa Cruz.

Lindo Põr do Sol

Chegamos a Puerto Ayora às 20h, desembarcamos para dar um passeio, incrível, mas todos foram diretamente ao supermercado, rimos muito, compravam chocolates, batata rufles, e muitas outras bobagens... por que será?

Voltamos ao barco às 22h para bem cedo desembarcarmos de vez.

Finalmente, desembarcamos - terra firme... o passeio foi muito bom, mas bastante cansativo, não agüentávamos mais ficar no barco. Ah! E a saudade do Thor!!!!! Não temos nenhuma notícia dele....

Voltamos à estação Charles Darwin, o Cláudio com seus pés machucados e a febre que não cessava, andava mais lento que o solitário George, a última espécie remanescente "Pinta Tortoise" de tartaruga existente no mundo. Lá pode-se ver os diferentes aspectos do ecossistema de Galápagos, os problemas e programas de conservação.

Tartaruga gigante em Charles Darwin

Estamos passando por um momento difícil na viagem, o Cláudio está a 4 dias com febre alta e não sabemos o que é. Bem, partimos para o aeroporto de Baltra. Nos despedimos dos companheiros do barco e com muito carinho dos novos amigos Belgas, eles disseram que irão nos visitar e estarão sempre acompanhando o nosso site. Será uma alegria!

De Baltra a Guayaquil. Temos um vôo marcado para o Panamá às 6:50h da manhã, por isso resolvemos dormir por aqui mesmo, no aeroporto... O Cláudio só estava piorando... chegamos em Guayaquil, fiquei com a bagagem e o Cláudio foi diretamente procurar o médico do aeroporto, pois realmente não estava nada bem.... Ficou uns 50 minutos longe de mim, é a segunda vez na viagem que nos separamos, imaginem eu, angustiada, esperando por ele, pois não pude ir junto devido a quantidade de bagagem que tínhamos, estava insuportável de carregar... O médico disse que ele está novamente com uma infecção intestinal, é, a comida está nos pegando..., mas também, ele comeu camarão com casca e tudo, todo o camarão... eu avisei, mas foi em vão... resultado.... o médico aplicou duas injeções, receitou um antitérmico e um antibiótico, tudo o que ele nunca toma... mas, agora estava no seu limite. Os sintomas da infecção começaram a aparecer com mais força, tadinho está tão carente, mas estou cuidando dele na medida do possível, pois eu estou dopada de tanto dramin que tomei, saí do barco e continuo com a sensação do vai e vem... Estamos nos consolando, nesta hora, dá uma vontade louca de estar em nossa casa, nosso cantinho, mas somos fortes e vamos superar esta fase...

No aeroporto, ficamos trabalhando no site, há muito o que fazer, com o pouco de força que nos restava, não tínhamos vontade de comer nada, enjôo duplo... mas, mesmo assim acabei comendo, o Cláudio não.

Para relaxar um pouco fui dar uma voltinha nas lojinhas do aeroporto, encontrei o que mais queria, um DVD com toda obra do Oswaldo Guayasamín e, ainda, escrito pelo Jorge Enrique Adoum, foi um achado maravilhoso, claro que comprei!

Como ficamos toda noite por ali, era muito interessante observar as pessoas, a cada despedida, uma tristeza, havia uma senhora com um bebezinho recém-nascido e supostamente o seu marido estava indo viajar, ela chorava de soluçar e por conseqüência o bebê também, era tão triste ver aquelas cenas... ao mesmo tempo que estavam felizes estavam tristes com a dor da partida... Me dava um aperto no coração, mas isto faz parte da vida e temos que entender que ela é como uma estação de trem, uns passam mais rápido, outros se demoram mais e têm aqueles que ficam, mas que a qualquer momento podem partir...

  
  

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