FINALMENTE NOVIDADES!

Pasei um bom mal bocado ao entrar na Bolívia, e fiquei sem poder acessar a internet para enviar os boletins. Carro atolado Vou dar para vocês uma relembrada do início de minha aventura neste últimos dias: Chegada em Santa Cruz Quinta-feira

  
  

Pasei um bom mal bocado ao entrar na Bolívia, e fiquei sem poder acessar a internet para enviar os boletins.

Carro atolado

Carro atolado

Vou dar para vocês uma relembrada do início de minha aventura neste últimos dias:

Chegada em Santa Cruz

Chegada em Santa Cruz

Quinta-feira bem cedinho (07/11), foi minha partida de São Paulo, de onde segui até Presidente Epitácio, já na divisa com o Mato Grosso do Sul. As estradas estavam em excelentes condições. O tempo bom e a temperatura agradável colaboraram para uma boa viagem. Foram 677 km.

Estrada Boliviana

Estrada Boliviana

No dia seguinte (08/11/02), segui viagem até Corumbá. Cruzei o estado do Mato Grosso do Sul em um único dia. Desta vez o calor foi o grande inimigo, chegando a fazer quase 40°C no interior do carro. Apesar do cansaço e do calor, consegui fazer 788 km em um único dia!

Fronteira

Fronteira

No dia seguinte (09/11/02) a sorte começou a mudar. Por ser sábado, os trâmites na aduana boliviana foram demorados, com vários carimbos e mais a autorização para trafegar com o carro na Bolívia. E cada carimbo é cobrado. Um absurdo!!!
Finalmente fui liberado as 13:00 (hora local, lembrando sempre que a Bolívia inteira têm duas horas a menos que o estado de São Paulo).
No sábado comecei a sentir os efeitos da mudança de fusos e da claridade (o dia é bem mais longo na Bolívia...). O cansaço físico aumentou muito.

Já do lado boliviano, a viagem segue rumo até La Paz. No caminho, uma notícia bastante desagradável: um posto policial boliviano me informa que até Sta. Cruz de La Sierra a estrada é de TERRA, a “Carretera Boliviana”, que mistura trechos de lama, terra, areia, e cascalho. A cada quilômetro rodado a estrada piora e o calor só aumenta. A paratizinha ficou judiada! Já estava bem escuro e por causa da estrada resolvi parar no pequeno povoado de Robore. Foram só 234 km rodados em 6 horas!
Em Robore fiquei hospedado na casa de uma Senhora muito simpática que fez questão que eu dormisse lá e descansasse para o dia seguinte. Contei para várias pessoas sobre a expedição, pois a Parati adesivada e o barco na capota chamavam muita atenção das pessoas da pequena cidade, que nunca tinham visto uma embarcação daquele tipo. Me parabenizaram e me desejaram muito sucesso na expedição. Entretanto me alertaram sobre as condições da estrada até Sta. Cruz.

Na manhã seguinte (10/11/02) decidi acordar bem cedo e continuar...
O techo que já era ruim piorava a cada quilômetro. De Robore em diante, a vegetação seca do cerrado cede lugar a uma vegetação mais alta e densa. Estou entrando na Floresta amazônica boliviana. Para meu azar neste dia choveu e todos os trechos de lama transformaram-se em atoleiros. Atolei cinco vezes!!! Uma seguida da outra. Entrava em pânico ao ver meu carro atolado e eu sozinho naquele fim de mundo sem ver uma alma viva. Foram momentos de grande desespero. De vez em quando apareciam que me ajudavam a sair da buraqueira. E, lógico, cobravam para tudo... Após a 5ª atolada, o último caminhoneiro me garantiu que não haveriam mais atoleiros pela frente. Mas a estrada mudava de terra para cascalho, de cascalho para areia (a areia me apavorava!!!). Por causa das atoladas, perdi mais de cinco horas parado...

Mesmo cansado e com fome (já um pouco magro e abatido) decidi seguir viagem a noite toda até Sta. Cruz de La Sierra. Tinha horas que eu não agüentava e encostava o carro naquela escuridão e dormia uma ou duas horas. Dirigir a noite naquela estrada foi um verdadeiro exercício de concentração. Um erro, uma pedra mais alta e é o fim. Esse rali noturno acabou me deixando exausto, mas segui em frente. Cheguei em Sta. Cruz as sete horas da manhã, e acabado. A Paratizinha sofreu mais que no dia anterior, mas agüentou bem. Ela com certeza deverá retornar de caminhão para Corumbá...

De Domingo até segunda feira, dirigi apenas 365 km em quase 20 horas de viagem na estrada mais traiçoeira e perigosa que já vi na minha vida!!! Tenho certeza absoluta que Deus protegeu minha viagem o tempo todo!

Previsão:

Hoje, (12/11) Sigo até La Paz e descanso um pouco. Apesar de serem 800 km, o trecho é o início da subida da cordilheira dos Andes. De qualquer forma, e se não houver nenhum imprevisto, Devo chegar em Copacabana na amanhã (13/11) pela manhã. Ali sim, deve começar a verdadeira aventura!!!

Algumas Impressões:
Não gostei da Bolívia.
Os bolivianos são muito simpáticos, porém cobram por tudo. Para eles, não há gentileza e solidariedade sem envolver dinheiro.
As cidades são muito, mas muito pobres. Não consigo imaginar como o povo consegue sobreviver. As cidades por quais passei até agora só possuem energia elétrica duas horas por dia, que são geradas por um motor a diesel. Depois da meia noite tudo é apagado. A escuridão é total!
Esta estrada foi minha maior decepção, pois ela é considerada uma via federal que integra dois países. A Bolívia tem grande potencial para o turismo, mas não querem sair do eixo La Paz-Copacabana. O resto dos povoados é que paga caro...
Os policiais pedem dinheiro o tempo todo. Como o carro é do Brasil eles acabam implicando com algo. Já deixei pelo caminho dinheiro, camisa, boné, etc...
Não recomendo a ninguém que venha a Bolívia por Terra. Definitivamente, não vale a pena!

Comida:
São muito pouco higiênicos.
Os pedaços de carne e frango (e como comem frango este povo!) são vendidos ao ar livre e sem refrigeração. Para quem acha ruim aquele churrasquinho grego vendido no centro, ele é um luxo perto das barraquinhas bolivianas.

Expectativas:
O lado oriental da Bolívia me decepcionou bastante. Hoje estarei passando para o lado ocidental, o da cordilheira, que é o mais bonito e visitado. Espero que mude minhas impressões.
Antes de seguir viagem para La Paz há uma inspeção médica na estrada que aprova ou não a entrada de pessoas. É um mini check-up para verificar se a pessoa terá problemas com a altitude. Espero que ocorra tudo bem e que seja bem sucedido em mais este obstáculo.

Marcos Viana

  
  

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