Blogs > Viagens Nacionais > Viagens Nacionais >A Natureza no Sertão NordestinoApresentação Caprichosa, a natureza exibe suas esculturas de pedra. Na foto, pedra do Capacete Foto: João Correia Filho O Lajedo do Pai Mateus, no estado da Paraíba, é um desses locais privilegiados pelo capricho da natureza. Ao longe, o que se vê18 de Janeiro de 2005. Publicado por Equipe EcoViagem Apresentação![]() Caprichosa, a natureza exibe suas esculturas de pedra. Na foto, pedra do Capacete O Lajedo do Pai Mateus, no estado da Paraíba, é um desses locais privilegiados pelo capricho da natureza. Ao longe, o que se vê é uma enorme base de granito onde grandes pedras redondas dão um aspecto único, como se tivessem sido colocadas ali pela mão do homem. Ou melhor, pela mão do homem e seus guindastes, pois, olhando de perto é que se percebe que são enormes, chegando a pesar até 45 toneladas. Localizado no município de Cabaceiras, o Lajedo do Pai Mateus faz parte de uma região conhecida como Cariri Paraibano, ou Cariri Velho, que durante muito tempo foi praticamente esquecida. No entanto, já foi habitada há milhares de anos pelos índios cariris, que emprestaram seu nome ao lugar e deixaram fortes marcas na cultura e no jeito de ser do nordestino. FormaçãoNa verdade, essa formação data de mais de 500 milhões de anos, no período pré-cambriano, em um processo que ainda ocorre lentamente. Eduardo Bagnoli, geólogo que há anos explora a região, explica que tudo começa no centro da terra: as rochas que se formam a 70 quilômetros de profundidade são empurradas para a superfície e começam a sofrer um processo de desgaste. Fissuras naturais e a constante mudança de temperatura que há na região – pois os dias são muito quentes e as noite mais frias - dilata e contrai a rocha abruptamente, e faz com que rachem. Inicialmente são blocos retangulares ou quadrados que vão se desgastando num processo chamado de esfoliação esferoidal, ou seja, vão tomando as formas arredondadas que possuem hoje. Saca de LãBem próximo dali, seguindo alguns poucos quilômetros por estradas de terra, está outro monumento natural que lembra as grandes construções erguidas pelo homem - talvez incas, maias...quem sabe egípcios. A Saca de Lã recebe esse nome por lembrar sacos de algodão empilhados, segundo o imaginário do lugar. São pedras gigantescas, retangulares, que se encaixam perfeitamente e formam uma espécie de pirâmide de mais de 40 metros de altura. É difícil entender como aquilo se formou e como a natureza pôde ser tão audaciosa. Segundo estudiosos é o mesmo processo das pedras redondas dos outros lajedos da região, como o do Pai Mateus e o do Bravo, mas aí o desgaste ocorreu apenas de forma retangular, devido às fissuras exatas das pedras. Seja qual for a explicação, o lugar impressiona. Para quem visita a Saca de Lã, também faz parte da aventura a subida até a última pedra, ironicamente redonda. Ribamar de Faria, nosso guia, arrisca a subida e completa o monumento como se fora um grande totem. Pinturas RupestresEduardo Bagnoli conta que a primeira vez que esteve no Cariri Paraibano ouviu falar de alguns `letreiros` espalhados por toda região. Curioso, seguiu alguns moradores até as pedras mais próximas e descobriu que os `letreiros` eram nada mais nada menos do que belas pinturas rupestres. Começou a pesquisar, chamou amigos e estudiosos e foi percebendo que estava diante de um grande acervo iconográfico da humanidade. A maioria dessas manifestações data de 10 a 12 mil anos e foram deixadas pelos antigos habitantes dali, os índios cariris. No sítio do Bravo e no Lajedo Manuel de Souza, município de Boa Vista, estão a maioria delas, as mais belas e visíveis da região. Pássaros, figuras humanas e desenhos geométricos são pintados geralmente nas grutas formadas pelas grandes pedras que se formam sobre os lajedos. Provavelmente locais onde permaneciam abrigados da chuva e, talvez, dos inimigos. Há também a possibilidade de serem locais de rituais mais complexos e essas grutas espécies de igrejas, mal comparando. O método desenvolvido por Eduardo para encontrar `letreiros`, apesar de ser quase uma brincadeira, acaba convencendo: `Basta você olhar para um lugar bonito, ou que lembre uma moradia e procurar com cuidado. Pode ter certeza que vai encontrar pinturas rupestres`. Apesar de simplista, o método ilustra o volume de pinturas da região e quase sempre dá certo. É também no Sítio do Bravo que se formaram pequenas lagoas, extremamente ricas em restos ósseos de grandes mamíferos do período pleistoceno, que começou a se formar a 1 milhão de anos. Em meio aos grandes lajedos, os lagos certamente serviram para saciar a sede dos grandes animais pré-históricos, como o tigre-dente-de-sabre e a preguiça gigante. Provavelmente o homem aproveitava-se da situação para caçá-los ali mesmo, onde estavam vulneráveis e seus restos permaneciam no local. Alguns objetos encontrados ali, como pedras quebradas em forma de faca, são representativos para entendermos um pouco mais sobre os hábitos dos nossos antepassados. Acredita-se que antes desses instrumentos o homem era mais caçado do que caçador. Com esses objetos, começaram a caçar e a ter reserva de carne, o que deu estabilidade e mais tempo a trabalhar com o intelecto. CabaceirasCabaceiras é a cidade de menor índice pluviométrico do país, beirando 290 mm de chuva anuais. Ou, trocando em miúdos, pode se dizer que é a cidade mais seca do país. No entanto, o que surpreende é que não se encontra ali uma cidade quase fantasma, com o solo todo rachado e pessoas beirando o desespero. Cabaceiras tem casas muito antigas, coloridas e bem conservadas. Uma pracinha arrumada e aspecto de cidade cenográfica. E é. Ali foi filmado `O Auto da Compadecida`, uma adaptação para o cinema da obra de um nordestino ilustre, Ariano Suassuna. Isso fez com que a cidade ganhasse uma pequena reforma, mas mantivesse os aspectos da cultura nordestina cariri. Outro ilustre na cidade é Severino Gomes de Macedo, o Seu Nino. É assim que é conhecido e assina a autoria dos melhores chapéus e celas produzidos em de toda região, confeccionadas em legítimo couro de bode. Começou aos 12 anos, quando, numa viagem com o pai, a cela e o arreio quebraram. Ele resolveu desafiar os companheiros de que faria peças iguais àqueles danificadas e assim começou: “o primeiro não ficou muito bonito, mas durou bastante`, afirma seu Nino, hoje com 65 anos. Com moldes de madeira, ele praticamente esculpe suas celas com minúsculos detalhes e muito capricho. Mais tarde, ampliou seus trabalhos e começou fazer chapéus, daqueles típicos usados por quase todo o nordeste. Já mandou suas peças para países como a Bélgica e a Holanda, sem contar os famosos como a atriz Denise Fraga e o ator Rogério Cardoso, que fizeram questão de levar uma. Conversando com pessoas como Seu Nino, percebemos que a cultura do Cariri é repleta de antagonismos surpreendentes, expressos na beleza e na força de suas peças. De uma fibra parecida com algodão que nasce no xiquexique, um cacto típico do nordeste brasileiro, o beija-flor faz seu delicado ninho entre espinhos. Com esse mesmo espinho e a mesma fibra o sertanejo faz um “cotonete” para limpar o ouvido. Da árvore do juá se extrai um excelente produto para os dentes. Fauna e Flora![]() José Inácio de Faria, o Seu Zá, vive sozinho no Cariri, numa pequena casa de adobe O Cariri é também o habitat de uma grande variedade de espécies animais. A maior ave da América do Sul, a ema, que já fez parte da alimentação do homem, quase desapareceu, mas hoje caminha mais tranqüila pela região. Quando o assunto é fome, descobrimos que praticamente todos os cactos dão fruto e que esses frutos, quase sempre, são comestíveis. Além de matar a sede. A palma, outro cacto típico da região, serve como alimento para o gado e para as cabras. José Inácio de Faria, o Seu Zá, vive sozinho numa pequena casa de adobe e mantém uma pequena plantação de palmas para alimentar sua criação. ![]() Plantação da região de cabaceiras: Sebastião da Silva Flor colhe palmas para as cabras Sebastião da Silva Flor, outro morador da região, alimenta suas cabras e bodes com esse cacto. Ele nos conta que nas épocas das piores secas, quando havia se perdido tudo, a palma era comida também pelo homem - `É frito, mas eu graças a Deus nunca precisei comer isso não!`, orgulha-se de dizer Seu Sebastião. EstruturaA Paraíba surpreende por suas boas estradas. Os trechos de terra são próximos à região que exploramos, onde seria até uma contradição estradas de asfalto. No entanto, em nenhum momento foi necessário um veículo 4x4. Quem está em João Pessoa deve seguir pela BR230 por 200 quilômetros até a cidade de Campo Grande. De lá são mais 90 quilômetros até Cabaceiras, de onde saem estradas para todos os principais pontos para se conhecer – como o lajedo do Pai Mateus, a Saca de Lã e o Lajedo Manuel de Souza. Quando se chega à estrada de terra, as únicas placas existentes indicam o Hotel Pai Mateus, de onde começa o passeio. De lá, é obrigatório seguir com os guias. Um dos guias mais experientes é Ribamar de Faria, de 20 anos, que há 5 dedica-se ao Cariri Paraibano. Ribamar, uma das pessoas da região de quem o turismo mudou totalmente a vida, fala inglês e se arrisca bem em outros idiomas. Além de ser uma grande simpatia. Quem vai ao Lajedo do Pai Mateus tem a opção de hospedar-se no meio do região do Cariri. Entre cactos e bromélias, lagartos e emas, a fazenda centenária vem recebendo turistas de várias partes do mundo a fim de conhecer um pouco das paisagens exóticas e da cultura local. Piscina com cascata e sauna a lenha parecem contrastar com o clima do passeio, mas o ambiente simples e as pessoas do lugar torna o Hotel Pai Mateus uma ótima opção. Comidas típicas, noites ao lado de fogueiras e muita música (forró, principalmente) faz o visitante se sentir bem a vontade.O lajedo do Pai Mateus e a Saca de Lã, por exemplo, ficam a poucos quilômetros do hotel, o que inclui no passeio ótimas caminhadas a pé. Dica do autorQuando se pensa em sertão nordestino, logo vem a mente uma região abandonada, seca e desprovida de beleza. Engano. Além de sua gente maravilhosa, de cultura extrema, ele esconde uma infinidade de flores, animais, belas lagoas e, ao contrário do que se pensa, muito verde - principalmente em determinadas épocas do ano. O que surpreende é que a grande maioria de visitantes que vão para a região do Cariri paraibano são estrangeiros. O que demonstra que ainda precisamos olhar o que é nosso com mais atenção. Em poucos dias que estive nessa região, aprendi muito de geologia, de antropologia e aprendi a olhar a natureza mais de perto. Quem levaApenas uma empresa trabalha especificamente com passeios pelo Cariri Paraibano. A Manary Ecotours, que tem sua sede em Natal, Rio Grande do Norte, possui veículos 4x4 e Vans que levam até os pontos mais importantes do Cariri. Eduardo Bagnoli, geólogo e proprietário da empresa, estuda a região há vários anos e é, sem dúvida, o melhor guia para quem quer conhecer a região paraibana. Tem explicações científicas comprovadas e teorias bastante interessante para explicar desde a formação de rochas até aspectos humanistas. Isso sem contar que é um apaixonado pelo região e gosta muito de conversar. Quem segue com a Manary, geralmente parte de Natal, numa viagem que leva 4 a 5 horas até a Pedra do Ingá, primeira parada. Seus roteiros ainda incluem outras atrações, tanto no interior como no litoral. ServiçosManary Ecotours Queensberry Viagens e Turismo Ltda |
Comentários |
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Marlipostado: 19/4/2009 20:36:17Fantastico saber que o nosso estado tem tantas maravilhas criadas pela natureza; espero que o homem não tente destrui-la. Pretendo conhecer esta maravilha brevemente. |
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josé ivanildo campospostado: 3/4/2009 11:33:37Muito bom dia a todos! Esta matéria é linda demais, afinal, a minha Paraiba é tudo de bom, só falta mais investimentos na parte de turismo...abraços.. |
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Sônia Furtadopostado: 31/3/2009 09:12:40Excelente matéria. Conheci este lugar no final de semana e adorei. Estou usando os texto para ilustrar as minhas fotos no flickr (www.flickr.com/sonia_furtado.) |
Olá Sônia, O Portal EcoViagem trabalha para levar à todos as melhores matérias. E são internautas como você que nos impulsiona a trabalhar e melhorar cada vez mais! Agradecemos o comentário. |
jose mariano silvapostado: 21/12/2008 09:26:54sou com orgulho sertanejo,inha terra,meu berço...meu lar... |
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Geraldo Leitepostado: 6/12/2008 15:38:56Muito bom, estaremos partindo dia 14/12 de Recife/PE, para conhecer o Lajedo de Pai Mateus. A camera já esta pronta !!!!!!!! |
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Petruspostado: 11/11/2008 17:33:15Estive na Pedra do Ingá e no Lajedo de Pai Mateus. Sem dúvidas é como viajar no tempo e mais uma vez ratificar a existência de Deus! Na segunda, sem interferência do homem, monolitos de toneladas são desenhados pelo vento, nos brindando com um cenário único no mundo. No Ingá, em baixo relevo, são desenhados simbolos que até hoje são mistério. Inconteste que a PB nos reserva grandes passeios. Não deixe de ir, leve quem você ama. |
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leticiapostado: 29/10/2008 19:21:36por que a regiao do cariri recebe esse nome? |
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ANDRESAMONTEIROpostado: 24/10/2008 17:47:16É MUITO BOM |
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Vinícius da Cruz Sugaharapostado: 2/10/2008 17:34:15Achei muito legal essas fotos e as aproveitei para um trabalho da escola. |
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Letíciapostado: 29/9/2008 14:14:33Eu tenho um trabalho escola e é sobre o Cariri sobre a fauna e a flora e adorei este site. eu e minha turma de mais vamos tirar um 10 de cara na nota |
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danielly medeirospostado: 25/9/2008 11:02:43muito legal mais eu acho que tudo isso ainda devia ser mais reconhecido |
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Tatiane Silvapostado: 24/9/2008 10:00:39E muito bom saber que nosso estado guarda belezas desse porte!!! Pena que nós paraibanos não á valorizamos o suficiente!!! |
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letianepostado: 12/9/2008 15:58:04que e muito boa essa pg da internet com esse site... |
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Mayra Barralpostado: 10/9/2008 18:07:19achei muito legal, me ajudou em um trabalho. E mostra que muitas pessoas se enganam ao pensar, que o sertão é uma terra de 'nada', pelo contrário, tem muitas coisas a serem vistas e conhecidas. |
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