Blogs > Vida de Viajante > Boletins >Morretes PR - Um oásis incrustado na Mata AtlânticaChegar em Morretes pela Serra da Graciosa é um espetáculo à parte. Ela começa na BR-116, 37km ao norte de Curitiba, junto ao posto da Polícia Rodoviária.3 de Julho de 2007. Publicado por Lyanne Rehder e Marcelo Maestrelli ![]() Portal da Serra da Graciosa Chegar em Morretes pela Serra da Graciosa é um espetáculo à parte. Ela começa na BR-116, 37km ao norte de Curitiba, junto ao posto da Polícia Rodoviária. A parte de serra mesmo tem cerca de 10km e você encontra seis pontos de paradas, os “Recantos”, com infra-estrutura de churrasqueiras, banheiros, mirantes e quiosques onde você é convidado a saborear produtos típicos da região – experimente as balinhas de banana, são deliciosas! ![]() Recantos durante a descida da Serra da Graciosa ![]() Recantos durante a descida da Serra da Graciosa ![]() Durante a descida, vá bem devagar. Não só pela segurança - pois ela é uma serra bem estreita e sinuosa - mas principalmente, para sentir o ar, a umidade da Mata Atlântica, apreciar a paisagem, e perceber que você está percorrendo uma estrada secular, inaugurada por volta de 1873, que foi um dos primeiros caminhos que liga o litoral ao interior do Paraná. Se puder, pare em todos os recantos e descubra o que cada um tem de especial: uma paisagem maravilhosa, uma cascata, um córrego de águas transparentes, uma amostra de Mata Atlântica exuberante, um jardim de hortênsias, uma ponte de ferro, um rio que te convida a se refrescar... enfim... vá preparado, sabendo que seu passeio começa já na Serra da Graciosa. ![]() Chegando em Morretes, fomos super bem recebidos pelo Juliano, proprietário do Santuário Nhundiaquara, e lá encontramos nossos amigos da Família Muller ; Luciana, Ronny e Matheus (10 anos) e Marcelo Machado (video maker que acompanha a Família Muller), com quem dividiríamos as emoções e experiências desta viagem. A recepção foi um jantar delicioso, iluminado por velas à beira da lareira e regado a um bom vinho, num ambiente exótico e fascinante – assim é o Santuário Nhundiaquara. Depois dessa calorosa boas vindas, fomos para a Pousada Oásis, bem próxima do Santuário. Fomos carinhosamente recebidos pelos proprietários Dna. Noiran e Sr. Antônio, que logo nos acomodaram em um chalé rústico e bem agradável. .
De manhã, bem cedinho, para a nossa alegria, avistamos pela janela, em frente a nossa mesa de café da manhã, o conjunto de montanhas do Marumbi. Lindo, imponente, com o pico iluminado pelos primeiros raios do sol... assim o café fica até mais gostoso. ![]() Café da manhã na Pousada Oásis com vista para o Marumbi ![]() Café da manhã na Pousada Oásis com vista para o Marumbi O ponto de encontro para a saída do passeio do dia, era o Santuário Nhundiaquara, onde estavam hospedados nossos amigos da Família Muller. Chegamos lá e eles ainda estavam terminando o café da manhã, e lá eles também tinham um presente especial: as mesas onde os hóspedes tomam o café da manhã são rodeadas de passarinhos super atrevidos, que chegavam bem pertinho e pareciam não temer a nossa presença. Nossos dedos não conseguiam parar de fotografar e filmar. ![]() Café da manhã no Santuário, com a companhia dos passarinhos ![]() Café da manhã no Santuário, com a companhia dos passarinhos Às 9h chegou o Celso, da operadora Calango Expedições, para nos levar ao Parque Estadual do Marumbi. Ficamos muito felizes ao ver que a Calango é associada à ABETA (Associação Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura) e participa do Programa Aventura Segura – com isso sabíamos que estávamos em “boas mãos”. ![]() Para se chegar à Sede do Parque a partir do centro são 6km de asfalto até o bairro de Porto de Cima e, a partir deste ponto, são mais 7km de terra. Os últimos 3km são bem precários e íngreme – não indicado para veículos de passeio. Fomos com uma Pickup Rural até o início da subida mais forte e, a partir deste ponto, seguimos a pé. Percorremos o início do Caminho de Itupava, reparando em detalhes, caminhando devagar, curtindo as belas paisagens. Na Estação Engenheiro Lange, paramos para descansar, tomar um lanche, ver o movimento dos trens, e esperar nossos amigos da Família Muller. Neste ponto, Celso nos contou mais sobre a estrada de ferro e o passeio de trem que desce a Serra da Graciosa de Curitiba à Morretes. Infelizmente não tivemos a oportunidade de fazer esse passeio, mas, pelo que soubemos, é absolutamente imperdível! Claro que voltaremos lá e faremos esse passeio. ![]() Descanso e lanche na estação Engenheiro Lange Outra coisa que descobrimos ali foi que o Celso e os outros proprietários da Calango Expedições são nativos de Morretes – por isso, além da história tradicional de Morretes, ele acrescenta experiências de vida nas suas explicações sobre as trilhas e o Parque. Isso enriquece em muito o nosso passeio. Sabia que uma das formas de se fazer Turismo de forma Responsável, é contratando uma empresa de guias nativos da região" Isso assegura trabalho aos nativos e contribui com a sustentabilidade da região. ![]() Subindo para a Sede do Parque ![]() Trilhas do Conjunto Marumbi Nossos amigos chegaram, atravessamos os trilhos do trem, e seguimos pela trilha por mais meia hora até a Estação Marumbi, onde funciona a Sede do Parque. ![]() Estação Marumbi e sede do Parque ![]() Estação Marumbi e sede do Parque ![]() É importante frisar que apreciamos muito uma mensagem que vimos na entrada do Parque, onde uma placa nos convidava a abrir a tampa de uma caixa de madeira para conhecermos quem é o responsável pela limpeza do parque e, ao olharmos lá dentro, o que vemos é a nossa imagem refletida num espelho. Vamos cuidar do que é nosso. Se cada um fizer sua parte, as belezas que vemos por aí podem ser preservadas para gerações futuras. . . . ![]() No Parque, cada trilha tem uma cor e é marcada com fitas coloridas amarradas nas árvores. Isso é por segurança em caso de emergência. Nossa recomendação é que você sempre vá acompanhado de um guia especializado – de preferência, nativo. ![]() Chegamos no cume do Morro do Rochedinho! De lá a vista era magnífica: podíamos ver a Estação Marumbi lá embaixo, onde iniciamos a caminhada; e o imponente do Pico do Marumbi, com alguns escaladores se aventurando em seus paredões. Do outro lado a vista avançava até o litoral do Paraná e, de repente, atrás de nós o trem apitava forte descendo a Serra da Graciosa serpenteando por trilhos que sumiam nos túneis e logo reapareciam do outro lado para conduzir os vagões sobre as enormes pontes metálicas. ![]() Ali tínhamos paz, liberdade, realizações, felicidade, euforia, cansaço, e... fome! Sentamos no chão, abrimos as mochilas, e cada um tirou o que tinha para dividir com os outros. Foi uma delícia! .
Caminhando pelas ruas de paralelepípedos, não resistimos em conversar com uma senhora idosa que estava debruçada no parapeito da janela de sua casa. Dna Aline França Sundin foi muito amável conosco e, sem querer, descobrimos que ali tinha uma história extremamente interessante. ![]() Logo chegou a Dna Helena, filha da Dna Aline, que nos convidou para entrar e nos mostrou a casa – uma das primeiras da vila, construída pelo seu pai, Sr. Roberto França, que foi médico, farmacêutico, e até delegado na cidade. ![]() ![]() Sr. Roberto França e sua identidade ![]() Remédios antigos ![]() equipamento para fazer comprimidos ![]() Calendários e selo dos remédios, onde marca o número do telefone da "Farmácia Paranaense" ![]() Calendários e selo dos remédios, onde marca o número do telefone da "Farmácia Paranaense"
Acordamos cedinho para aproveitarmos bem o dia, e já no café da manhã, a vista do conjunto do Marumbi, sem nuvens e com um céu azul lindo por trás nos, assegurava de que teríamos mais um dia ensolarado. ![]() Fomos nos encontrar com a Família Muller no Santuário Nhundiaquara e, novamente, lá estavam os passarinhos coloridos perambulando pelas mesas do café da manhã. Nesta manhã o passeio seria dentro da propriedade do Santuário: a Cachoeira São Luis. Mas, mesmo que você não se hospede no Santuário, pode visitá-la – bastando estar acompanhado de um guia local (informe-se na Calango). ![]() A caminhada começa circundando um lago e, mais à frente, entramos numa trilha em meio à Mata Atlântica preservada. O percurso é tranqüilo, a trilha bem marcada atravessa alguns riachinhos que criam cenários irresistíveis para curtir e fotografar. . . ![]() Depois de aproximadamente 1h de caminhada chegamos à Cachoeira São Luis – linda! ![]() Na volta, descansamos um pouco lá no Santuário, para nos prepararmos para o almoço. De repente, um beija flor bateu numa janela e caiu no chão. Peguei o bichinho atordoado e o sustentei para que se recuperasse. Felizmente não aconteceu nada de grave, e é claro que deu tempo de apreciarmos e fotografarmos o bichinho... Ficamos felizes em ver que ele se recuperou logo e, em poucos minutos, levantou vôo. ![]() Saímos para almoçar no Restaurante Sato’s, localizado na entrada da cidade (para quem chega pela BR-277). O restaurante é simples, o atendimento é familiar, o preço é bem honesto, e a comida é deliciosa. Lá saboreamos uma comida bem caseira e bem saborosa. Cicloturismo À tarde fomos convidados pela Calango Expedições para um passeio de bike pelos arredores da cidade. O ponto de partida foi na sede da Calango, que é dentro da Estação Ferroviária, onde ficam as bicicletas e os equipamentos. ![]() Passeio de bike pelos arredores de Morretes ![]() Passeio de bike pelos arredores de Morretes Pedalamos por ruas estreitas, de terra, que se embrenhavam pela zona rural em meio às plantações e casas de colonos. A maior parte do percurso era plana e tranqüila. Quando apareceu uma subidona, descemos e subimos empurrando as bikes. Lá no alto atravessamos os trilhos do trem e, depois... descida! Que delícia! Salto da Fortuna ![]() Seguimos pela Estrada do Anhaia até o ponto onde se deixa o carro, e ali conversamos com um morador muito simpático, que nos contou sobre os trabalhos de preservação da região, sobre a trilha e também sobre a fiscalização da entrada de visitantes. ![]() Mata exuberante, com detalhes que merecem ser percebidos ![]() Mata exuberante, com detalhes que merecem ser percebidos ![]() De repente a trilha acaba num rio, que não era pequeno... com pedras e corredeiras... Neste ponto paramos, comemos umas barrinhas de cereal, descansamos um pouco, exploramos o rio, e a Luciana e o Maheus da Família Muller resolveram aguardar por ali enquanto o Marcelo Machado, Ronny, Lyanne e eu seguimos pela trilha que continuava do outro lado do rio. Neste último trecho a Mata que já era demasiadamente exuberante foi ficando cada vez mais selvagem, mais viva, mais cheirosa, mais úmida, mais fresca, mais encantada... Depois de uma subida difícil, nos deparamos com mais um trecho onde era necessário molhar novamente os pés. Neste ponto o Ronny e a Lyanne resolveram iniciar o retorno. Na verdade não sabíamos a que distância estava a cachoeira e a Luciana e o Matheus estavam sozinhos lá no outro rio. Então, o Marcelo Machado e eu, que éramos mais rápidos, resolvemos ir até um pouco mais à frente para ver o que encontrávamos. ![]() Caminhando ao lado de árvores imponentes ![]() Caminhando ao lado de árvores imponentes Uau! Que presente!!! Caminhamos 100m sobre as pedras do leito do rio e, de repente, nos vimos dentro de um cenário mágico. Sobre o rio, raios de sol passavam pelas copas das árvores e iluminavam as gotículas de água que vinham com o vento,... mais a frente, ainda ao longe, incrustada no meio da mata fechada, a Cachoeira Salto da Fortuna. 40 metros de queda livre. Linda! ![]() Cenário mágico Continuamos por mais 100m por uma trilha paralela ao rio que nos levou até a base da cachoeira. Sentimos o frescor da água através das gotículas que voavam como uma nuvem molhada. Sentimos vida, natureza, felicidade... Que bom estar ali! .
O Barreado surgiu há mais de 200 anos, quem nos apresentou esse famoso prato foi o Maurício, proprietário dos restaurantes Villa Morretes e Casarão. Segundo ele, o Barreado era o único alimento para o povo agüentar o trabalho em mutirão – principalmente nas lavouras. Mais tarde, ele alimentava os foliões na época do “entrudo” (hoje Carnaval). O Barreado era feito com carne dura que cozinhava em panela de barro vedada, ou melhor, “Barreada”, com uma massa feita de cinza de fogueira, barro e farinha de mandioca com água quente. Daí o nome “Barreado”. Cozinhando 24 horas até ficar pronto, era um verdadeiro ritual. ![]() Barreado Atualmente o Barreado é servido com banana e frutos do mar nos restaurantes de Morretes. ![]() No Villa Morretes o Barreado é preparado em um fogão a lenha no meio do restaurante e, se o cliente quiser acompanhar e saber como se prepara, basta ficar ali e conversar com o garçom. Bem, não preciso nem dizer que é absolutamente obrigatório experimentar o Barreado quando você for à Morretes.
![]() Na parte da tarde o Celso da Calango nos levou para conhecermos o Centro Histórico. Começamos o passeio na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto, construída em 1812, e dali seguimos pelas ruas de paralelepípedos em meio ao belíssimo casario que enfeita a cidade – onde até o Imperador D.Pedro II já pernoitou. . ![]() Casario colonial ![]() Casario colonial ![]() Mais à frente chegamos ao coreto onde ocorrem apresentações do Fandango – dança tradicional do povo morretense, ritimada pelos sons das batidas dos tamancos no chão de madeira. . ![]() Rio Nhundiaquara - Cartão postal de Morretes ![]() O Centro Histórico é todo às margens do Rio Nhundiaquara, que completa a paisagem do cartão postal da cidade. Aos finais de semana, além das lojas de artesanato, encontramos também uma feirinha com diversos produtos – porém, nem todos são da região. Lembre-se que, se você está em Morretes, a lembrança mais autêntica é uma que tenha sido produzida em Morretes, e pela comunidade local. Por isso, antes de comprar qualquer coisa, converse com a pessoa que está vendendo e procure informar-se sobre a origem do produto. ![]() Restaurante e Pizzaria Terra Nossa ![]() Hotel e Restaurante Nhundiaquara _____________________ Morretes tem muitos outros atrativos, como o passeio de trem pela Serra da Graciosa, Bóia Cross no Rio Nhundiaquara, o Salto dos Macacos, os outros picos do Conjunto Marumbi, o Caminho de Itupava, a Cachoeira dos Marumbinistas, e outros que não tivemos a oportunidade de visitar; por isso, atrações turísticas em Morretes não faltam! Não deixe de visitar este oásis no litoral paranaense. _______________ Clique no botão [PLAY] no centro da imagem abaixo e assista ao vídeo desta reportagem: _______________ Serviços Pousada Oásis: (41) 3462.1888 Santuário Nhundiaquara: (41) 3462.1938 Pousada Hakuna Matata: (41) 3462.2388 Hotel Nhundiaquara: (41) 3462.1228 Restaurante Casarão: (41) 3462.1314 Restaurante Villa Morretes: (41) 3462.2140 Restaurante e Pizzaria Terra Nossa: (41) 3462.2174 Restaurante Sato’s: (41) 3462.1703 |
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