Pojuca



A palavra Pojuca, assim como o nome de muitas cidades do Brasil, é legado da cultura indígena. Em Tupi, “Yapo-Yuca” significa o riacho, o brejo. Segundo Teodoro Sampaio, o termo significa pântano, mas todas as denominações são, portanto, relacionadas ao rio. Quando o termo é analisado separadamente, tem-se, em Nicolai (2006) do Guarani, y – água, yapo - barro e yuca (mani’o) - mandioca, termos relativos à cultura da cidade, a água do rio, ao massapê, barro de boa qualidade utilizado inicialmente entre os índios e depois por toda a população, para produzir objetos de cerâmica, e a mandioca, matéria-prima da farinha, produto comercial de grande importância desde o período colonial até hoje.

Segundo Rêgo (1997), no inicio do século XVII, as terras pertenciam a Francisco de Sá, filho do terceiro Governador Geral do Brasil, Mem de Sá. Após a morte de Francisco, sua irmã, D. Filipa de Sá, vendeu e doou várias partes da propriedade, ocorrendo assim a fixação de pequenos proprietários nas margens do Rio Pojuca, atraídos pela fertilidade do solo, de 1602 a 1684. O local recebeu o nome de “passagem” por servir de apoio para tropas e boiadas. Aos sábados, formava-se uma feira, onde foi construída uma capela dedicada ao Bom Jesus da Passagem e o arraial foi se formando.

As primeiras famílias a se fixarem e produzirem cana-de-açúcar, principal sustento da economia colonial, foram Ferreira Veloso, Freire de Carvalho, Sepúlveda, Vasconcelos e Saraiva, juntamente com outros proprietários. De acordo com Sant’Ana (1978), um dos primeiros migrantes que contribuiu para o crescimento do arraial de Pojuca foi Vicente Ferreira Sant’Ana. Dentre os seus 17 filhos, um se tornaria intendente do município: Raimundo Ferreira de Sant’Ana. Entre vários netos, um se revelaria como escritor: José Lemos de Sant’Ana – que retratou parte da história de Pojuca nos livros intitulados “Bambangas”.

O reverendo Felipe de Barbosa da Cunha, em citação de Rêgo (1997), enviou ao Rei de Portugal, em 1757, um relatório descrevendo os engenhos que existiam:

Há nesta freguesia oito engenhos de fazer açúcar, a saber: Laranjeiras, da Pojuca, do Retiro, da Água Boa, Pimentel, Laranjeiras Nova, Rapassu, Terra Nova e das Religiosas de Nossa Senhora do Carmo. Distam um do outro entre uma a duas léguas. Esses engenhos são as maiores povoações de que compõem essa freguesia porque além de serem os seus senhores, pessoas distintas, trabalhavam nessa oficina grande quantidade de escravos e muitos homens forros, havendo também muitos lavradores de cana que plantam para moerem nos ditos engenhos, dando-lhes a meação do açúcar como é estilo vivendo estes nas suas fazendas.

Rêgo (1997) cita Durval de Aguiar, coronel da polícia baiana, que ao percorrer o interior da Bahia, em 1888, descreveu algumas características sócio-econômicas do Município de Catu, comparando-as com o arraial de Pojuca:

O importante Arraial de Pojuca, junto ao rio do mesmo nome, possui 4.197 habitantes, que é em tudo superior e mais aprazível do que a Vila, onde a exceção dos dias da insignificante feira vive-se em perfeito deserto; por falta de recursos não tem podido ajudar a Vila, nem elevá-la da decadência física e moral em que se acha. O comércio é insignificante porque divide as forças com o aprazível Arraial de Pojuca, onde existe uma estação férrea e também serve de entroncamento à rede telegráfica terrestre desta província; pelo que estás em comunicação direta com a Corte, ficando acima do povoado na distância de 3 quilômetros e 11 a quem da Vila de Catu, a célebre Fábrica Central, açucareira pertencente a uma associação particular de abastados lavradores. Possui o Arraial 2 (duas) escolas com 70 alunos matriculados.

O franco desenvolvimento de Pojuca, a falta de interesse e de verbas do Conselho Municipal de Catu para a manutenção das estradas que davam acesso a Pojuca, levou moradores a pensar em emancipação. Assim, tendo a frente o Coronel Carlos Pinto, forte comerciante e político influente, apoiado por outros cidadãos, a mobilização foi iniciada e recebeu reforço político quando o candidato ao Governo do Estado, Seabra, em passagem por Pojuca, no ano de 1909, prometeu conceder autonomia política ao município, se eleito. Seabra se elegeu e assinou o decreto de emancipação em 29 de julho de 1913. Em 07 de setembro do mesmo ano ocorreu a eleição do intendente Carlos Pinto e dos membros do Conselho Municipal, ratificando assim a emancipação de Pojuca.

Localização

Pojuca está localizada a 67km da capital do estado.

Acesso

Por terra: o acesso pode ser feito através das rodovias BA 093 e BA 533







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