Pedro Gomes



Qual a origem do nome Pedro Gomes? Muitas são as versões contadas pelos antigos pioneiros mas nunca se chegou a uma conclusão definitiva, unânime. A mais popular, mais conhecida, é aquela em que o nosso Ícaro Cabloco, fazendo as suas asas de penas, colocadas com cera, quis fazer seu vôo do alto da nossa serra. Pulando lá de cima e voando como um pássaro por uns instantes, o nosso Ícaro infelizmente espatifou-se no chão, ou precisamente, no córrego que hoje leva o seu nome.

Outra versão, também muito conhecida, é que realmente o próprio Pedro Gomes aqui viveu por muito tempo.

Fala-se inclusive nos próprios parentes hoje existentes nos Estados da Bahia e Minas Gerais, que comprovam este fato ou esta origem.

Amarra Cabelo, é com orgulho e carinho que nos lembramos de você. O nosso antigo Patrimônio do Amarra Cabelo. Os nossos mais antigos moradores nos contam que as mulheres, quando havia festa na cidade, aí arrumavam ou amarravam os cabelos. Daí esta origem.

Os bravios índios Caiapós habitavam uma vasta região do Brasil, mais especificamente, aqui em Mato Grosso e Goiás. Foram os primeiros habitantes de Pedro Gomes, desde as margens do Alto Piquiri, do rio Correntes, e do Taquari, todos em território pedrogomense.

No livro Pai Pira, Marlei Cunha relata a presença dos Caiapós, noticiada por cronistas do século XVIII. Gervásio Rebelo Leite, em 1626, conta-nos que os Caiapós ocupavam a margem direita do rio Paraná e eram o pior gentio daqueles sertões.

Cabral Carmelo, em 1727, escreve: “No Itapura apareciam os Caiapós, o mais bravio de todos os gentios”.

Usavam os Caiapós incendiar a macega para tentar fazer perecer os brancos. O único meio de defesa consistia no fogo de encontro para se constituir um aceiro.

Os viajantes com destino a Cuiabá, no Pardo, começavam a dar o sinal de perigo dos Caiapós. Eram robustos e ágeis, armados de arco e flecha e de uma clara ou bilro, que enfeitavam. Sobremodo traiçoeiros, sabiam admiravelmente dissimular a presença na floresta, por pintarem de modo a ficarem com a cor do mato. Procuravam sobretudo, atacar os pousos e acampamentos onde não havia vigilância.

Cardoso de Abreu, em 1783, informa: “No vale do Rio Pardo aos caçadores perturbavam a presença dos Caiapós, que tendo perto o seu alojamento, andavam pelos campos diligenciando supreende-los. Eram os gentios os mais tiranos, cruéis e indômitos”.

Em Camapuã, Coxim (e Pedro Gomes, hoje território de Pedro Gomes, MS), tornava-se indispensável escoltar os escravos encarregados dos transportes no Varadouro. Sem tal precaução, seriam infalivelmente agredidos pelos Caiapós. Eram as monções, ou bandeiras, que vinham de São Paulo, passavam por Coxim (Pedro Gomes, rio Itiquira, conhecido como Ponte de Pedra) e iam a Cuiabá.

Os irmãos Leme, Brás Domingues e seu irmão Pedro Leme, conhecido como o Torto, em 1719, fugidos de São Paulo, chegaram à região de Cuiabá, via Camapuã-Coxim. A região de Coxim começou a se tornar mais conhecida, quando, em 1726, ali passou D. Rodrigo César de Meneses, então governador da Capitania de São Paulo, pois, ali chegando, assinou a concessão de uma sesmaria, nos sertões do Taquari, em 4 de março de 1727, a favor de João de Araújo Cabral. Outra, no rio Taquari, em 4 de abril, a favor do sargento-mor Manoel Lopes do Prado e uma outra, ainda no rio Taquari, a 31 de dezembro, a favor de Domingos Gomes Beliago. Esse último, unido a Antonio de Sousa Bastos, Manoel Caetano e padres Antonio de Morais e José de Farias, em 1729, fundaram o arraial do Beliago, à margem do rio Taquari, onde hoje, à margem oposta, se assenta Coxim, com a finalidade de socorrer as monções partidas de São Paulo para Cuiabá. O arraial fundado pouco se desenvolveu e o destacamento militar no Piquiri foi elevado à freguesia em 1850, sendo Beliago incluído dentro dos seus limites. Devido às condições técnicas, esse destacamento foi criado no hoje município de Pedro Gomes, no local conhecido como Ponte e Pedra, no Piquiri, antigo trajeto da Rodovia Campo Grande – Cuiabá. Mas, à margem de um rio navegável com a estrada que ligou ao interior de Goiás, o arraial foi-se desenvolvendo e em 1862 tomou o nome de Núcleo do Taquari, com a criação no lugar, de uma Colônia Militar, pelo governador da província, Herculano Ferreira Pena. Em abril de 1865 o núcleo é invadido por forças invasoras do Paraguai, tendo o seu comandante, capitão Antonio Pedro, se retirado do povoado, com o contingente de cento e vinte e cinco pessoas, rumo ao Norte do Estado. Aos 8 de maio do ano seguinte, a notícia da ocupação chegou a Cuiabá levada pelo cidadão Antonio Teodoro de Carvalho, morador em São Pedro, a oito léguas do núcleo. São Pedro, como veremos adiante, pertence ao município de Pedro Gomes. Ali, posteriormente, se instalou o pioneiro |João Serrou Camy.

No livro Seiscentas Léguas a Pé, o escritor Acyr Vaz Guimarães faz uma narrativa brilhante desse período, da invasão paraguaia a Coxim (e ao território do hoje Pedro Gomes) e da chegada da Força Expedicionária Brasileira a Coxim: “O Governo Imperial determina, em 1862, que, na confluência do rio Coxim com o Taquari, fosse fundada uma Colônia Militar, antes, porém, já existia, do outro lado do rio, à margem esquerda, a povoação do Beliago, fundada em 1729, que visava dar socorro às monções paulistas que iam e vinham de Cuiabá, partindo de São Paulo. Beliago não se desenvolveu. Com o tempo, tudo se transportou para o outro lado do rio e, sob influxo trazido pelo pequeno destacamento militar ali sediado, passou a ter o nome que os monçoeiros davam ao rio que despejava no Taquari, ali perto, Coxim. Bem mais tarde, houve uma tentativa para se dar à povoação o nome de Herculanea, que, por alguns tempos foi o oficial, mas a tradição imperou e seu velho nome permaneceu.

Quando as forças expedicionárias ali chegaram, estava o povoado destruído pelos incêndios postos pelos paraguaios. Quando a Força Expedicionária Brasileira acampou em Coxim, juntando-se às primeiras Forças Goianas de Voluntários, foi feita a recomendação de prover o local de pequena fortificação, tendo o engenheiro das Forças promovido estudos e apresentado o projeto, muito embora não tivessem encontrado boas condições técnicas para ali levantá-la. No entanto, as Forças, ao encetarem a marcha para Miranda, deixaram no acampamento oito dos doze canhões de calibre quatro ( la hitte ). Oito canhões que teriam feito falta à Coluna, nos combates do Ápa. Esses canhões teriam sido conduzidos e assestados em local, próximo de Tauá e da fazenda Santa Luzia, no Piquiri, conhecido por Peças, de que Rondon, ao passar por ali em 1902, disse: “Assim denominado, em lembranças de um destacamento com algumas peças de Artilharia, organizado em Coxim”. Esse local fica situado no município de Pedro Gomes. Taunay e alguns engenheiros exploraram os caminhos até o rio Piquiri (Pedro Gomes) visitando as fazendas de Antônio de Teodoro de Carvalho e seu irmão Luís, que já estavam de volta às suas propriedades, tratando de recuperá-las do saque e incêndios que nelas tinham ocorrido, quando por lá passaram os paraguaios. Ambas as propriedades se localizam nas proximidades do ribeirão Pedro Gomes, afluente do Piquiri.

A casa de Antônio Teodoro de Carvalho serviu para Taunay, que ali esteve com seus colegas engenheiros, nela se inspirar e descrever a de Pereira, no romance Inocência.

O primeiro habitante branco que aqui se fixou e de que se tem notícia, foi Antônio Teodoro de Carvalho, como já vimos anteriormente.Logo após a Guerra do Paraguai, começaram a chegar os pioneiros Pedro Peró, João Serrou, Eugênia Fontoura, Dona Chiquinha, Pedro Severo, e muitos outros que aqui se fixaram e construíram família. Muito tempo depois, com a colonização do município vieram os nordestinos (maranhenses, paraibanos, cearenses, pernambucanos, baianos e muitos outros) todos eles pioneiros, relatados mais adiante. Por último chegaram os paulistas, gaúchos, paranaenses, que vieram trazer o plantio da soja e também a força do progresso, constante em nosso município.

Regiões Turísticas

Localização

Pedro Gomes está localizada a 285km da capital do estado.

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Rua Bahia, 580
Centro - (67) 9928-3223

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