Matão



A partir de 1880, inúmeras pessoas vindas de municípios vizinhos, adquiriram terras na região, onde mais tarde se ergueria a ARRAIL DO SENHOR BOM JESUS DAS PALMEIRAS e mais tarde, MATÃO, nome esse que teve origem devido a existência de matas muito densas e de alto porte e era denominado, Campo de Água Vermelha ao Senhor José Innocêncio da Costa, o qual, residia numa choupana situada próxima do Córrego que atualmente separa a cidade da Vila Santa Cruz.

Em 1892, já tinham se estabelecido na zona, formando fazendas de café, os senhores Ismael da Silveira Leite e seus irmãos Theófilo Francisco e Sérgio, Amador Pires Corrêa, José de Arruda Campos, Antonio da Silva Coelho, José Brochado Corrêa, Leão Pio Freitas, João Bellintani, Joaquim Gabriel de Carvalho, Theófilo Dias de Toledo e seu irmão Matheus Malzoni e seus irmãos Núncio e Domingos e Augusto dos Santos.

Em vista da salubridade do local e objetivando dar mais conforto aos seus moradores, nasceu a idéia da fundação de uma Vila, tanto assim, que em 13/02/1892, houve uma reunião para tal fim, da qual foi lavrada uma ata, que vai em seguida transcrita, por ser o único documento oficial a respeito do assunto:- "Aos treze dias do mês de Fevereiro de mil oitocentos e noventa e dois, em casa do Coronel João de Almeida Leite Moraes, as cinco horas da tarde, achando-se reunidos os abaixo-assinados, foi convidado o Senhor Dr. Américo Franklin de Menezes Dória (Então Juiz de Direito da Comarca de Araraquara), para presidir e expor os fins da reunião, o qual convidou para seus secretários os cidadãos Theófilo Dias de Toledo e Leão Pio de Freitas".

"Aberto a sessão, o presidente mostrando as grandes vantagens que havia na criação de uma Capela e Cemitério, início de uma futura povoação, no florescente bairro do Matão, lembro a eleição de uma Diretoria e diversas Comissões, a fim de angariarem donativos, para o fim acima indicado. Para a Comissão Diretora foram aclamados o Coronel João de Almeida Leite Moraes e Theófilo Dias de Toledo".

"Para as outras Comissões foram eleitos os Senhores Leão Pio de Freitas, Antonio Dutra da Costa e João Bellintani como representantes do bairro denominado Matão, Joaquim Corrêa de Freitas, Francisco Leandro de Abreu e José Martins de Lara dos Cocais da Dobrada, José Arruda Campos, Ismael da Silveira Leite e Joaquim Pio da primeira sessão da Fazendinha, Gilberto Pedro Franco, Antonio Felizardo e Augusto dos Santos da segunda sessão da mesma sesmaria, Joaquim Martins de Lara, Carlos Baptista de Malheiros e Antonio da Silva e Antonio Emiliano da Posse, Dr. Ernesto Prado da Estiva, Avelino Pinto Ferraz, Dr. Júlio Cezar de Moraes Baguassu e João Schewench do Cambuhy. Foi autorizada a Comissão Diretora a convidar a todas as pessoas interessadas pela prosperidade e desenvolvimento do logar, que estiverem em condições, a edificarem prédios, nos terrenos concedidos no patrimonio da futura Capela.

"Eu secretário que a escrevi e a subscrevo: (seguem as assinaturas):- Theófilo Dias de Toledo, Dr. Américo Franklin de Menezes Dória, Leão Pio de Freitas, João de Almeida de Moraes, Antonio Machado de Campos Barros, Antonio da Silva Coelho, José Bento Filho, padre Luciano F. Pacheco, Gilberto Pedro Franco, João Bellintani, Jorge Corrêa por Herculano Corrêa de Assunção e Joaquim Martins de Lara, João de Almeida Leite Moraes e José de Arruda Campos".

A Comissão recém nomeada, adquiriu do Senhor José Inocêncio da Costa, então proprietário das terras onde futuramente se ergueria a nova Vila, dez alqueires de terras por um conto de réis e fez doação das terras para a fundação da nova povoação. Adquirindo o patrimônio, marcou-se o local onde se ergueria a Capela, dedicada ao Senhor Bom Jesus das Palmeiras, nome esse com que foi batizada a Vila recém fundada.

A primeira pessoa a construir casa na nova Vila foi o Senhor Angelo Maccagnan. Em fins de 1893 ou começos de 1894, iniciou-se a construção da Capela, sendo que a primeira missa foi celebrada no dia 25/03/1895, data essa que pode ser considerada como a da fundação da antiga Vila do Senhor Bom Jesus das Palmeiras e atual cidade de Matão. A convergência cada vez maior de colonos para a cultura das excelentes e fertilíssimas terras e outras pessoas para estabelecerem-se com casas de comércio e indústrias, exigiu a elevação do novo arraial a Distrito de Paz, já com nome de Matão, com as mesmas divisas anteriores.

Demonstrando o grande interesse despertado pela nova Vila, ainda em 1897, aqui chegou o traçado da futura estrada de ferro, sendo que seus trilhos chegaram no local da futura Estação, em fins de 1898. Coroando os trabalhos fecundos de políticos daquela época, através de projetos apresentado e defendido pelo então Deputado Estadual Dr. Francisco de Toledo Malta, foi MATÃO elevado à categoria de Município, desmembrado do município de Araraquara, pela Lei Estadual N.º 567 de 27/08/1898, o qual foi solenemente instalado em 28/03/1899, dia em que tomou posse a primeira Câmara Municipal, constituída pelos Senhores Vereadores Dr. Leopoldino Martins Meira de Andrade Capitão Theófilo Dias de Toledo, Capitão Ottoni Corrêa, Farmacêutico Cairbar de Souza Schutel, Tenente José Pio Corrêa da Silva, sendo suplentes os Senhores Emílio D´Agostino, Tenente Paulo do Amaral Sampaio, Antonio Kfouri, Amador Cândido Rodrigues, Capitão Christovam Corrêa de Arruda, Francisco Pires Fleury e Major Mathias Dias de Toledo.

Cairbar de Souza Schutel ocupou o cargo de Intendente nessa primeira legislatura. Em 25/03/1899, foi oficialmente inaugurada a estação Ferroviária da E.F. Araraquara. Aos 23/03/1900 foi iniciada a construção do Hospital então denominado de Isolamento e Cemitério. Aos 23/03/1900 foi criada a Coletoria Estadual de Matão. No dia 29/12/1900 foi inaugurada a então denominada Estação Ferroviária de Santa Josefa (hoje Silvânia) e ainda em 1900 foi construido o Matadouro Municipal. Foi fundado em 1901 o primeiro jornal local "O Município de Matão" - sob a direção do Senhor João Silveira.

Em 02/04/1801 foi inaugurada a estação da Vila de Dobrada e em 01/08/1901 foi criada a "Escolas Reunidas" (futuro Grupo Escolar) sendo que ainda em 1901 foi iniciada a construção da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, posteriormente demolida e no mesmo local erigida uma nova matriz de linhas modernas.

Pela Lei Estadual N.º 1.038, de 19/12/1906, a sede municipal recebeu foros de cidade. A primeira entidade social matonense fundada foi a Sociedade Italiana em 12/09/1908, organizada por elementos da colônia italiana local, e, em 16/09/1908 foi iniciada a construção do ramal ferroviário da E.F. Araraquara da Estação Santa Josefa (hoje Silvânia) a Tabatinga, ramal esse que pelo projeto inicial deveria partir desta cidade. Em 1909 foi construído o prédio próprio da Câmara Municipal, o qual foi depois aumentado e inaugurado oficialmente em 1912.

Também em 1909 foi construída a Cadeia Pública e foi inaugurado o serviço telefonico, vindo da cidade de Araraquara, sendo que as linhas telefônicas foram depois estendidas até as Vilas de Dobrada e São Lourenço do Turvo, em 01/04/1910 e 01/05/1911, respectivamente. Deu-se em 11/03/1911 a inauguração do novo Grupo Escolar (atual Grupo Escolar José Innocêncio da Costa"), passando logo depois a funcionar a primeira Santa Casa local, no prédio até então ocupado pelas "Escolas Reunidas" (primeiro Grupo Escolar local).

De acordo com a nova divisão administrativa do país de 1911, o até então único Distrito de Matão, foi dividido entre três distritos de Paz: o da Sede, o de Dobrada e o de São Lourenço do Turvo, peias Leis N.ºs: 1.295 e 1.299, de 27/12/1911. Daí então foi iniciada a luta pela emancipação judiciária. Em 1912 foram inaugurados os serviços de Força e Luz Elétrica , Água e Esgoto e foi fundada em 08/12/1912 pelo maestro Venâncio Cariani, coadjuvado pelo Senhor Ettore Vicentini e famosa Banda Infantil que tanto sucesso fez naquela época.

Ainda em 1912 foram inaugurados os serviços de força e Luz, Matadouro e Cemitétrio de Dobrada e Cemitério e Matadouro em São Lourenço do Turvo. Em 08/03/191, foi efetuada a inaugurução do Jardim Público, hoje Praça do Rio Branco e foi também instaladas a Força e Luz no distrito de São Lourenço do Turvo. Pelo então Deputado Estadual Dr. Hilário Freire, foi apesentado em 1923, à Assembléia Legislativa Estadual, o primeiro projeto de criação da Comarca de Matão, sem resultados práticos porém.

O primeiro estabelecimento bancário instalado nesta cidade foi Bancários Irmãos Malzoni & Cia inaugurada em 01/07/1927. Em 12/12/1937 deu-se inauguração do Hospital de Caridade de Matão, Construíndo sob inspiração da saudosa Senhora Dona Sinharinha Frota e direção do emérito matonense Senhor Francisco Malzini. Em 1940 foi iniciado o calçamento das ruas da cidade e reforma de diversos logradouros públicos. Foi fundado em 1941 o Ginásio Municipal, o qual passou a funcionar como Ginágio Estadual em 1947. Em 1948 foi fundadas a Escola Técnica de Comércio e também a Escola Municipal que passou para o Estado em 1949.

Depois de 30 anos de lutas, este Município foi elevado a categoria de Comarca de 1ª Entrância, desmembrada de Araraquara, pela lei Estudual n.º 2.456, de 30/12/1953, fazendo parte do mesmo somente o município de Matão e limitado-se com municípios de Araraguara, Nova Europa, Tabatinga, Itápolis, Taguaritinga e Guariba.

O projeto de criação da Comarca de Matão foi apresentado e defendido pelo Deputado Matonense, Dr. João Salgado Sobrinho, coadjuvado pelos Deputados José Fernades Bértola e Padre Jão Batista de Carvalho e outros e pela feliz compreensão de seus pares. A Comarca de Matão foi instalada com grandes festividades no dia 09/07/1955 pelo titular Juiz de Direito da Comarca de Araraquara, Dr. João Pires de Camargo, que acumulou interinamente o cargo de juiz de Direito da Comarca de Matão, durante um ano aproximadamente.

Foi primeiro Juiz de direito Titular da Comarca de Matão , o Dr. Lauro de Almeida e primeiro Promotor Público o Dr. Walter de Campos Durane as diversas legislaturas e nos períodos em que esteve suspenso o regime representativo municipal, o Executivo Municipal foi ocupado pelos seguintes cidadãos: Intendentes: de 23/03/1899 data da instalação do minicipio - a 15/01/1908: Farmacêutico Cairbar de Souza Schutel; Theófilo Dias de Toledo; Dr. Leopoldino Martins Meira de Andrade; Capitão Antônio Dias de Aguiar; Major Mathias Dias de Toledo; Clementino Moreira; Capitão Ottoni Corrêa.

PREFEITOS: de 15/01/1908 à 29/10/1930 - Coronel Leão Pio de Freitas; Capitão Leopoldino Vieira Barreto; Coronel Benedito Rosa de Lima e Costa; Major Joaquim Gabriel de Carvalho e Manoel Martins de Castro. Nos dias que se seguiram à Revolução de 1930, o município foi governado por uma Junta Governativa, composta dos Senhores Bartholomeu Ferreira, Leolino Malachias e José Borgonovi, de 29/10/1930 à 05/11/1930.

Durante a vigência da Ditadura e mesmo depois de seu término, o mun icípio foi governado pelos seguintes Senhores, nomeados de acordo com as Leis daquela época: PREFEITOS: José Bartholomeu Ferreira, Aparício da Silva Coelho, Major Joaquim Gabriel de Carvalho, novamente José Bartholomeu Ferreira, Ítalo Ferreira e Armínio de Arruda, durante o período de 05/11/1930 à 31/12/1947.

No ano de 1963, o Distrito de Dobrada passou a Município, desmembrando-se de Matão, passando a constituir-se Município próprio. Com a emancipação de Dobrada, as divisas de Matão Sofreram alterações, passando a ser: Taquaritinga, Dobrada, Araraquara, Nova Europa, Tabatinga e Itápolis, e atualmente com a emancipação de Gavião Peixoto e Motuca, as divisas de Matão passaram a ser: Taquaritinga, Dobrada, Motuca, Araraquara, Nova Europa, Gavião Peixoto, Tabatinga e Itápolis.

Localização

Matão está localizada a 305km da capital do estado.

Acesso

Por terra: o acesso pode se feito através das rodovias SP-310 - Rodovia Washington Luís e SP-326 - Rodovia Brigadeiro Faria Lima

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