São Caetano do Sul



Consta no Memórias para a História da Capitania de São Vicente, de Frei Gaspar da Madre de Deus, que João Ramalho chegou ao Brasil antes que Pedro Álvares Cabral aportasse por aqui para fazer o descobrimento. De fato, o Brasil já era alvo de intenso movimento de europeus e embarcações de diversas procedências - espanholas, francesas, holandesas - que se aproveitavam dos produtos naturais da terra, como o pau-de-tinta, ou pau brasil, produto conhecido e de elevado valor. Levavam, ainda, índios escravizados, araras, papagaios, periquitos, macacos e outros pequenos animais e aves. Pedro Álvares Cabral, em 1500, aqui chega para descobrir a nova terra, ou para tomar posse oficial dela, tornando-a território de Portugal.

Em 1501, o rei D. Manoel, sabendo das incursões de pirataria na terra recém-descoberta, manda nove expedições para coibir o movimento de naus não-autorizadas, promover a defesa, conhecer a nova terra e ocupá-la. As expedições estabeleceram, ao longo da costa, feitorias que funcionavam como entrepostos comerciais e fortalezas, de onde partiriam embarcações em missão de patrulhamento. A décima expedição, datada de 22 de janeiro de 1502, aportou em São Vicente, ilha do litoral de São Paulo.

As expedições não deram os resultados esperados e, em 1530, o Rei D. João resolve adotar o sistema já empregado com sucesso em outras regiões ultramarinas, o das Capitanias Hereditárias, pelo qual fazia a divisão das terras, doando-as a gente conhecida e de sua confiança. Assim, nomeia o Governador-Geral Martim Afonso de Souza, descendente bastardo de D. Afonso III, como senhor da Capitania de São Vicente, com dez léguas de frente para a praia, entrando sertão adentro sem limitação.

Martim Afonso comandava a primeira expedição colonizadora com autoridade plena, representando a vontade do rei e amplos poderes reconhecidos, que o nomeavam capitão-mor da Armada, senhor de todas as terras que achasse e descobrisse, jurisdição sobre pessoas, poder de julgar civil e criminalmente e até de condenar à pena de morte “sem apelo nem agravo”. Podia, ainda, distribuir terras, cargos e patentes, nomear tabeliães, oficiais de justiça e conceder sesmarias a quem entendesse. A expedição trazia as primeiras sementes, plantas, animais domésticos, ferramentas e gente, para dar início à plantação de fazendas.

Martim Afonso, em sua dura empreitada, foi auxiliado por dois portugueses que viviam no litoral havia anos, com os indígenas, formando famílias com eles: Antonio Rodrigues, na praia, e João Ramalho, no planalto. João Ramalho casara-se com a índia Bartira, filha do chefe Tibiriçá, e com ela teve numerosa prole de mamelucos.

Martin Afonso fundou duas vilas: a Vila de São Vicente, na ilha do mesmo nome, e outra serra acima, perto do rio Piratininga, para onde foi conduzido por João Ramalho, como relata Pero Lopes de Souza, irmão de Martim Afonso, em seu Diário de Navegação:

“A todos nos pareceu tambem esta terra, que o capitam (Martim Afonso) determinou de a povoar, e deu a todolos homês terras para fazerem fazendas: e fez hûa villa na ilha de Sam Vicente e outra 9 légoas a dentro pelo sartam, à borda d’hum rio que se chama Piratininga: e repartiu a gente nestas duas villas e fez nellas officiais e pôz tudo em boa obra de justiça, de que a gente toda tomou muita consolaçam, com verem povoar villas e ter leis e sacreficios, e celebrar matrimônios, e viverem em comunicaçam das artes e ser cada um senhor do seu; e vestir as enjurias particulares; e ter todolos outros bens da vida sigura e conversável”.

O rio Piratininga de que fala Pero Lopes seria o Ribeirão Ipiranga “ou Dos Meninos e Moinhos, que são os mais próximos da cidade de São Paulo e da freguesia de São Bernardo” como afirmou o historiador Azevedo Marques, em Apontamentos Históricos Geográficos e Etnográficos da Província de São Paulo, anotado por José de Souza Martins, em seu São Caetano do Sul em IV Séculos de História.

João Ramalho era figura importante no planalto e, pela valiosa ajuda prestada a Martim Afonso de Souza, foi nomeado capitão-mor da Borda e D’além do Campo, tendo recebido como donatário a capitania de São Vicente. O donatário dera início a um povoado que chamou Santo André da Borda do Campo, em um ponto atualmente ignorado do ABC, transformado em vila pelo ato de 8 de setembro de 1553, do Governador-Geral Tomé de Souza, com o nome de vila de Santo André da Borda do Campo.

Santo André, porém, teve curta duração: todos os seus moradores foram transferidos para a Vila de São Paulo de Piratininga, em obediência a decreto do Governador-Geral Mem de Sá, de 1560, que adotou a medida por pressão dos padres jesuítas, sob o pretexto de que reforçar a defesa do planalto contra os freqüentes ataques dos indígenas.

Martim Afonso, logo ao início de sua administração construiu um engenho de cana, o primeiro do Brasil, para produção de açúcar, na ilha de São Vicente, chamado “O Engenho do Senhor Governador”, depois intitulado “dos Armadores” e, a seguir, Engenho dos Erasmos, quando foi adquirido pelo alemão Erasmo Schetz.

Muitos portugueses e alguns espanhóis já se haviam fixado na terra, desembarcando das naus piratas e exploradoras, agregando-se a qualquer aldeia indígena, adotando seus costumes e formando família, nas quais geravam mamelucos. Nesse primeiro século, novos colonos iam chegando, apareceram as povoações, que logo se transformariam em vilas. Brás Cubas fundou a vila de Santos, João Ramalho, a de Santo André da Borda do Campo, Anchieta e os jesuítas, a de São Paulo do Campo de Piratininga, no planalto. Da mesma época são as vilas de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém e Iguape.

Os guaianases atacaram por várias vezes a Vila de Santo André da Borda do Campo, ao mesmo tempo em que os tamoios eram ameaça constante para os moradores de São Paulo de Piratininga, até que foram pacificados pela ação dos padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, em Iperoig e Ubatuba.

A descoberta de ouro de aluvião e as entradas de caça aos índios iriam assumir grande importância para a região, que não havia conseguido fixar uma economia. A economia da Capitania de São Vicente, que incluía São Paulo, voltou-se para o aprisionamento de índios, na segunda metade do século XVI, seguido da mineração de lavagem e, nos anos setecentos, apareceram os povoamentos, com as fazendas de criação, e os moradores de São Vicente foram os primeiros a se estabelecer no planalto.

A criação de municípios, na Capitania de São Vicente, começou em 1532 e, em algumas vilas, como São Vicente e São Paulo de Piratininga, já existiam organizações semelhantes a Câmaras Municipais, nomeadas pelos capitães-mores, uma vez que ainda não se haviam distinguido os chamados “homens bons”, que mais tarde fariam, por escolha dos eleitores, parte dessas representações.

São Caetano, à beira do Tamanduateí, fazia parte do que chamavam sertão adentro e, somente nos últimos anos do século XVI, teve seu primeiro morador de origem européia registrado. Pelo ano de 1595 chegam ao lugar Diogo Sanchez, alfaiate, espanhol de Castela, e sua mulher, Izabel Félix. Izabel morre no dia 21 de janeiro de 1595, Diogo casa-se novamente, com Apolônia Pais, e, no ano de 1598, é o próprio Diogo quem morre. Seu inventário é feito no dia 22 de setembro de 1598, “nos campos de Teyoguossuu, vila de São Paulo, Capitania de São Vicente, Brasil.” Por volta de 1596, tiveram um filho, que se chamou Miguel Sanches, morto aos 24 anos, em 1620. Dessa forma, teriam sido Diogo, Izabel e Miguel os primeiros moradores de cuja existência se encontraram registros em território do futuro município de São Caetano do Sul.

As primeiras povoações do interior do país foram as do planalto da Capitania de São Vicente e, com o surgimento delas, criou-se a necessidade de se ligar o interior ao litoral. Logo após a fundação de São Vicente, muitos paulistas procuravam o caminho mais curto para o mar, descendo a serra e atingindo o canal para, daí, continuar viagem por mar. João Ramalho, quando se estabeleceu no planalto, passou a transpor a serra saindo do Perequê, em Cubatão, seguindo o vale do rio Moji, depois à esquerda, pelo rio Grande até a Garganta de Botujuru. O caminho passou a se chamar Caminho de João Ramalho.

O Padre Anchieta começou a construir, por ordem de Nóbrega, sobre uma trilha dos índios, em 1553, outro caminho, que saía do porto de Santa Cruz, no rio Cubatão, seguia pelo rio das Pedras em direção aos campos do chefe Tibiriçá, que se tornou conhecido como o Caminho do Padre José.

No século XVII, o Caminho do Padre José, com vários melhoramentos, já era via preferida para mercadorias transportadas por tropeiros sobre o lombo de mulas. Senhores de posses eram transportados em redes suspensas a varais, carregados por escravos. Esse caminho foi recebendo novos nomes, conforme o tempo corria. Primeiro, Caminho do Padre José; depois, Caminho do Planalto, Estrada das Lágrimas, Caminho de Piratininga, Estrada de Lorena, Caminho da Maioridade, Caminho das Diligências, Estrada do Vergueiro e, ainda, estrada de Santos, ou Caminho do Mar, nome que permaneceu até nossos dias, tendo sido desativada no século XX e substituída pelas rodovias Anchieta e dos Imigrantes.

No panorama geral do século XVI, historiadores já anotam a existência de alguma produção agrícola, como a de uvas, registrando-se parreiras em São Vicente, e fabricação de vinho. A Capitania plantava ainda outras frutas, como marmeleiros, de que se fazia marmelada, que os bandeirantes levavam, em suas viagens ao sertão, acondicionada em caixetas de madeira. A escassa exploração agrícola tornou desnecessária a presença de mão-de-obra volumosa, mas verifica-se que já existiam escravos no lugar, principalmente indígenas, contando-se um negro para cada 34 nativos escravizados. Os negros eram vendidos entre 25 a 30 libras cada um, ao passo que os indígenas não iam além de 5 a 10 libras. Os índios eram empregados na lida com o gado ou em trabalhos domésticos, ou eram transportados, como mercadoria, para o litoral, onde eram igualmente vendidos.

Localização

São Caetano do Sul está localizada a 11 km da capital do estado.

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