Vitória – história e panelas de barro

Que Floripa e Guanabara me perdoem, mas a baia de Vitória é uma das mais lindas que encontrei. Seu nome provém da alegria da vitória dos portugueses sobre os índios, ainda no século XVI, na conquista do litoral do Espírito Santo.

Na verdade, é na história das cidades de Vitória e de Vila Velha (sua irmã e vizinha) que estão as origens do nome Capixaba, que representa todos os nascidos no Espírito Santo.

Segundo contam, a primeira cidade a ser fundada foi Vila Velha e a ilha de Vitória, que devido ao seu acesso difícil era chamada de “roça de milho, ou roça de plantação”, exatamente o que a palavra Capixaba significa.

Um dos pontos mais altos da cidade (em todos os sentidos) é a visita ao Convento da Penha, onde há uma igreja que fica no alto de um rochedo com 154 metros de altura às margens da baia.

De lá de cima se avista toda Vitória e seus arredores. O convento foi construído em 1651 e hoje é um marco da cidade (apesar de não estar em Vitória e sim na cidade vizinha de Vila Velha).

Algumas coisas me impressionaram em Vitória. Uma delas foi a limpeza das ruas e um bom fluxo de trânsito. A outra foi a grande quantidade de áreas verdes e parques. Parece uma cidade do interior “grande”. As praias também são limpas e bem cuidadas.

Em Vitória, mais especificamente no bairro das Goiabeiras, são produzidas as melhores panelas de barro de todo o Estado. Esta arte teve sua origem na época da colônia e é passada de mães para filhas há vários séculos.

As panelas de barro aqui não são torneadas e sim raspadas com pedaços de madeira até atingirem o formato redondo.

Depois de secarem um pouco, são novamente raspadas só que desta vez com seixos redondos para dar a textura. Depois de secarem mais um pouco, as panelas são queimadas em fogueiras rudimentares.

Depois de queimadas, as peças são retiradas e enquanto ainda estão quentes, são salpicadas com Tanino, um produto extraído das plantas do mangue que cerca a região.

O Tatino é que confere às panelas a sua cor preta característica. Existem outros produtores de panelas na região, mas nenhum trabalha de modo tão artesanal como no bairro das Goiabeiras.

A parte triste da história é que mesmo sendo este um dos maiores atrativos turísticos da cidade e do estado, a Associação está localizada em um galpão feio e mal acabado, situado em um terreno sujo à beira de um rio.

Muito pitoresco, mas nada convidativo. Acho que uma arte tão diferente deveria ter um tratamento mais digno.