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Povos indígenas

Os Mehinaku no Rito de Passagem deste ano

Marcelo Maestrelli

O povo Kaxinawá também no Rito de 2002

Marcelo Maestrelli

Coxini Karajá em apresentação no Rito

Cesar Greco

Saiba um pouco mais sobre a luta dos povos indígenas para manter a sua cultura viva e ainda a atual situação das suas etnias no Brasil.

Quem já não pintou o rosto quando criança, vestiu um cocar improvisado e saiu cantarolando como um índio? Provavelmente todos nós “homens branco” um dia já nos fizemos índios para brincar com os colegas ou mesmo para comemorar o 19 de abril na escola. E lá mesmo, na infância, no período escolar, que passamos a conhecer um pouco sobre esses povos que habitam o Brasil muito antes do homem europeu pisar em terras americanas.

A questão é que os povos indígenas sofreram durante séculos todo tipo de ofensa aos seus costumes, tradições, cultura, além de terem sido escravizados e cultivados a aceitarem o catolicismo como religião. Com isso, até mesmo o que aprendemos na escola, requer cuidado para aceitar algumas informações como reais, como conta o presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Instituto de Desenvolvimento das Tradições Indígenas (Ideti), Siridiwe Xavante.

“A cultura dos povos indígenas normalmente é passada ao homem branco utilizando o pretérito do passado como: os índios cultuavam os deuses, dançavam seus rituais. Isso não é real, os povos indígenas ainda cultuam os deuses e dançam seus rituais. Esse tipo de coisa faz com que as pessoas realmente não tenham a verdadeira noção do que são os povos indígenas, de que existem etnias em sua existência”, explicou.

Segundo o presidente da ONG, em geral, a atual situação dos povos indígenas é boa, os líderes dos povos estão mais preparados para administrar suas aldeias e ainda dar continuidade à cultura. Contudo, existem problemas que ainda assolam os indígenas, como a questão fundiária, a invasão e exploração de recursos naturais das reservas e ainda o desrespeito sobre os direitos dos povos. Para ele, nos últimos dez anos muito se alcançou em termos de melhorias, por conta de ter sido um período em que houve maior organização dos povos para lidar com os temas que normalmente os afligem.

Um dos pontos bastante levantados pelos indígenas é sobre a questão da atuação da Fundação Nacional do Índio (Funai), e mesmo de ONGs pró-índio. O fato é que essas entidades, em alguns casos, tentam impor aos povos indígenas projetos elaborados com uma visão acadêmica/teórica e um tanto particular sobre assuntos pertinentes aos povos. De acordo com o líder karajá, Coxini, nem todos esses projetos representam a necessidade real dos povos. ”É preciso perguntar ao índio o que ele pensa, o que quer ou precisa, ao invés de levar adiante idéias que não tenham representatividade aos povos indígenas”, opinou.

Embora exista divergência de pensamentos, o líder xavante Siridiwe ressalta que a participação da Funai, das Organizações Não-Governamentais e de figuras como Orlando Villas Boas - a quem chama de irmão - em todo o processo de contato com os povos indígenas foi historicamente fundamental para que não acontecessem ainda mais fatos negativos durante os anos de convivência. O administrador regional da Funai de Bauru (SP), Arnor Gomes, completa dizendo que o principal papel da instituição, conforme rege a Constituição brasileira, é garantir o direito de posse aos índios, identificando e demarcando suas terras. Contudo, atualmente a instituição enfrenta dificuldades financeiras, o que prejudica o trabalho da funai.

Ideti

Diante do panorama brasileiro sobre a questão indígena, em 1999 surgiu a ONG Ideti, visando promover entre as etnias indígenas maior conscientização dos povos por meio de resgate cultural. Para tanto a ONG organiza o Rito de Passagem, com intuito de mostrar ao homem branco que os índios não são todos iguais e possuem tradições, cultura e costumes distintos uns dos outros, e ainda fomentar as manifestações culturais de raiz dos povos em todo país.

O último Rito organizado aconteceu no mês abril no parque da Água Branca, em São Paulo, e no Museu da República no Rio de Janeiro, foram cinco apresentações de rituais de povos indígenas brasileiros e um da tribo japonesa Ainu. “Estamos muito felizes com os resultados que estamos conseguindo, os povos estão reafirmando os seus cultos”, comemora Siridiwe.