Proposta brasileira de energia renovável encontra resistência em Joanesburgo

As discussões sobre a questão energética, em Joanesburgo, na Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, foram adiadas mais uma vez devido a um impasse, criado por países da União Européia e também por Índia, China e Rússia que declararam, hoje, que só cumprem as metas de energia renovável caso as grandes hidrelétricas sejam incluídas no pacote.

O governo brasileiro é um dos poucos que defende a cota entre 10% e 15% da matriz energética mundial proveniente de fontes renováveis, seja biomassa, energia solar ou eólica. O mesmo defendem ambientalistas de grupos como o WWF e do Greenpeace, que inclusive escreveram aos países europeus pedindo adesão à proposta brasileira.

Os negociadores brasileiros alegam que, apesar das

hidrelétricas serem consideradas como fonte de energia renovável, seu projeto de engenharia implica necessariamente em devastação ambiental, com ameaça de diversas espécies.

O próprio ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho fez uma avaliação realista sobre a difícil negociação. "Acho muito difícil haver uma saída que não seja a inclusão das grandes hidrelétricas no pacote de fontes de energia renováveis", disse.

Há receio de que o impasse comprometa o futuro do

Protocolo de Kyoto, porque a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, é um das principais fontes de emissão de gás carbônico, responsável pela produção do efeito estufa. África e Europa queimam carvão para produção de energia.

A proposta brasileira enfrenta outro obstáculo, a resistência dos países árabes. Grandes produtores de petróleo, Arábia Saudita e vizinhos não aceitam sequer o plano de adotar fontes renováveis como componente da matriz energética. Os países árabes formam com Brasil, Índia, China e outros, o grupo chamado G 77.

Fonte: Agência Brasil