Acelerador de Viagens

Altinópolis / SP

por Família Muller - Dezembro / 2006

Apresentação

Altinópolis foi a cidade escolhida pelo artista Bassano Vaccarini, italiano naturalizado brasileiro, para integrar com harmonia sua arte à natureza, expondo suas obras em vários cantos da cidade, transformando-a em um autêntico “museu a céu aberto”.

Com pouco mais de 15 mil habitantes, a cidade preserva a tradição pacata e o aconchego das cidades interioranas contando ainda um clima serrano permanentemente agradável, a 1.050 m de altitude.

Praticamente ausente dos destinos de ecoturismo e aventura, possui uma ótima infra-estrutura de hotéis e restaurantes, atributos perfeitos para uma viagem num fim de semana prolongado.

Aos adeptos do caving, a região possui oito grutas catalogadas que fazem parte do seu roteiro turístico. A mais famosa é a Gruta do Itambé, por onde começamos nosso passeio...

Visita à Gruta do Itambé

A Gruta do Itambé possui uma fachada de 28 m de altura e uns 350 m de galerias. As visitas podem ser guiadas pela Ecotur Esportes de Aventura , agência receptiva da cidade.

Como todas as outras grutas da região, a do Itambé também tem uma formação arenítica – o que faz com que seja mais facilmente corroída pelo tempo e pelos "destruidores" da natureza.

Esta gruta em particular, tornou-se a mais famosa da região por conta de uma lenda religiosa: contam os altinipolenses que em certa época apareceu por lá uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Sem que ninguém soubesse como ou por quê, por três vezes consecutivas a imagem foi retirada da gruta,  reaparecendo depois de alguns dias, novamente dentro dela. A população da cidade, espantada com a ocorrência, considerou o fato um milagre e ergueu um pequeno altar em sua entrada para homenagear a santa.

Por outro lado, a religiosidade tornou-se também um fator de destruição. Apesar dos cuidados que a prefeitura e as agências da cidade conferem aos seus encantos naturais, algumas pessoas ainda insistem em fazer trabalhos religiosos dentro da gruta, deixando as oferendas espalhadas em seu interior.

Ao adentrar a galeria principal, a claridade vai ficando para trás, tornando-se necessário o uso de lanternas. Logo no início da caminhada, avistamos no teto da gruta, um "cacho de morecegos" . Nunca havíamos visto um deles antes, apesar de receosos, ficamos alí a observá-los por uns instantes. Os "bichinhos" são muito feios, mas é muito interessante poder observar os animais em seu habitat natural.

Outra atração da Gruta do Itambé são as duas cavidades em forma de orelhas de onde jorra pequena quantidade de água. Esse fenômeno é causado pela absorção de água pelo solo exterior da gruta, que encontrou como saída essas duas formações. Outro fato considerado também como mais um milagre pela religiosidade local.

Outra galeria leva a uma câmara onde não há entrada de luz. Para se chegar lá é preciso acompanhamento de guia. Depois de poucos minutos com as lanternas apagadas e em silêncio total, perde-se a noção de tempo e espaço. Uma sensação inexplicável que, segundo o guia, é apenas vivenciada pelos astronautas quando estão soltos no espaço.

No outro dia, com o calor agradável, típico do clima de montanha, partimos para a Fazenda Florada Vale das Grutas, onde fizemos um water trekking...

Arvorismo e Water Trekking na Fazenda vale das Grutas

A Fazenda Vale das Grutas é um lugar pitoresco que retrata mais um pedaço do paraíso natural de Altinópolis.

Com a manhã ensolarada e fresca, optamos por iniciar pelo arvorismo na Fazenda. O circuito é curto, com apenas quatro estações e dificuldades variadas, a 12 m de altura (R$ 20,00).

Mas não se engane, é um bom exercício para "começar o dia".

Este arvorismo é indicado para crianças a partir dos 6 anos, e que não tenham medo de altura.

Andar na copa das árvors, é uma maneira diferente e prazerosa de apreciar a natureza. Uma forma divertida de poder curtir momentos diferentes com seus filhos.

É importante que todos estejam calçados com tênis, calças, e usando os equipamentos de segurança, que normalmente as operadoras fornecem, não deixe de forma alguma de usar o capacete.

A Fazenda Vale das Grutas também foi o local escolhido pela Ecotur para operar o water trekking (R$ 10,00).

A prática consiste em caminhar por dentro da água, escalaminhando as pequenas quedas formadas pelo desnível do riacho.

aventura começa na parte seca, por uma trilha de cerca de 700 m até a Cachoeira do Vale. A partir deste ponto, a caminhada passa a ser literalmente na água!

Por 2h30min, percorremos 2 km riacho acima.

Este riacho contém uma grande concentração de cobre e em alguns pontos tornava-se bem escorregadio subir pelas pedras, assim tivemos a "ajuda" de uma escada, colocada estratégicamente em alguns pontos. Aqui vale citar, que as escadas colocadas, não agridem o curso do riacho. 

O melhor do water trekking é surpreender-se a cada "curva do rio". Nunca sabemos o que vamos encontrar pela frente, como no caso destas duas cachoeiras, que surgiram de repente, e que achávamos que não iríamos conseguir ultrapassar.

À primeira vista pode parecer loucura, mas o water trekking é uma forma emocionante de interagir com a natureza enfrentando níveis variados de dificuldade, mas nada que impeça “aventureiros” de todas as idades de participar da atividade. O que vale é deixar-se envolver pela natureza vista de um ângulo diferente: o de dentro do rio!  

Na manhã seguinte, partimos para um rapel no Morro do Forno...

Rapel no Morro do Forno

Praticar rapel já é uma atividade muito gostosa. Praticar rapel rodeado por uma natureza inspiradora, é tudo o que um aventureiro pode querer de bom na atividade.

Logo cedo, partimos para o Morro do Forno.

A aventura começa no trekking de 1,5 km até o local do rapel, pois no caminho é preciso passar entre fendas nas rochas, fazer pequenos boulders (com ajuda de corda para segurança) e atravessar cavernas.

O Morro do Forno é um local bem adequado para a prática do rapel (R$ 45,00 com a Ecotur). A descida do paredão de 45 m. é totalmente no positivo sendo bem tranqüila. 

A ancoragem acontece em um local estratégico, com um belo visual a sua volta.

 Por conta da altura do Morro do Forno, a sensação no início do rapel é bem maior. Mas é só a sensação. Este rapel é indicado para iniciantes e crianças a partir dos 8 anos.

Com tanta aventura, o dia passou muito rápido, este rapel foi uma experiência inesquecível, desde o início da caminhada até a volta. Não esperávamos tantas surpresas no trekking da ida, nem contávamos em rapelar no meio de uma natureza tão exuberante, capaz de inspirar até o "mais urbano dos seres".

Com o fôlego renovado, continuando nosso roteito, fomos no dia seguinte fazer um cascading na cachoeira dos Macacos...

Cascading na Cachoeira dos Macacos

  A 17 km do centro fica a Cachoeira dos Macacos, a caminhada até a ancoragem do cascading (R$ 45,00 com a Ecotur), é curta (500m.) e tranquila.

A queda (com 50 m), majestosa pelo volume d’água, prometia muita adrenalina.

A descida começa positiva e vai tornando-se negativa na seqüência,  permitindo que se fique pendurado livremente bem no meio da queda, o que proporciona a oportunidade de se contemplar a vista que encanta o aventureiro.

Não descemos bem no meio da queda pois a água da cachoeira estava muito forte, mesmo assim, nos molhamos bastante, chegando encharcados lá em baixo.

 Já na parte baixa da cachoeira, um belo cenário se forma com a queda d´água e a mata que a "molda". Mais um exemplo de como a natureza desenha com cuidado suas belas paisagens!

Para fechar nossa viagem, fomos apreciar o pôr do sol, numa cavalgada na Fazenda João da Mata...

Cavalgada na Fazenda São João da Mata

Nossa "despedida" de Altinópolis, deu-se através de uma cavalgada pela Fazenda São João da Mata. O Hotel Vila das Palmeiras, onde ficamos hospedados, organiza estes passeios por R$ 10,00 (dez reais).

A proposta do programa era assistirmos o pôr-do-sol entre as montanhas.

Por caminhos de terra, nosso grupo com 15 pessoas pôde contemplar os atrativos naturais da fazenda e as extensas plantações agrícolas.

A cavalgada requer atenção redobrada com as crianças, pois os pequenos podem se empolgar e se esquecerem de segurar adequadamente na sela. Outro ponto importante é lembrar-lhes sempre de que os animais podem ser imprevisíveis.

Depois de cavalgarmos por uma hora, fomos "brindados", com um belíssimo pôr-do-sol!

Poderíamos dizer com segurança, que poucas coisas na vida são tão gratificantes como estes raros momentos que vivemos aqui em Altinópolis. A cidade, com suas belesas naturais e seu povo hospitaleiro, é um convite constante ao ecoturista.

Um destino, que não só apenas aconselhamos, mais literalmente, aprovamos!

Outros passeios

Conhecer a Praça das Esculturas (ou Jardim das Esculturas), principal acervo com 42 obras do artista plástico Bassano Vaccarini que abordam temas sociais referentes às mulheres e à família, é um programa imperdível, fique atento também, pois por toda a cidade existem esculturas do artista.

Altinópolis possui 35 cachoeiras. Nos meses de novembro a fevereiro, o banho fica mais agradável e as chuvas fazem com que o volume de suas águas aumente, o que as torna mais bonitas.

Com o rio mais cheio é possível fazer bóia-cross (R$ 35,00 com a Ecotur).

Para quem quer mais adrenalina, a Ecotur também oferece um pêndulo (R$ 10,00) na Fazenda Florada Vale das Grutas.

O Morro do Parque Municipal (1.200 m de altitude) também vale uma visita. Dele, a visão de 360º permite que se avistem 16 municípios ao seu redor. 

Dica dos Autores 

O roteiro de aventura em Altinópolis é indicado para crianças a partir dos seis anos.

A visita à Gruta do Itambé pode ser assustadora para os que têm medo do escuro, mas envolvente para crianças que adoram uma aventura estilo “Indiana Jones”.

O rapel é muito tranqüilo e a caminhada até a ancoragem é muito divertida, mas o cascading é indicado para crianças que já tenham feito a atividade em cachoeiras menores.

Altinópolis produz o melhor e mais aromático café do Brasil, não deixe de experimentá-lo.

Aproveite também para mostrar às crianças como se desenvolve a cultura da plantação de café e o processo pelo qual passa o grão da colheita à mesa. Para nosso filho Matheus (de 10 anos), foi bem instrutivo.

No mais, aproveite um feriadão, pegue as crianças e boa aventura!