Amazônia / AM

por: Adilson Moralez - Maio / 2003

Apresentação


Juma Lodge
© Adilson Moralez

A convite do Juma Lodge, fui conhecer em detalhes os mistérios que cercam uma das regiões mais intrigantes do Brasil: a Amazônia. O pacote foi o Mutum, que contempla quatro dias e três noites num hotel de selva totalmente isolado da civilização, mas com todo o conforto e segurança necessários para se aproveitar ao máximo o contato com a natureza em seu estado mais puro.


Reflexo das águas no fim de tarde
© Adilson Moralez

O Juma Lodge fica a 100 km ao sul de Manaus, à margem do rio de mesmo nome, e o trajeto pode ser feito em cerca de duas horas e meia de barco ou num misto de barco e carro, dependendo da estação do ano. Na época da cheia é possível vencer todo o trajeto de barco, pois as águas chegam a subir mais de 10 metros interligando vários rios, tornando a viagem mais rápida. Uma das grandes vantagens da localização do Juma é que, devido à acidez das águas do rio, não há a proliferação de mosquitos, podendo-se ficar em áreas abertas sem o incômodo de insetos.


Conforto em plena selva
© Adilson Moralez

O hotel fica totalmente elevado sobre pasarelas de madeira e conta com um deck com visão privilegiada do Rio Juma. Os quartos são cobertos com palhas que, além da integração com o ambiente, propiciam temperaturas mais amenas. A única forma de chegar lá é de barco ou hidro-avião. Como o hotel não trabalha com grandes grupos, o tratamento é muito pessoal, proporcionando muita interação com os funcionários e até os proprietários, que também trabalham com os turistas.

O translado até o hotel já é uma atração pois, durante o caminho, passa-se por comunidades ribeirinhas e os mais diversos tipos de embarcações. A sensação de estar no meio da Amazônia é muito forte. Suas dimensões são fora do comum: o Rio Negro, por exemplo, chega a ter 12 km de largura em certos trechos, onde praticamente é impossível avistar a outra margem.

Primeiro dia

Quando cheguei em Manaus já eram 4h00 da madrugada e, para facilitar meu deslocamento pela capital, preferi hospedar-me num hotel na região central. Após poucas horas de sono, tomei um típico café da manhã com sucos de frutas da região, tapioca e banana assada. Às 8h30 fui apanhado pelo Pepe, o guia que iria conduzir nosso grupo pelos próximos quatro dias. Após chegar na Van, fiquei surpreso, pois era o único brasileiro num grupo de seis mexicanos, que vieram para conhecer os encantos de nossa selva equatorial.


Encontro das águas
© Adilson Moralez

Ainda com a Van, fomos até o porto do Ceasa no Rio Negro, onde tomamos a primeira lancha. Nesse trajeto, apreciamos a primeira atração do dia, que foi o encontro das águas. Trata-se do incrível encontro das águas escuras do Rio Negro com as águas barrentas do Solimões, resultando no maior rio do mundo em volume d`água, o Amazonas. O fato interessante desse encontro é que os rios caminham juntos vários quilômetros sem que suas águas se misturem. Isso acontece em função das diferentes temperaturas e velocidades das águas.


Velhão
© Adilson Moralez

Continuamos nosso passeio até a Vila do Careiro, onde pegamos outra Van até o Rio Araçá. Daí seguimos em outra lancha passando pelos Rios Mamori até, finalmente, adentrarmos o Rio Juma. Chegando no hotel, uma surpresa: antes da equipe nos dar as boas vindas, fomos recebidos por Joel, Lilica, Velhão e Velhinha, um grupo de macacos que vivem nos arredores e não se intimidam de subir no colo das pessoas, buscando carinho ou, quem sabe, uma banana!


Crianças da comunidade
© Adilson Moralez

A magia dos espelhos d água
© Adilson Moralez

Após um delicioso almoço e um cochilo na rede, saímos de lancha para visitar uma comunidade local e conhecer seus costumes e seus artesanatos. Fiz muitas fotos das crianças, que adoravam ver suas imagens no visor da câmera. Uma das vantagens dessa época na Amazônia é que, devido ao volume dos rios e a calmaria de suas águas, formam-se verdadeiros espelhos d`água, que refletem com perfeição os contornos das matas. Não pude deixar de me encantar nas situações em que os reflexos, em perfeita simetria com o real, formavam belíssimas imagens.

Segundo dia

O programa começou com um despertar às 5h45 e fomos todos até um lago para apreciar o nascer do sol. Não tivemos a sorte de belas imagens mas, por outro lado, recebemos um presente das águas, com vários botos nadando relativamente perto da lancha, inclusive o boto cor-de-rosa. Ver os botos foi relativamente fácil, o difícil foi tirar uma boa foto.


Cipó d` água
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Retornamos para o hotel para um delicioso café da manhã e, em seguida, partimos para uma caminhada na selva. Um passeio muito interessante, pois os guias nos mostraram diversas plantas com poderes medicinais. Como exemplo: Cipó d`água (fornece água), Paracanaúba (quinino para malária), Amapá (xarope para bronquite), Cânfora (creme para lesões), Capim Santo (anti-séptico), Babaçu (possui um verme `comestível` em seu interior rico em proteínas), Itaúba (madeira para barcos), Cipó Ambé (cigarro da selva) e muitas outras.


Casa de Farinha
© Adilson Moralez

Retornamos para almoço no hotel e após botar os pés no restaurante despencou uma típica tromba d`água. Após a chuva o tempo refrescou e por volta das 15:30h saímos para visitar uma casa de farinha. Local onde se prepara a farinha de mandioca, que juntamente com o peixe é o alimento básico do caboclo e sua família. No retorno ao hotel tivemos outro lindo final de tarde onde os reflexos da mata e troncos secos formavam um maravilhoso espelho d`água.


Jacaré
© Adilson Moralez

Após o jantar tivemos uma programação noturna: focagem de jacaré. Com todos na lancha e uma poderosa lanterna, saímos procurando por pares de olhos cintilantes nas margens do rio. Após algumas tentativas o Renato e o Pepe conseguiram pegar um jacaré de cerca de 1 metro e meio e com muito cuidado sua boca foi amarrada para que pudéssemos pegá-lo na mão para as tão sonhadas fotos. Uma mostra que na Amazônia vale a lei do mais forte foi o fato de nosso exemplar não ter uma das patas traseiras que fora provavelmente devorada por piranhas.

Terceiro dia

Acordamos às 5h na expectativa de ver o sol nascer, mas infelizmente não fomos atendidos em nossos desejos, pois o dia amanheceu com muitas nuvens. De qualquer forma o programa foi bastante proveitoso, pois ficamos cerca de uma hora na lancha com o motor desligado flutuando no meio do lago no mais profundo silêncio, apreciando o vai e vem das aves.


Extração do Látex
© Adilson Moralez

Retornamos para o café e em seguida partimos para visitar a casa do Sr. José Maia, um seringueiro que ainda vive da extração e preparo do látex de forma tradicional. Após sua extração, o látex é `defumado` num processo todo artesanal e então aplicado diretamente sobre formas de sapato em madeira. Após a aplicação de várias camadas, é feito um corte na parte superior da forma, a mesma é retirada e os sapatos estão prontos para uso.


Pesca de piranha
© Adilson Moralez

Conseguimos retornar ao hotel minutos antes da chuva e enquanto esperávamos o tempo melhorar fizemos um longo e prazeroso almoço. Já com o tempo estável e mais fresco fomos para a famosa pescaria de piranha de final de tarde. No início estava difícil de achar o local ideal e nossos amigos mexicanos ainda não estavam dominando a técnica. Mas quando achamos o local ideal, ficou fácil. Até uma traíra foi fisgada e causou o maior agito no barco, pois todos se assustaram com o grito da Iliana ao ver que havia pescado seu primeiro peixe.

Retornamos ao hotel e obviamente antes do jantar foi servido caldo de piranha de entrada.

Quarto dia

Acordei às 6h00 na última tentativa de um belo nascer do sol, mas a época realmente não favorecia. Tomamos o café, nos despedimos do pessoal e tivemos dificuldades de tirar o Joel do barco, que insistia em nos acompanhar. Às 9h partimos em direção a Manaus e o retorno não deixou de ser um bom programa, pois paramos num dos mercados flutuantes para comprar bebidas e conhecer mais um pouco da população local e seus costumes.


Vitória régia
© Adilson Moralez

Aproveitamos a oportunidade e passamos novamente pelo encontro das águas. Já na estrada até a Vila do Careiro, pedi para pararmos numa fazenda próxima da estrada e fotografei as incríveis vitórias-régias, que se amontoavam num pequeno lago ainda não cheio o suficiente para comportar todas elas.

Dicas do Autor


Adilson Moralez
© Divulgação

A Amazônia pode ser visitada o ano todo, porém, a A Amazônia pode ser visitada o ano todo, porém, a escolha da época é fundamental para determinar o que será visto. De janeiro a junho é época das chuvas, sendo que junho é o pico do volume de água nos rios. Nesta época o calor é menor, os rios estão mais cheios, porém, há menos pássaros e o barco é praticamente o único meio de transporte. De julho a dezembro os rios estão mais baixos, há muitas praias, a temperatura é bem mais alta; o tucunaré é a grande atração da pesca esportiva e entre setembro e outubro é possível avistar muitos pássaros.

Não se esqueça de levar roupas leves, repelente de insetos, protetor solar e boné.

É recomendado pelo ministério da saúde tomar vacina contra febre amarela pelo menos 10 dias antes da viagem.

Serviços

Juma Lodge
Fone(s): (55) 11 - 3088-1937
www.jumalodge.com.br
sofia@jumalodge.com