As Águas de Bonito

Rafaela Carvalho - 25/03/2003

Apresentação


Amanhecer na estrada
© Rafaela Carvalho

A convite da operadora Terra Nativa, tive o privilégio de desfrutar das belezas que Bonito oferece com muita segurança, conforto e, principalmente, tranqüilidade - mesmo durante o carnaval. Estradas percorridas, andanças e descobertas. Passando por todos os sentidos, esse é o caminho de nossa estrada, que soma um total de 1200 km. Não existe placa de pare, só de bem-vindo.


Fauna e flora exuberantes
© Marcelo Maestrelli

Saímos de São Paulo na sexta-feira, 1º de março, às 19h30. O ônibus era excelente e o tempo parecia dobrar os segundos. Iniciávamos o nosso filme, do qual éramos os personagens, fotógrafos e diretores. Ainda no ônibus, tomamos nosso primeiro café da manhã, com o laranja do sol iluminando a paisagem. Em breve, chegaríamos na hospitaleira pousada Fazenda Canto do Bambu.



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Chão de terra à vista, troca de ônibus e de paisagens. Já estávamos a poucos quilômetros de nosso destino. Interessados nas explicações de Edinho, proprietário da agência Natura Tour de Bonito, entendíamos um pouco mais sobre a geografia, a fauna e a flora que compunham as paisagens daquele paraíso situado ao sul do Pantanal, no estado do Mato Grosso do Sul.

Primeiro dia


Cachoeiras no Rio do Peixe
© Marcelo Maestrelli

O desembarque foi seguro e fomos muito bem recebidos com boas vindas e sorrisos de todos. Começava, de fato, o nosso carnaval. Recebemos algumas outras explicações necessárias para o bom desempenho da turma, comandada pelo bom velho de guerra Demian, proprietário da operadora Terra Nativa. Fantasias a postos, marcação da bateria, Edinho no pandeiro, um kitizinho básico de protetor, repelente e filmes.

Iniciávamos nossa aventura. Mas, antes, peixe na brasa, limonada bem gelada, saladas e legumes. Saciamos nossa fome com comidas leves. Tínhamos ainda a metade do dia pela frente, uma maratona de cachoeiras a visitar e um corpo exausto pela longa viagem. O equilíbrio era fundamental nessa hora, o que não precisávamos era um corpo de jibóia em plena digestão.


Banhos deliciosos
© Marcelo Maestrelli

Na volta do passeio, bate-papo com seu Moacir - proprietário da Fazenda Canto do Bambu, um dos primeiros a desenvolver um ecoturismo estruturado, proporcionando uma comunhão entre turista e agência. Durante a conversa, seu Moacir deixou uma reclamação: Tá faltando mais incentivo!

Segundo dia


Trilha para a nascente
© Marcelo Maestrelli

A luminosidade chegou com o amanhecer. Nossos corpos, esparramados pelo lençol, espreguiçavam-se, enquanto os olhos abriam-se lentamente e a brisa da manhã adentrava nossas janelas. Com um café da manhã lotado de comidas típicas - biscoitinhos caseiros, queijos, sucos, caburés (ver receita em `Dicas do Autor`) - suprimos nosso corpo de energia. Pensamentos sublimes, mente sã num corpo são rumo aos novos tons de verde, azul e dourado que nos esperavam.


Flutuação no Rio da Prata
© Marcelo Maestrelli

Nosso próximo destino era o Rio da Prata. Divididos em grupos de dez pessoas, caminhamos por uma trilha de uma hora em direção à nascente desse belo rio, um aquário natural de águas cristalinas. Uma dica para os que querem registrar os melhores momentos: no local pode-se alugar câmeras apropriadas para fotos embaixo d`água.


Paisagens Sub-aquáticas
© Rafaela Carvalho

Idas de dourados, vindas de pacus, visitas de piraputangas e curimbas... Os peixes pareciam estar em plena sintonia com os visitantes. Enquanto uns flutuavam pelo rio, outros esperavam sua vez, acomodados em redes espalhadas pela sombra de uma enorme árvore, enquanto pássaros e animais silvestres atravessavam nossas vistas.


Redário no Rio da Prata
© Rafaela Carvalho

A Canto do Bambu é um verdadeiro refúgio ecológico, que oferece toda a infra-estrutura necessária para a visitação, desde o material adequado para o mergulho e outros passeios, até a alimentação. Exemplo de ecoturismo sustentável, onde biólogos fazem observações e estudos dos impactos ambientais e publicam um relatório trimestral, sugerindo modificações, melhorias e manutenções. Uma filosofia de mudança e crescimento, que torna possível a integração entre os visitantes e aquela exuberante natureza.

Terceiro dia


Rio Formoso
© Rafaela Carvalho

Enquanto o sol da manhã brilhava sutilmente, nos preparávamos com bonés e óculos de sol para o primeiro passeio do dia. Iríamos para o Rio Formoso, uma descida de 7 km em um bote inflável, passando por três cachoeiras e duas corredeiras. Os botes foram divididos em grupos. Equipamo-nos com coletes salva-vidas e fomos direto pra água. O esforço da remada era compensado com a maravilhosa paisagem.


Passeio de Bote
© Marcelo Maestrelli

Na parada para o almoço, uns aproveitaram para descansar e outros para comprar. A cidade, cortada por uma única rua principal, oferece lojinhas com artesanatos locais, restaurantes com comidas típicas, informações turísticas, bares e comércio em geral.

Já de tarde, mudamos de cenário: das águas cristalinas às copas das árvores. Passando por uma passarela suspensa em meio ao verde, com vários tipos de pássaros, caminhávamos em direção à Gruta de São Miguel.


Copa das árvores
© Rafaela Carvalho

Através do percurso, mapas explicativos e a companhia de um guia, entendíamos um pouco mais sobre a formação das estalactites, dos coralóides, das pérolas e vários outros espeleotemas. A iluminação é uma mescla de luz artificial e natural; o caminho por onde devíamos passar era todo demarcado, causando o menor impacto possível à natureza.

O passeio durou pouco mais de uma hora, com direito a resgate de carrinho elétrico na volta. Com o fim da tarde, encerravam-se os e iniciavam os preparativos para nossa volta. A noite caía enquanto voltávamos para a pousada, desfrutávamos o mundo, as águas dos rios percorriam por nossas veias, nos vestíamos com o céu e éramos coroados com as estrelas. De nossos assentos, tínhamos a sensação de estar em um planetário. O silêncio invadia as estradas de terra, em nossas mentes relembrávamos cada cena de nosso Bonito filme.

Consciência ecológica, harmonia com a natureza, sucesso alcançado pelos esforços de pessoas conscientes, integradas e `contaminadas` pela energia vital de um templo, do qual todos nós somos donos e, portanto, responsáveis. Não sejamos apenas viajantes com olhar para as belas paisagens.

Serviços

Terra Nativa Ecoturismo

Fones: (11) 5093-2941 (11) 5096-2210
www.terranativa.com.br

Pousada Canto do Bambú

Fones: (67) 255-2580 (67) 9986-4007
www.cantodobambu.com.br

Natura Tour

Fones: (67) 255-1544
www.naturatour.com.br

Dicas da Autora


Rafaela Carvalho
© Divulgação

Tenha sempre na mala um repelente. Nos finais de tarde, quando acabam os passeios, surgem indesejáveis mosquitinhos loucos para saborear sangue novo; mas não passe repelente nem protetor solar antes de entrar nos rios e piscinas naturais.

Em Bonito todos os passeios são muito disputados e devem ser reservados com antecedência nas agências da cidade. Viajando com uma agência de turismo você terá a certeza de que poderá fazer todos os passeios programados.

O melhor calçado para se usar em todos os passeios é a papete.

Caburé: 1 kg de mandioca

1 pacote de coco ralado

1 xícara (chá) de açúcar

1 colher (sopa) de manteiga

Rale a mandioca, esprema com as mãos, junte com o coco ralado, o açúcar e a manteiga. Amasse bem, faça bolinhos do tamanho de um ovo de galinha, ponha sobre folha de bananeira e asse em forno quente.

`O homem semeia um pensamento e colhe uma ação. Semeia um ato e colhe um hábito. Semeia um hábito e colhe um caráter. Semeia um caráter e colhe um destino`.